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Sabor

Recado de dono para 3 mil pessoas faz cliente não desistir de sobá

No grupo de risco do coronavírus, casal dono de sobaria se despede temporariamente, e supreende clientes com mensagens e ligações

Por Thailla Torres | 04/05/2020 06:11
Willian e Ivone na sobaria delivery localizada no Centro. (Foto: Arquivo Pessoal)
Willian e Ivone na sobaria delivery localizada no Centro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Brasil é um dos países que ainda passa por uma fase difícil da pandemia causada pelo novo coronavírus. E empreendedores de todos os segmentos estão buscando sobreviver e encontrar maneiras de lidar com o cenário, não só nesse período, mas principalmente após medidas de isolamento.

Muito mais do que pensar em fechar as portas ou insistir no funcionamento sem nenhuma adequação, um casal em Campo Grande resolveu dar uma pausa nos negócios. Mas não se limitou ao comunicado nas redes sociais. Willian Natsuo Tokikawa, de 60 anos, proprietário da conhecida Sobá Fast-food, na Rua Dom Aquino, decidiu mandar recadinho sincero por mensagem e ligar para 3 mil clientes.

Dia desses um amigo jornalista e fotógrafo que viveu sem os aplicativos de celular por um ano observou que em tempos de conexões virtuais ninguém telefona. É verdade. Mas isso não funciona com o seu William. Ele não cansa de digitar o número dos clientes e explicar os motivos do fechamento temporário, isso para aqueles que não topam uma conversa pelo WhatsApp ou não tem o aplicativo.

O que ele não imaginava é que tantos clientes fossem atender o telefone com vontade de conversar. “Eu montei um home office em casa e passo o dia mandando mensagem. Mas já cheguei a falar com uns 80 por dia, porque alguns não tem WhatsApp. Às vezes, demoro mais porque tem gente que quer conversar e eu escuto”, ri.

Ivone e William agora estão em casa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Ivone e William agora estão em casa. (Foto: Arquivo Pessoal)

William conta que tanto na mensagem quanto na ligação explica aos clientes que o objetivo é continuar levando um sobá gostoso, mas não tem uma data definida para retorno das atividades porque ele e a esposa, dona Ivone, são hipertensos e têm mais de 60 anos. “A maioria compreende que somos do grupo de risco e resolvemos nos preservar neste momento. Com essa experiência tenho certeza que vamos conseguir voltar e ter quase 100% dos nossos clientes de novo”, diz o dono.

A decisão foi baseada não só na viabilidade econômica, mas nas orientações médicas. “Minha esposa é quem cuida do preparo e eu dos atendimentos. Então recebemos recomendação médica de nos preservarmos. Essa foi a maneira que a gente escolheu enfrentar esse momento”.

O ponto na Rua Dom Aquino é alugado, e a boa relação com o proprietário do imóvel há 8 anos garantiu aos empresários mais apoio. “A gente já fez uma negociação com o proprietário. Só na hora que a gente retornar é que haverá cobrança do aluguel. Essa compreensão fez com que a gente ficasse mais tranquilo em não retornar neste momento. Pelas estatísticas ainda vamos viver um momento crítico”.

Mesmo assim, tem gente que não entende, e a cobrança é diária. “Todo dia alguém pergunta porque eu não abro para delivery e para comer no local, assim aumentaria a clientela, mas eu não tenho recurso para fazer um restaurante. Nosso investimento é para que o sobá chegue na casa do cliente. É assim que a gente quer continuar”.

A famosa combinação criada em Okinawa, comum em feiras e lanchonetes, ficou famosa pela entrega no estilo fast-food em 2013, quando o Lado B mostrou a nova empreitada no casal.

Quando a eletrônica da família japonesa parou de lucrar, eles criaram o delivery que hoje tem até versão vegetariana, com shimeji no lugar da carne bovina.

A garantia de rapidez para aprontar o pedido e enviar para o cliente é a maior propaganda. Segundo William, o tempo de preparo do sobá é cronometrado: 1 minuto. E apesar da distância, o sobá chega quente no endereço.

O empresário também conta que o sobá sempre foi feito em casa. A receita agradou aos amigos e, na hora do aperto, a iguaria serviu como forma de renda. “Esse ano vamos comemorar 9 anos de casa”.

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