El Niño com 92% de chance preocupa MS com risco ao agro e ao Pantanal
Cemtec prevê calor intenso, chuvas irregulares, veranicos e aumento de incêndios no segundo semestre

Modelos climáticos do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) indicam 92% de probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño em 2026, já a partir do trimestre junho-julho-agosto.
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O Cemtec aponta que a tendência é que o fenômeno comece a se estabelecer durante o inverno e se intensifique ao longo do segundo semestre do ano.
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Segundo as projeções do NOAA/CPC (Climate Prediction Center), a partir do trimestre julho-agosto-setembro aumenta a probabilidade de um El Niño fraco a moderado, enquanto entre setembro-outubro-novembro e outubro-novembro-dezembro cresce significativamente a chance de um evento forte ou até muito forte.
O centro aponta que, no Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante por causa da dimensão continental do país. Em geral, no Sudeste e Centro-Oeste, podem ocorrer períodos de calor mais intenso, irregularidade das chuvas e veranicos.
Especificamente em Mato Grosso do Sul, o Cemtec ressalta tendência de chuvas irregulares e temperaturas próximas ou acima da média, com potencial de ondas de calor mais frequentes e intensas, especialmente entre a primavera e o início do verão.
Os principais impactos no Estado podem incluir:
- aumento dos períodos quentes;
- maior evaporação e perda de umidade do solo;
- irregularidade na distribuição das chuvas;
- possibilidade de veranicos durante a estação chuvosa;
- pressão sobre recursos hídricos e setor energético;
- aumento do risco de incêndios florestais.
O centro destaca que os efeitos do fenômeno devem ficar mais perceptíveis principalmente a partir do fim do inverno e durante a primavera de 2026, período em que os modelos indicam fortalecimento do fenômeno.
“Na agropecuária, os impactos podem ser importantes. A irregularidade das chuvas e o excesso de calor podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras, afetar a produtividade, aumentar o estresse hídrico das plantas e elevar os custos de irrigação. Na pecuária, temperaturas elevadas e baixa disponibilidade hídrica podem provocar estresse térmico nos animais, redução do ganho de peso e piora das condições das pastagens”.
Em relação ao Pantanal, o centro projeta que a combinação entre temperaturas acima da média, baixa umidade e períodos secos mais prolongados pode favorecer o aumento do risco de queimadas, principalmente se houver redução das chuvas na transição para a primavera. “O El Niño não é o único fator responsável pelos incêndios, mas pode criar condições mais favoráveis para a propagação do fogo”.
O Cemtec diz que já vem monitorando continuamente os modelos climáticos e elaborando boletins técnicos sobre as tendências e possíveis impactos. Segundo o órgão, as informações estão sendo compartilhadas com órgãos do Governo do Estado, Defesa Civil e com o setor agropecuário, para apoiar medidas de preparação e resposta diante dos possíveis efeitos climáticos previstos para o segundo semestre do ano.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração influencia o clima em várias partes do mundo, mudando os padrões de chuva e temperatura. No Brasil, pode causar calor mais intenso, períodos de seca, chuvas irregulares e aumento de eventos climáticos extremos. O fenômeno ocorre de tempos em tempos e pode variar entre intensidade fraca, moderada ou forte.

