Entre carros e bananas, libanês fez de estacionamento uma frutaria
Sem câmara fria e com aluguel para pagar, Camil apostou nas frutas para aumentar a renda
Quem passa pela Rua Arthur Jorge talvez ache estranho à primeira vista. Uma frutaria assim, no meio dos carros? Cachos de banana, maçãs e melancias dividem espaço com as vagas do estacionamento do libanês Camille Tawil, ou apenas Camil, como é conhecido.
RESUMO
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Camille Tawil, o Camil, libanês de 61 anos, transformou seu estacionamento no Centro de Campo Grande em uma frutaria improvisada para pagar o aluguel após dificuldades financeiras pós-pandemia. Tudo começou com um cacho de banana e, em seis meses, virou ponto de frutas com preços entre R$ 3 e R$ 15. Sem câmara fria, o segredo é vender rápido. Em breve, o local passará a se chamar oficialmente estacionamento e frutaria.
Dono do negócio há 6 anos, ele resolveu fazer uma graninha extra com as frutas para ajudar a pagar o aluguel do imóvel. A ideia deu mais que certo. Em breve, ele deve trocar a fachada e anunciar “estacionamento e frutaria”.
Aos 61 anos, Camil passa os dias entre cobrar a hora para deixar o carro ali e pegar caixotes de frutas para repor o estoque, que aliás não é grande, mas lota a frente do estabelecimento.
“Depois da pandemia ficou mais parado. Tive dificuldade para pagar aluguel e pensei: preciso inventar alguma coisa”, conta. Tudo começou com um cacho de banana. “Quando comecei, vendia uma caixa de banana a cada 2 dias. Vi que gostaram e comecei a aumentar. O cliente parava aqui para deixar o carro, via a banana e queria. Foi de pouco em pouco. O pessoal começou a pedir mais coisas e fui trazendo”.
Hoje, o estacionamento virou também ponto de frutas para quem circula pela região. E não falta movimento nas redondezas: hospital, maternidade, defensoria e escritórios ajudam a explicar por que a clientela tem comprado tanto.
Segundo Camil, o pessoal comenta que já não quer mais comer salgado, que prefere frutas. “Principalmente as mulheres gostam muito. Elas ficam felizes quando chegam aqui e encontram fruta”, diz Camil, rindo.
O lucro, porém, passa longe de ser grande. Sem câmara fria, ele precisa vender rápido antes que as frutas estraguem. A lógica é simples para ele: melhor barato do que perdido.
“Não adianta vender caro porque estraga. O segredo é vender rápido”, resume. Os preços variam entre R$ 3 e R$ 15. “Não é mil maravilhas, mas ajuda”, completa Camil.
E ajuda mesmo nos dias difíceis. O libanês conta que há momentos em que quase não vende nada. Em outros, comemora quando as caixas esvaziam antes de amadurecer demais. “Fico feliz quando vejo que acabou tudo.”
A relação dele com frutas, na verdade, começou muito antes de Campo Grande. Muito antes do estacionamento e muito antes do Brasil. Nascido no interior do Líbano, ele cresceu trabalhando na roça com o pai. “Eu nasci no meio das frutas. Lá cai muita neve e dá muita fruta gostosa.”
Em 1992, decidiu vir para o Brasil. Casou, construiu uma vida aqui e nunca mais voltou definitivamente para o país natal. “Depois que minha mãe faleceu, nunca mais fui embora para lá.”
Confira a galeria de imagens:
Talvez seja por isso que a banana tenha virado quase símbolo da pequena frutaria improvisada. É o item mais procurado pelos clientes e, às vezes, até vira gesto de solidariedade. “Quando a pessoa não tem dinheiro, eu dou as bananas.”
Agora, ele prepara um espaço mais organizado dentro do estacionamento. Já tentou abrir lanchonete antes, mas não deu certo. Com as frutas, acredita que encontrou um caminho mais simples e mais próximo da própria história.
“Vai ser estacionamento e frutaria. A gente sempre muda. Todo dia chega novidade. Eu pego elas no Ceasa. Vender um pouquinho a cada dia já ajuda. O pessoal fica feliz. Não é mil maravilhas, mas ajuda no dinheiro”.
A frutaria e o estacionamento ficam na Rua Arthur Jorge, 760, no Centro. O funcionamento é das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira, e das 7h às 13h aos sábados.
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