ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
ABRIL, SEXTA  19    CAMPO GRANDE 26º

Lado Rural

Etanol de sorgo deve abrir forte demanda pela produção do cereal

Indústrias no Centro-Oeste começam a usar a matéria-prima na produção do biocombustível e outros produtos

Por José Roberto dos Santos | 28/02/2024 08:58
Sorgo granífero: solução para ampliação da margem de lucro na produção sustentável do etanol. (Fotos: Divulgação/Ariosto Mesquita)
Sorgo granífero: solução para ampliação da margem de lucro na produção sustentável do etanol. (Fotos: Divulgação/Ariosto Mesquita)

O investimento de R$ 2 bilhões do Grupo Inpasa em sua nova indústria em Sidrolândia (MS) e o anúncio de que estará recebendo sorgo granífero para a fabricação de etanol a partir do segundo semestre deste ano, são algumas das iniciativas que“abrem nova perspectiva, consolida o avanço da cultura no Brasil e amplia o mercado para o produtor de cereais no País”. A avaliação é do empresário e executivo Willian Sawa, uma das lideranças do Movimento + Sorgo no Brasil.

“Nos últimos anos a demanda por sorgo já ocorre de forma crescente e deve ganhar nova proporção a partir desta nova tendência, que introduz o conceito de ‘etanol de cereais’ e não somente de ‘etanol de milho’ em sua estrutura industrial. Ganha o produtor que agora terá mais um motivo para investir na lavoura graças a um novo e forte canal para o escoamento de sua produção”, avalia o especialista, CEO da Latina Seeds.

Em 2023, o IBGE considerou o sorgo granífero como a atividade agrícola (grãos) que mais avançou, em comparação a 2022. No início do segundo semestre (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola - junho/2023), isso significava um aumento de 22,3% na área plantada e de uma produção 34% superior. Segundo os dados, a área plantada com o sorgo aumentou de 1.030.866 (2022) para 1.260.355 hectares (2023). Já a produção disparou de 2.850.368 para 3.818.734 toneladas no mesmo período.

No final de 2023 a Inpasa anunciou que passará a receber sorgo em suas unidades de Dourados (a partir de julho/2024) e Sidrolândia (novembro/2024) e abriu canal de contato para o produtor começar a negociar sua safra.

Cereal vira energia limpa

A Inpasa se coloca hoje no mercado como a maior transformadora de cereais em energias limpas e renováveis da América Latina. Com um investimento estimado em mais de R$ 2 bilhões em sua nova unidade (que deve entrar em funcionamento até o final do ano), em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul (60 km da capital, Campo Grande), há previsão da geração de mais de 2 mil empregos na etapa de obras, além de 350 novos postos de trabalho efetivos, a partir do funcionamento da planta, no segundo semestre de 2024. A unidade também contará com um Posto de Combustíveis e um centro de serviços, totalizando 110 empregos diretos e cerca de 60 indiretos.

Willian Sawa: “ganha o produtor que agora terá mais um motivo para investir na lavoura.”
Willian Sawa: “ganha o produtor que agora terá mais um motivo para investir na lavoura.”

Mas não é apenas a Inpasa que segue este caminho. Sawa cita também um exemplo que vem do Nordeste. “A Cooperativa Pindorama, em Alagoas, iniciou em dezembro passado a fase de testes de produção de etanol a partir do sorgo, que agora passa a compor o rol de matérias-primas da indústria junto com o milho e a cana. É uma decisão estratégica, uma vez que se ganha alternativa importante para ampliação da margem de lucro na produção do combustível e de coprodutos, como o DDG para alimentação animal, sempre que o uso do milho esteja comprometido ou economicamente inviável”, conta.

Cultivo, uso e consumo

O sorgo é considerado uma cultura de fácil adaptação e com possibilidade de altas produtividades, podendo ser utilizado tanto na alimentação animal quanto na humana. Segundo a Embrapa, o cereal está entre os cinco mais produzidos no mundo, ficando atrás do trigo, arroz, milho e cevada. Além disso, apresenta um alto valor nutricional em ferro, proteínas, zinco, fibras e vitamina D.

O “Movimento + Sorgo” é uma articulação público-privada que visa estimular o cultivo, a diversificação de uso e consumo sustentáveis do cereal nos mais variados segmentos agropecuários e agroindustriais. Estruturada no âmbito da Embrapa (unidade Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, MG) em parceria com a Latina Seeds, a iniciativa está em processo de institucionalização para adesão de novas empresas e organizações interessadas em apostar no crescimento e fortalecimento da cultura.

* Colaborou Ariosto Mesquita, de Campo Grande, MS

Nos siga no Google Notícias