ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, QUINTA  12    CAMPO GRANDE 26º

Política

Após intervenção de 2019, UFGD volta às urnas com três chapas

Comunidade acadêmica decide rumos da universidade enquanto Congresso discute nova regra para escolha de reitor

Por José Cândido | 12/02/2026 15:50
Após intervenção de 2019, UFGD volta às urnas com três chapas
Gicelma Chacarosqui, Marisa Loma e Etienne Biasotto, candidatos na UFGD (Foto divulgação).

A sucessão na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) começa a ganhar forma — e temperatura. Três chapas se inscreveram para a consulta prévia que vai definir a lista tríplice destinada à escolha da nova Reitoria. A homologação das candidaturas deve ser concluída até o dia 20 de fevereiro, quando a Comissão de Consulta Prévia publica oficialmente os nomes que entrarão na disputa.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) inicia seu processo sucessório com três chapas inscritas para a consulta prévia que definirá a lista tríplice para a nova Reitoria. A votação, marcada para 26 de março, envolverá docentes, técnicos e estudantes, definindo o projeto institucional até 2030. Entre os candidatos está Etienne Biasotto, que retorna após polêmica em 2019, quando venceu a consulta mas não foi nomeado durante intervenção federal. Também concorrem Gicelma Chacarosqui, que integrou a administração interventora, e Marisa Lomba, que representa continuidade administrativa com forte presença histórica na instituição.

A campanha começa em 23 de fevereiro. A votação, marcada para 26 de março, mobiliza docentes, técnicos e estudantes em torno de um debate que vai além de nomes: está em jogo o projeto institucional da universidade até 2030.

Ecos de 2019 e o retorno de Biasotto

O processo eleitoral deste ano carrega memória recente. Um dos candidatos é Etienne Biasotto, que volta ao cenário após protagonizar um dos episódios mais controversos da história da universidade. Em 2019, ele venceu a consulta interna, mas não foi nomeado, em meio à intervenção federal que ignorou o resultado majoritário da comunidade acadêmica.

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP) e atual pró-reitor de Graduação da UFGD, Biasotto forma chapa com Danielle Marques Vilela, doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais.

O retorno do nome que simbolizou a disputa entre vontade interna e decisão política externa tende a reacender discussões sobre autonomia universitária e respeito ao voto da comunidade.

Grupo ligado ao período de intervenção

A segunda chapa reúne nomes que integraram a administração central durante o período interventor. Gicelma Chacarosqui, candidata à Reitoria, é doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ao seu lado está Arquimedes Gasparotto Junior, doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), que chegou a ocupar o cargo de vice-reitor naquele contexto.

A chapa carrega o desafio de dialogar com um passado recente ainda sensível para parte da comunidade acadêmica, que associa o período à ruptura da escolha interna.

Tradição e peso histórico

A terceira candidatura é encabeçada por Marisa Lomba, doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ex-diretora da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD. Ela tem como vice Sidnei Azevedo, doutor em Agronomia pela própria UFGD e atual diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia.

Marisa carrega um vínculo histórico com a instituição. A Faculdade de Ciências Humanas, que ela dirigiu, comandou a Reitoria por 13 dos 20 anos de existência da universidade. Além disso, é casada com o professor Damião Duque de Farias, que esteve à frente da Reitoria por nove anos, somando dois mandatos consecutivos e um período ainda na fase de criação da universidade.

A chapa representa uma linha de continuidade administrativa e institucional, com forte presença histórica na condução da UFGD.

Debate nacional no pano de fundo

A eleição na UFGD ocorre em um momento de discussão nacional sobre o modelo de escolha de reitores nas universidades federais. Projeto de Lei aprovado recentemente na Câmara dos Deputados propõe o fim da lista tríplice, tornando obrigatória a nomeação do candidato mais votado na consulta interna.

A mudança, se confirmada, pode alterar de forma estrutural a dinâmica das eleições universitárias, reforçando o peso da decisão da comunidade acadêmica no desfecho do processo.

Enquanto o Congresso debate o futuro das regras, em Dourados a disputa já começou — com memória recente, grupos bem definidos e um eleitorado universitário atento ao que está em jogo: não apenas a escolha de um nome, mas o rumo político, acadêmico e administrativo da instituição pelos próximos quatro anos.