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Lado Rural

Braquiária brasileira eleva eficiência e muda cenário das pastagens

Integração com lavouras aumenta produtividade e ainda melhora qualidade do solo

Por José Cândido | 17/04/2026 08:57
Braquiária brasileira eleva eficiência e muda cenário das pastagens
Nova braquiária aumenta produção de forragem e melhora desempenho do gado no campo. (Foto: Allan Kardec Ramos)

A pecuária brasileira acaba de ganhar um reforço de peso, literalmente. Lançada nesta semana pela Embrapa em parceria com a Unipasto, a BRS Carinás chega ao campo como a primeira cultivar nacional de Brachiaria decumbens, trazendo a promessa de mais produtividade, resistência e eficiência para áreas de pastagem, especialmente no Cerrado.

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A Embrapa, em parceria com a Unipasto, lançou a BRS Carinás, primeira cultivar nacional de Brachiaria decumbens, que pode produzir até 16 toneladas de matéria seca por hectare e 40% mais forragem na seca em relação à tradicional Basilisk. A nova variedade tolera solos ácidos e pobres em fósforo, aumenta o ganho de peso do rebanho em 12% e se adapta a sistemas de integração lavoura-pecuária. As sementes chegam ao mercado no segundo semestre.

Desenvolvida para enfrentar um dos principais gargalos da pecuária, a baixa qualidade das pastagens em solos pobres, a nova cultivar impressiona pelos números: pode alcançar até 16 toneladas de matéria seca por hectare e apresenta alta produção de folhas, parte mais nutritiva da planta. Na prática, isso se traduz em mais alimento disponível para o gado e, consequentemente, maior ganho de peso por área.

Outro diferencial importante está na rusticidade. A BRS Carinás exige menos do solo, tolera acidez e baixos níveis de fósforo, características comuns em grande parte das áreas de pastagem do Brasil. Além disso, consegue suportar mais animais por hectare, aumentando a eficiência da produção sem a necessidade de ampliar áreas, um ponto-chave em tempos de pressão por sustentabilidade no campo .

A nova cultivar também se apresenta como alternativa à tradicional Basilisk, conhecida como “braquiarinha”, que por décadas dominou o mercado. E é justamente nesse ponto que os pesquisadores veem uma virada estratégica no campo. “É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como ‘braquiarinha’. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca”, destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS), Sanzio Barrios, responsável pelo desenvolvimento da nova cultivar .

Embora ainda amplamente utilizada, a variedade antiga enfrenta limitações, como baixa resistência a pragas e menor desempenho produtivo. Em comparação, a BRS Carinás produz até 18% mais forragem no período chuvoso e pode chegar a 40% a mais durante a seca, fase crítica para os pecuaristas.

Nos testes realizados, o desempenho animal também chamou atenção. O uso da nova cultivar permitiu elevar em cerca de 12% o ganho de peso por hectare, além de aumentar a lotação das pastagens. Em um cenário onde produzir mais com menos é regra, o avanço é significativo.

Outro ponto estratégico é a integração com lavouras. A BRS Carinás mostrou bom desempenho em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), sem prejudicar culturas como milho e soja. Pelo contrário: contribui para a formação de palhada, melhora a cobertura do solo e ainda ajuda na ciclagem de nutrientes, reduzindo custos com fertilizantes.

Na entressafra, a produtividade também surpreende. A cultivar pode produzir até 70% mais forragem do que espécies comumente usadas nesse sistema, garantindo alimento para o rebanho mesmo nos períodos mais críticos do ano. A rápida rebrotação e a facilidade de manejo, inclusive com herbicidas, completam o pacote de vantagens.

Apesar dos avanços, a nova cultivar ainda apresenta desafios, como baixa resistência a cigarrinhas — praga comum nas pastagens —, comportamento semelhante ao da Basilisk. Mesmo assim, a expectativa dos pesquisadores é de que a BRS Carinás ajude a diversificar e intensificar a produção pecuária em solos considerados limitantes, além de abrir caminho para uso em outros biomas e até em países da América Latina.

Com sementes previstas para chegar ao mercado já no segundo semestre, a BRS Carinás surge como uma aposta concreta para elevar a produtividade do campo sem avançar sobre novas áreas — um movimento cada vez mais necessário para alinhar produção e sustentabilidade.