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Diversão

Venda de ingressos terá fila clara, taxas abertas e combate a cambista

Consumidor verá valor final, tempo de espera e poderá transferir o bilhete gratuitamente

Por Gustavo Bonotto | 31/08/2026 21:28
Venda de ingressos terá fila clara, taxas abertas e combate a cambista
Fãs do Guns 'n Roses aguardam em fila no Autódromo Internacional de Campo Grande horas antes de abertura dos portões. (Foto Arquivo/Paulo Francis)

O governo federal definiu nesta segunda-feira (31) novas regras para venda e revenda de ingressos e para oferta de água em eventos em todo o país. Dois decretos tentam conter compras em massa feitas por robôs, ampliar a transparência para o consumidor e garantir hidratação gratuita em locais com mais de mil pessoas. As normas entram em vigor 30 dias depois da publicação.

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O governo federal publicou nesta segunda-feira (31) dois decretos com novas regras para venda de ingressos e oferta de água em eventos. As normas exigem transparência total nos preços, barreiras contra compras por robôs e combate ao cambismo digital. Eventos com mais de mil pessoas deverão oferecer água potável gratuita. A discussão foi impulsionada pela morte de Ana Clara Benevides, 23 anos, durante show de Taylor Swift em 2023. As regras entram em vigor em 30 dias.

Na compra de ingressos, empresas e plataformas terão de informar o preço total desde o início da operação e discriminar todas as taxas cobradas. Serviços adicionais não poderão ser incluídos automaticamente sem a concordância do cliente. O valor do bilhete também deverá permanecer o mesmo durante o período reservado para a conclusão do pagamento.

As filas virtuais terão de exibir a posição do consumidor, a quantidade estimada de pessoas à frente e o tempo aproximado de espera. As plataformas oficiais também deverão permitir a transferência gratuita da titularidade do ingresso. Em compras pela internet, o cliente terá acesso a um canal específico para exercer o direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor.

As empresas responsáveis pela venda inicial terão de criar barreiras contra aquisições massivas, abusivas ou especulativas, inclusive por robôs e outros programas automatizados. Os sistemas também deverão permitir a identificação do titular, a verificação da autenticidade e o acompanhamento das transferências. O objetivo é dificultar a revenda irregular de grandes quantidades de bilhetes, prática conhecida como cambismo digital.

As plataformas de revenda terão de mostrar o preço original, o valor final cobrado e quanto foi acrescentado ao ingresso. Os sites também deverão informar se o vendedor é pessoa física ou empresa e identificar padrões de comercialização habitual ou organizada. Os registros das operações deverão permanecer armazenados por pelo menos dois anos para eventual fiscalização.

O decreto também estabelece regras para a meia-entrada. Empresas não poderão reduzir artificialmente a quantidade disponível, criar obstáculos tecnológicos ou aplicar taxas que diminuam o desconto previsto em lei. Os responsáveis pela venda deverão informar o número de bilhetes disponibilizados nessa modalidade e divulgar, até 30 dias depois do evento, o percentual efetivamente vendido.

Cancelamentos, adiamentos ou mudanças relevantes darão ao consumidor três alternativas: participar na nova data, receber crédito para uso futuro ou pedir o reembolso integral. As regras para comercialização de ingressos abrangem shows, festivais, congressos, conferências e feiras, em locais abertos ou fechados. Eventos esportivos ficam fora dessa regulamentação porque seguem legislação própria.

Outro decreto obriga eventos com mais de mil pessoas a oferecer água potável gratuitamente, independentemente da temperatura registrada no dia. Organizadores deverão instalar pontos de hidratação ou distribuir recipientes com água, e a venda do produto no local não substitui essa obrigação. O público também poderá entrar com água potável, observadas as regras de segurança estabelecidas para cada evento.

A discussão ganhou força em novembro de 2023, depois da morte da sul-mato-grossense Ana Clara Benevides, de 23 anos, que passou mal durante um show de Taylor Swift no Rio de Janeiro (RJ), em meio a uma onda de calor. Uma regra temporária passou a exigir medidas de hidratação pouco depois do episódio, mas dependia de renovação.