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Sabor

Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante

Ele começou como garçom, já foi garimpeiro, mas hoje é dono de um dos lugares mais tradicionais da cidade

Por Natália Olliver | 20/03/2026 06:15
Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Otacílio Augusto inventou até o que não tinha para o restaurante dar certo (Foto: Paulo Francis)

Há 23 anos, Otacílio Augusto de Souza deixava a vida de garçom, vendia uma casinha que batalhou para comprar e chegou a pedir dinheiro emprestado para o sogro para investir no tão sonhado restaurante. Claro, dessa história saiu devendo por uns anos, mas hoje se orgulha de ter arriscado tudo e conseguido um dos restaurantes de peixe mais tradicionais de Campo Grande.

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O restaurante Augustus, em Campo Grande, completa 23 anos de história sob o comando de Otacílio Augusto de Souza, que deixou a profissão de garçom para realizar o sonho de ter seu próprio estabelecimento. Com especialidade em peixes, o local se tornou referência na cidade e já recebeu diversas celebridades. O empreendimento é um negócio familiar, onde trabalham sua esposa e seu filho Matheus, que começou aos 7 anos e hoje, aos 28, mesmo formado em engenharia mecânica, dedica-se ao restaurante. Entre os pratos mais populares estão o pacu na chapa e diversas preparações com pintado e camarão, com preços que variam de R$ 33 a R$ 270.

Na Rua José Antônio, desde que comprou o lugar, Augustus conta como tudo isso começou. Ele rodou por empresas trabalhando não só como garçom, mas também como garimpeiro. Foi em um ano de desemprego que a coragem bateu e ele quis apostar tudo no negócio.

“Eu sou de família muito simples. A minha mãe é mineira e meu pai é paraibano. Somos uma família muito simples, de 11 irmãos. Eu perdi minha mãe quando tinha 11 anos e fui trabalhar na Rádio Clube. Lá eles davam oportunidade da gente comer no local de graça. Então a gente não almoçava, a gente só jantava. Aí eu passava a noite inteira, depois da meia-noite a gente não precisava tomar café da manhã. Só almoçava. Quando almoçava. Porque a gente também não tinha condições”.

Em 2003, o restaurante abriu as portas, ele na cozinha, a esposa ajudando e o filho, Matheus, brincando entre as mesas e observando o caixa. Ao longo desses anos, histórias não faltam no currículo de pai e filho.

Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Há 23 anos, Augustus é dono de um dos restaurantes de peixe mais tradicionais da cidade (Foto: Paulo Francis e arquivo pessoal)

“Era Dia dos Pais, o cliente comeu e disse que não gostou da comida. E eu agradava ele. O cara disse que não iria pagar, mas comeu toda a comida, era R$ 420 que ele comeu. Foi embora sem pagar. Teve outra vez, o Matheus estava no caixa, o cliente foi lá e reclamou porque cobramos a embalagem, eu dei o desconto na embalagem, mas dei R$ 340, 90% da conta, e ele ficou feliz dando ‘tchau’, todo animado. Eu errei a comanda, era R$ 34. Até hoje a gente não esquece. O cara nunca mais voltou”.

Apesar da falta de caráter de alguns e dos aproveitadores que às vezes aparecem, Augustus insiste em tratar todos os clientes igualmente, com atenção, carinho e respeito. Para ele, isso é indiscutível. Augustus comenta que até homenageou clientes no cardápio, com pratos originais. Um deles é o amigo José Carlos Rosa Pires.

“É prazeroso atender meus clientes. Eu falo que eles são parte da minha família, eu cozinho pra eles e eles são todos presentes de Deus. Sem eles você não é nada. Tem que tratar todos com respeito, amor e carinho. Tem gente que chega bravo, eu brinco, abraço. Isso quebra o gelo. Eu amo todos meus clientes. Eles têm problemas também, não pode tratar mal, tem que conversar. Esse era meu sonho”.

Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
No local, rastros do passado que ele faz questão de deixar como decoração (Foto: Paulo Francis)

Outra coisa de que ele fala com orgulho são as celebridades que passaram pelo restaurante. Por lá, não há quadro na parede que as mostre, nem tietagem. Augustus costuma ser discreto com a presença de famosos. Foi assim que Cláudia Raia jantou no restaurante e ninguém ficou sabendo. Por lá, presenças como a de Tom Cavalcante são comuns. Sempre tem alguém famoso por lá.

Ele conta que a história com o nome do lugar nasceu de um jantar para 40 pessoas influentes que fez na época. A ideia inicial era que fosse batizado de Panela de Barro ou Panela de Ferro. Por votação das pessoas que estavam no jantar, acabou ganhando o Augustus Restaurante.

“As celebridades que atendi aqui foram várias pessoas famosas como a Claudia Raia, Monique Evans, cantores sertanejos, Tom Cavalcante, que vem muito e é muito discreto. O Davi Cardoso Júnior. Veio um artista da Globo também. São muitos, mas eu não sou de falar sobre eles”.

Entre os pratos do restaurante tem tilápia ao molho de urucum, camarão à dorê, pacu assado na brasa com legumes, picanha na pedra, iscas de tilápia, isca de pintado, moqueca de pintado, pintado com camarão cremoso, camarão na moranga, pintado à Belle Munière e até pizza de pacu, entre outros. O valor vai de R$ 33 a R$ 270.

Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Otacílio Augusto inventou até o que não tinha para o restaurante dar certo (Foto: Paulo Francis)

“Eu personalizo o prato do jeito que a pessoa quer comer. Eu criei o pacu na chapa, muita gente já não come empanado, o povo está tudo fitness, aí querem coisa grelhada. Ele vai na brasa e depois na chapa. É o prato que mais sai, criado em 2018. Já mandei esse prato até pra Brasília. Eu abri um restaurante que serve peixe porque, quando abri, não tinha muitos lugares, apenas dois. Temos muitos turistas. Foi um sucesso e espero continuar por mais 30 anos. Vou parar quando não aguentar mais. Isso é paixão, trabalho 15 horas por dia”.

Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Há 23 anos, Augustus pediu socorro até ao sogro para ter restaurante
Otacílio Augusto e o filho, Matheus Augusto, tocam o negócio ao lado da família (Foto: Paulo Francis)

De família

O filho, Matheus Augusto, começou a trabalhar lá na brincadeira, aos 7 anos. Hoje, com 28, faz de tudo, desde cuidar do caixa a ajudar o pai no atendimento. Apesar de ter feito engenharia mecânica, foi o negócio do pai que acabou ganhando o coração dele.

“Acabei me apaixonando pela área de restaurante. A empresa familiar tem que fazer de tudo. Eu fico feliz e é gratificante conseguir atender as pessoas e ajudar meus pais, que foi o que eu fiz basicamente esse tempo todo”.

Para o pai, ver o filho trabalhar junto e fazer parte da família é uma satisfação. “Ele sempre ficou no meu caixa e trabalha muito bem. Minha esposa também está comigo desde o começo, somos casados há 34 anos. Agora até minha nora vem ajudar e minha neta também, quando tiver idade”.

Quem ainda não conhece, o restaurante fica na  Rua José Antônio, 71 - Vila Rosa Pires.

Confira a galeria de imagens:

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