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Campo Grande, Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019

21/02/2019 08:21

Psicólogo que diz ser coaching e prega cura gay preocupa quem respeita profissão

Questões como a cura gay, psicologia cristã e atuação de coachings, são temas que entraram em pauta na mesa do Conselho Regional de Psicologia

Thailla Torres
Psicóloga e conselheira, Jaciane orienta sobre abordagens não científicas que podem ser danosas ao serem aplicadas pela psicologia. (Foto: Henrique Kawaminami)Psicóloga e conselheira, Jaciane orienta sobre abordagens não científicas que podem ser danosas ao serem aplicadas pela psicologia. (Foto: Henrique Kawaminami)

Um anúncio em que qualquer pessoa tem acesso mostra um psicólogo denominado cristão e promovendo a cura gay. Outro se diz coaching e relaciona suas técnicas com a ciência. O teor das reclamações que chegam ao Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul preocupa quem segue à risca o código de ética profissional do psicólogo.

Sensível aos questionamentos e denúncias de pacientes que chegam toda semana à ouvidoria, a psicóloga e conselheira presidente Jaciane Terezinha Rodrigues Vieira segue orientando e fiscalizando psicólogos para que atuem por meio de conhecimentos e técnicas cientificamente testados, para que não causem danos à sociedade. E o que mais inquieta, tanto a sociedade quanto conselheira, é que não há um limite para quem mistura jornada pessoal com profissional, diante do número de psicólogos aplicando técnicas fora da ciência em seus consultórios.

Por isso, questões como a cura gay, psicologia cristã e atuação de coachings, são temas que entraram em pauta na mesa do conselho. “Esses assuntos estão em movimento. E nós temos nos preocupado em fazer o que nos compete, além de legislar, criar resoluções e seguir normas de conduta, precisamos orientar, especialmente, a sociedade sobre o claro papel da Psicologia”, afirma Jaciane.

Conselho Regional de Psicologia está aberto a esclarecimentos. (Foto: Henrique Kawaminami)Conselho Regional de Psicologia está aberto a esclarecimentos. (Foto: Henrique Kawaminami)

Para o conselho, o profissional deve manter a laicidade de seu trabalho, ou seja, o que é chamado de psicologia cristã não está correto. “Há uma diferença entre ser cristão e exercer o cristianismo na profissão. A segunda opção não é correta, porque o nosso estado é laico e não é permitido o exercício da psicologia associada a nenhuma prática religiosa, que não tem técnicas e ferramentas cientificamente provadas”, diz.

É possível que o psicólogo pertença a qualquer religião, mas a vida cotidiana não deve refletir dentro dos consultórios. “Se o psicólogo pedir para um paciente mudar de religião ou aplicar a religiosidade no atendimento, por exemplo, é importante saber que isso não é uma ferramenta da psicologia, não é técnica e não é método. E isso tem acontecido bastante. Você vê nas ruas psicólogos que se denominam cristãos”.

Na área organizacional, não é raro encontrar quem possui uma necessidade ou precisa de suporte para lidar com obstáculos, buscando o processo de coaching e relacionando a abordagem com a psicologia, por isso, a atuação de psicólogo-coaching ou que oferece constelação familiar é outro alerta endossado pela conselheira. “É importante esclarecer que não é proibido ser coaching ou constelador, mas sim relacionar essas atuações com a psicologia. Porque psicologia e coaching não possuem o mesmo sentido. Uma é ciência e outra é uma ferramenta que não foi investigada, testada e comprovada que há aplicabilidade e traz um resultado, então isso não pode ser associado como ferramenta da profissão”.

O mesmo esclarecimento é colocado a profissionais que atuam nas questões relativas a orientação sexual, com a cura gay. “É uma relação bem simples, ciência é aplicável, cura gay não tem respaldo científico, então não tem porque curar algo que não é doença, por isso, cabe ao conselho fazer ponderações”.

Os questionamentos e processos contra profissionais, no âmbito do Conselho, mostram os danos causados por práticas inadequadas a Psicologia. “Quando os pacientes se sentem prejudicados, eles comparecem ao conselho, mas nós não podemos fazer nada. Apenas o psicólogo é notificado e em casos de descumprimento do código de ética, o profissional pode sofrer penalidades”.

De acordo com o código, as transgressões podem levar a advertência, multa, censura pública, suspensão do exercício profissional, por até 30 dias, e cassação pelo Conselho Federal de Psicologia.

Orientação e conhecimentos – As perspectivas são reforçadas pelo conselho através de ações para sociedade e profissionais. “Temos feito rodas de conversa, orientações e palestras para orientar os dois lados, profissional e população em geral”.

Em 2018, mais de 1,9 mil atividades foram realizadas pelo conselho para atender população e explicar a real posição do psicólogo.

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