Após intervenção de 2019, UFGD volta às urnas com três chapas
Comunidade acadêmica decide rumos da universidade enquanto Congresso discute nova regra para escolha de reitor
A sucessão na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) começa a ganhar forma — e temperatura. Três chapas se inscreveram para a consulta prévia que vai definir a lista tríplice destinada à escolha da nova Reitoria. A homologação das candidaturas deve ser concluída até o dia 20 de fevereiro, quando a Comissão de Consulta Prévia publica oficialmente os nomes que entrarão na disputa.
RESUMO
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A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) inicia seu processo sucessório com três chapas inscritas para a consulta prévia que definirá a lista tríplice para a nova Reitoria. A votação, marcada para 26 de março, envolverá docentes, técnicos e estudantes, definindo o projeto institucional até 2030. Entre os candidatos está Etienne Biasotto, que retorna após polêmica em 2019, quando venceu a consulta mas não foi nomeado durante intervenção federal. Também concorrem Gicelma Chacarosqui, que integrou a administração interventora, e Marisa Lomba, que representa continuidade administrativa com forte presença histórica na instituição.
A campanha começa em 23 de fevereiro. A votação, marcada para 26 de março, mobiliza docentes, técnicos e estudantes em torno de um debate que vai além de nomes: está em jogo o projeto institucional da universidade até 2030.
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Ecos de 2019 e o retorno de Biasotto
O processo eleitoral deste ano carrega memória recente. Um dos candidatos é Etienne Biasotto, que volta ao cenário após protagonizar um dos episódios mais controversos da história da universidade. Em 2019, ele venceu a consulta interna, mas não foi nomeado, em meio à intervenção federal que ignorou o resultado majoritário da comunidade acadêmica.
Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP) e atual pró-reitor de Graduação da UFGD, Biasotto forma chapa com Danielle Marques Vilela, doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais.
O retorno do nome que simbolizou a disputa entre vontade interna e decisão política externa tende a reacender discussões sobre autonomia universitária e respeito ao voto da comunidade.
Grupo ligado ao período de intervenção
A segunda chapa reúne nomes que integraram a administração central durante o período interventor. Gicelma Chacarosqui, candidata à Reitoria, é doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ao seu lado está Arquimedes Gasparotto Junior, doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), que chegou a ocupar o cargo de vice-reitor naquele contexto.
A chapa carrega o desafio de dialogar com um passado recente ainda sensível para parte da comunidade acadêmica, que associa o período à ruptura da escolha interna.
Tradição e peso histórico
A terceira candidatura é encabeçada por Marisa Lomba, doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ex-diretora da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD. Ela tem como vice Sidnei Azevedo, doutor em Agronomia pela própria UFGD e atual diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia.
Marisa carrega um vínculo histórico com a instituição. A Faculdade de Ciências Humanas, que ela dirigiu, comandou a Reitoria por 13 dos 20 anos de existência da universidade. Além disso, é casada com o professor Damião Duque de Farias, que esteve à frente da Reitoria por nove anos, somando dois mandatos consecutivos e um período ainda na fase de criação da universidade.
A chapa representa uma linha de continuidade administrativa e institucional, com forte presença histórica na condução da UFGD.
Debate nacional no pano de fundo
A eleição na UFGD ocorre em um momento de discussão nacional sobre o modelo de escolha de reitores nas universidades federais. Projeto de Lei aprovado recentemente na Câmara dos Deputados propõe o fim da lista tríplice, tornando obrigatória a nomeação do candidato mais votado na consulta interna.
A mudança, se confirmada, pode alterar de forma estrutural a dinâmica das eleições universitárias, reforçando o peso da decisão da comunidade acadêmica no desfecho do processo.
Enquanto o Congresso debate o futuro das regras, em Dourados a disputa já começou — com memória recente, grupos bem definidos e um eleitorado universitário atento ao que está em jogo: não apenas a escolha de um nome, mas o rumo político, acadêmico e administrativo da instituição pelos próximos quatro anos.


