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Lado Rural

DNA acelera o leite: genômica encurta caminhos e dobra produtividade no rebanho

A redução do intervalo entre gerações impulsiona a produtividade e eleva o padrão genético dos rebanhos

Por Lucimar Couto | 14/04/2026 13:19
DNA acelera o leite: genômica encurta caminhos e dobra produtividade no rebanho
Marcos Vinicius da Silva, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, destaca o papel da genômica na aceleração do melhoramento genético dos rebanhos no Brasil. (Foto divulgação)

A pecuária leiteira brasileira está passando por uma transformação silenciosa e ela começa dentro das células dos animais. A avaliação genômica, baseada na análise do DNA, tem encurtado décadas de trabalho em poucos anos e redesenhado a lógica do melhoramento genético no campo.

RESUMO

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A avaliação genômica está transformando a pecuária leiteira brasileira ao reduzir de nove anos para a fase embrionária o tempo necessário para identificar animais superiores. O custo caiu de meio milhão de dólares para cerca de 160 reais por animal. No gado Gir leiteiro, o potencial genético para produção saltou de 230 kg em 2005 para 641 kg em 2025. O Brasil já exporta genética para 13 países, incluindo 3 mil embriões para a Índia.

As informações fazem parte de artigo do pesquisador da Embrapa Gado de Leite e doutor em genética e melhoramento, Marcos Vinicius da Silva, que detalha como a tecnologia vem mudando a seleção de animais no Brasil.

Antes, identificar um touro realmente superior era um processo longo, caro e incerto. Era preciso esperar o nascimento das filhas, acompanhar seu crescimento e só então medir a produção de leite, um ciclo que podia levar até nove anos. Hoje, com a genômica, essa resposta chega ainda na fase embrionária.

Tempo que vira dinheiro

A mudança impacta diretamente o bolso do produtor. Testes tradicionais de progênie podiam custar até meio milhão de dólares para identificar um único reprodutor de elite. Com a genotipagem, o custo cai para cerca de R$ 160 por animal, o que amplia o acesso à tecnologia.

Além disso, ao identificar precocemente animais com baixo potencial genético, o produtor evita gastos desnecessários. Criar uma vaca até a primeira lactação custa, em média, R$ 10 mil, valor que pode ser poupado com decisões mais rápidas e baseadas em dados.

Mais precisão, menos aposta

Outro avanço está na acurácia. A seleção, antes baseada em pedigree e características observáveis, passa a incorporar marcadores moleculares, tornando o processo mais confiável e antecipado.

Com isso, o intervalo entre gerações diminui e o ganho genético acelera, um salto que já aparece nos números.

O salto da produtividade

No gado Gir leiteiro, o potencial genético médio para produção de leite saiu de 230 kg, em 2005, para 380 kg em 2018. Com a genômica, o avanço ganhou velocidade: em 2025, chegou a 641 kg.

No campo, o impacto é direto: em 25 anos, a produção média mais que dobrou, passando de cerca de 2.700 kg para mais de 5.000 kg por animal, sendo que 31% desse crescimento é atribuído ao melhoramento genético.

Brasil exporta genética

O avanço também reposiciona o país no cenário internacional. Um dos marcos recentes foi a exportação de 3 mil embriões bovinos para a Índia, um movimento simbólico para um país que, há um século, importava genética daquele mercado.

Hoje, mais de 60 mil animais Gir leiteiro já foram genotipados no Brasil, com avaliações presentes em 13 países, principalmente na América Latina.

Base ainda é o campo

Apesar da evolução tecnológica, o próprio pesquisador destaca que a genômica não substitui o básico: a coleta de dados de campo segue essencial para alimentar os sistemas e garantir a evolução contínua da tecnologia.

Aliada à inseminação artificial, a genômica amplia o acesso à genética de qualidade e acelera os ganhos de produtividade em toda a cadeia.