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Lado Rural

Armazém que desabou estava 80% cheio e caso expõe falta de silos em São Gabriel

Estrutura tinha capacidade para 42 mil toneladas; município tem déficit de 562,8 mil toneladas de armazenagem

Por Jhefferson Gamarra | 21/08/2026 18:16
Armazém que desabou estava 80% cheio e caso expõe falta de silos em São Gabriel
Estrutura que cedeu em uma unidade da Cooperoeste em São Gabriel do Oeste (Foto: Aprosoja)

Um dia após o desabamento de um armazém de grãos às margens da BR-163, em São Gabriel do Oeste, novos dados ajudam a dimensionar um dos principais gargalos enfrentados pelo agronegócio no município: a falta de capacidade para armazenar toda a produção de grãos.

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O desabamento de um armazém da Cooperoeste em São Gabriel do Oeste, no km 611,5 da BR-163, expôs o déficit de armazenagem do município, estimado em 562.831 toneladas, segundo o Projeto SIGA-MS. A estrutura sinistrada tinha capacidade para 42 mil toneladas e estava 80% ocupada. A produção local supera 1,1 milhão de toneladas anuais, enquanto a capacidade instalada é de 791.313 toneladas, gerando pressão logística e elevando custos para produtores rurais.

A estrutura que cedeu em uma unidade da Cooperoeste, no km 611,5 da rodovia, tinha capacidade para 42 mil toneladas e estava com cerca de 80% de ocupação no momento do acidente. A informação consta em dados repassados sobre a estrutura. Apesar dos danos, a cooperativa informou que não houve feridos com gravidade.

O caso ganha outra dimensão diante dos números de armazenagem do município. Levantamento do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundesm/Semadesc, aponta que São Gabriel do Oeste possui um déficit de 562.831 toneladas de capacidade de armazenagem.

A produção média dos últimos cinco anos é estimada em 533.907 toneladas de soja e 594.547 toneladas de milho, totalizando 1.128.453 toneladas. Com o acréscimo de 20% indicado pela FAO para estimar a demanda potencial de armazenagem, a necessidade chega a 1.354.144 toneladas.

A capacidade instalada, entretanto, é de 791.313 toneladas. A diferença entre a demanda estimada e a estrutura disponível resulta no déficit de 562.831 toneladas.

O município aparece entre os que têm os maiores déficits absolutos de armazenagem em Mato Grosso do Sul. São Gabriel do Oeste fica atrás de Maracaju, que tem déficit de 1,35 milhão de toneladas, Ponta Porã, com 1,23 milhão, e Rio Brilhante, com 665 mil toneladas.

Armazém estava parcialmente cheio - A estrutura que desabou tinha capacidade para 42 mil toneladas e, segundo os dados divulgados após o acidente, estava com 80% da capacidade ocupada. A quantidade exata de grãos que estava armazenada no momento do rompimento não foi informada.

As causas do acidente ainda serão investigadas por meio de perícias técnicas. Em nota, a Cooperoeste afirmou que a prioridade é garantir a segurança do local, avaliar as causas do rompimento e adotar as providências necessárias.

O desabamento ocorreu em meio a um cenário de expansão da capacidade de armazenagem no Estado. Segundo a Aprosoja/MS, Mato Grosso do Sul alcançou 16,39 milhões de toneladas de capacidade instalada em 2025, crescimento de aproximadamente 10,9% em relação ao ano anterior.

Mesmo com o aumento, a expansão da infraestrutura não acompanha de maneira uniforme o crescimento da produção em todas as regiões. Em municípios com forte produção de soja e milho, a diferença entre o volume colhido e a capacidade disponível continua sendo um problema para a cadeia produtiva.

Pressão durante a colheita - Para o produtor rural, a falta de espaço próximo às áreas de produção pode representar aumento dos custos logísticos e dificuldades no período de maior movimentação da safra.

O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, explica que a capacidade disponível influencia diretamente o transporte e a comercialização dos grãos.

“Para o produtor, a disponibilidade de espaço próximo às regiões produtoras pode influenciar diretamente a logística, os custos de transporte e as condições de comercialização da produção. Quando a capacidade não acompanha o volume produzido, aumenta a pressão sobre o sistema durante a colheita, período em que diferentes produtores precisam movimentar grandes volumes de grãos simultaneamente”, afirmou.

O gerente Institucional da Aprosoja/MS, Tauan Almeida, também aponta a necessidade de que a infraestrutura avance junto com a produção.

“O crescimento da produção precisa estar acompanhado de infraestrutura. A armazenagem é um dos pontos fundamentais para dar mais eficiência à cadeia produtiva, reduzir gargalos logísticos e ampliar as possibilidades de comercialização para o produtor”, disse.

Para o diretor da Aprosoja/MS e produtor rural de São Gabriel do Oeste, Sérgio Marcon, o município vem ampliando sua estrutura, mas ainda há espaço para novos investimentos.

“São Gabriel do Oeste é uma região que se destaca pela força da produção e pelos bons índices de produtividade. A capacidade de armazenagem também vem sendo ampliada, acompanhando esse crescimento. Ainda assim, os dados mostram que existe um déficit importante e que precisamos continuar avançando na infraestrutura para que a armazenagem acompanhe o potencial produtivo da região e ofereça mais segurança e eficiência para o produtor”, afirmou.