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Lado Rural

Com fundo de R$ 150 milhões, MS cria polo de inovação para o agro

Iniciativa reunirá pesquisadores, produtores e investidores para testar e acelerar soluções voltadas ao campo

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 01/06/2026 08:34
Com fundo de R$ 150 milhões, MS cria polo de inovação para o agro
Evento da Vivaterra Ventures e Participações, gestora do projeto (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul ganhará um centro de inovação inédito voltado ao desenvolvimento de tecnologias para o agronegócio em meio à crise de rentabilidade e ao aumento do endividamento de parte dos produtores rurais.

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Mato Grosso do Sul terá um centro de inovação voltado ao agronegócio, o AgroValley MS, lançado nesta segunda-feira pela gestora Vivaterra Ventures em parceria com a UEMS. Com sede em Campo Grande e cerca de 1.000 m², o hub atuará em inteligência artificial, robótica e biotecnologia. Um fundo de investimentos pretende captar até R$ 150 milhões, com aporte mínimo de R$ 1 milhão por cotista e retorno estimado entre três e oito vezes o valor investido.

A iniciativa será apoiada por um fundo de investimento em participações, com meta de captar até R$ 150 milhões até o fim do ano. O projeto nasce para conectar universidades, produtores, investidores e empresas de tecnologia para desenvolver soluções aplicadas ao campo.

Com cerca de 1.000 m², o hub terá sede em Campo Grande e atuará em áreas como inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas, gestão de dados, biotecnologia, rastreabilidade e agricultura de baixo carbono. A previsão é que as atividades comecem ainda este ano.

Batizado de AgroValley MS, o polo científico e tecnológico será lançado nesta segunda-feira (1º) pela gestora de investimentos Vivaterra Ventures e Participações, em parceria com a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).

O modelo prevê investimentos em incubação e aceleração de startups em troca de participação acionária, com expectativa de retorno aos investidores por meio da valorização das empresas.

Segundo o CEO da Vivaterra, Rafael Viana Marques, o projeto prevê desenvolver soluções capazes de aumentar a eficiência da gestão e da produção nas propriedades rurais.

“Queremos desenvolver soluções que ajudem o produtor a administrar melhor a propriedade rural, utilizando tecnologia para aprimorar a tomada de decisões e aumentar a eficiência da produção”, disse ele ao Campo Grande News.

Para a UEMS, a parceria com a Agrovalley MS fortalece a conexão entre ensino, pesquisa e inovação, ampliando oportunidades para estudantes e pesquisadores da instituição e contribuindo para o desenvolvimento do ecossistema de inovação do estado.

Com fundo de R$ 150 milhões, MS cria polo de inovação para o agro
CEO da gestora de investimentos Vivaterra, Rafael Viana Marques, aponta necessidade de capital privado na inovação (Foto: Divulgação)

Parceiros adicionais 

Além da UEMS, o projeto conta com o apoio institucional do governo do Estado e da Fundação MS, entidade privada de pesquisa que reúne 240 produtores rurais e tem como mantenedoras a Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja) e o Sistema OCB/MS (Órgão de Representação do Cooperativismo). Segundo Marques, não haverá aporte de recursos públicos estaduais.

A proposta busca aproximar produtores, pesquisadores, startups e investidores para identificar demandas do campo, desenvolver tecnologias e validar soluções antes de sua adoção em larga escala.

A operação será dividida em três frentes: incubação de startups em estágio inicial, programas de validação de tecnologias no campo e aceleração comercial de empresas que já possuem receita e buscam expansão.

As primeiras startups avaliadas para integração ao ecossistema serão a Kerow Soluções de Precisão, de Mato Grosso do Sul, e a Carbon Vantage, de São Paulo. A Kerow desenvolve tecnologias de inteligência artificial e biometria facial para monitoramento e rastreamento de bovinos e suínos, entre outras tecnologias.

Já a Carbon Vantage atua no mercado de créditos de carbono com inteligência artificial, monitoramento por satélite e blockchain. A empresa mantém parceria com o Google para análise e mensuração dos créditos de carbono.

Captação do fundo

A captação do fundo começa nesta segunda-feira (1º), com um roadshow que deve se estender até o fim do ano. O objetivo é atrair investidores brasileiros e estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos e Canadá. O fundo já conta com investidores âncoras e possui recursos assegurados para iniciar as operações, segundo o investidor. O aporte mínimo por cotista será de R$ 1 milhão.

O fundo terá duração inicial de cinco anos, prorrogável por mais dois. A expectativa é proporcionar retorno entre três e oito vezes o valor investido, por meio da valorização de mercado das empresas selecionadas.

Para os idealizadores, a iniciativa busca ampliar os investimentos privados em ciência e tecnologia no agronegócio, principalmente no Centro-Oeste, diante dos desafios climáticos e geopolíticos. A expectativa é que tecnologias ligadas à rastreabilidade, inteligência artificial e créditos de carbono ganhem espaço com o avanço das exigências de sustentabilidade nos mercados internacionais.

Nesse cenário, o acordo entre Mercosul e União Europeia e a regulamentação do mercado de carbono são vistos como oportunidades estratégicas para acelerar a adoção dessas soluções e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Levantamento da consultoria Liga Ventures mostra que as agtechs brasileiras captaram cerca de R$ 1 bilhão em venture capital em 2024, distribuídos em 39 operações. Apesar da força do agronegócio regional, menos de 5% dessas startups estão no Centro-Oeste. São Paulo concentra 44%, segundo o Radar Agtech Brasil.