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Cidades

Receita prevê circulação de até 2 mil caminhões por dia na Rota Bioceânica

Após expedição de 11 dias, órgão mapeia necessidades de reforço na fiscalização do corredor

Por Ketlen Gomes e Izabela Cavalcanti | 01/07/2026 13:32
Receita prevê circulação de até 2 mil caminhões por dia na Rota Bioceânica
Obra da ponte entre Brasil e Paraguai, em trecho da Rota Bioceânica. (Foto: Toninho Ruiz)

A Receita Federal estima que a Rota Bioceânica terá fluxo de até 2 mil caminhões por dia quando estiver em pleno funcionamento. A estimativa foi apresentada nesta quarta-feira (1º), com o diagnóstico estratégico para evitar que o corredor logístico seja utilizado por organizações criminosas. O estudo foi elaborado após uma expedição de 11 dias entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

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A Receita Federal estima fluxo de até 2 mil caminhões diários na Rota Bioceânica. Após expedição de 11 dias pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o órgão apresentou diagnóstico para evitar uso do corredor por organizações criminosas. O plano inclui cooperação entre países e harmonização aduaneira. No Paraguai, 237 km ainda estão em obras. A rota pode reduzir em 17 dias o transporte entre o Centro-Oeste e mercados asiáticos.

Segundo o auditor-fiscal da Receita Federal e superintendente-adjunto da 1ª Região Fiscal, Erivelton Alencar, a missão percorreu os principais pontos de controle aduaneiro do trajeto para identificar gargalos de infraestrutura, necessidades operacionais e riscos à segurança.

"Ao mesmo tempo que o corredor bioceânico vai facilitar o comércio nacional do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Chile, ele também traz um risco que nós todos sabemos que é o crime organizado utilizar esse corredor bioceânico para cometer ilícito. Mas todos estão cientes disso, trabalhando para que de fato as oportunidades sejam muito maiores do que os riscos", afirmou.

O grupo saiu de Campo Grande no dia 30 de maio e retornou em 8 de junho. O trajeto passou por Porto Murtinho, Carmelo Peralta, Mariscal Estigarribia, Pozo Hondo, Misión La Paz, Tartagal, Paso de Jama e seguiu até os portos de Iquique e Antofagasta, no Chile. Ao todo, oito servidores participaram da missão.

Durante o percurso, a Receita identificou que o principal trecho ainda pendente de obras fica no Paraguai. São 237 quilômetros em construção, sendo mais da metade em estágio avançado.

Receita prevê circulação de até 2 mil caminhões por dia na Rota Bioceânica
Receita Federal apresenta estudo feito sobre a Rota Bioceânica, na Capital. (Foto: Juliano Almeida)

"De fato a rota está sendo implementada. Há necessidade de algumas melhorias em relação à infraestrutura rodoviária. No Brasil, algumas melhorias muito pontuais. No Paraguai ainda tem um trecho de 237 quilômetros que está em construção. Mais de 50% já em estágio avançado e os outros 50% ainda em intermediário e avançado. Estimamos que mais um ano essa estrada de 237 quilômetros esteja finalizada", explicou Alencar.

Segundo ele, a equipe conversou com autoridades aduaneiras e migratórias em diversos postos de fronteira para entender como cada país está se preparando para o aumento do fluxo de cargas.

"Nós paramos em vários pontos de fronteira, paramos em Carmelo Peralta, paramos em Mariscal, que é no interior do Paraguai, paramos em Pozo Hondo, que é na fronteira com a Argentina, paramos também em Misión La Paz. Conversamos com todos os aduaneiros e funcionários da migração e depois seguimos para Tartagal e São Salvador de Jujuy, onde fica a administração regional responsável pelo controle aduaneiro daquela região", detalhou.

Além do diagnóstico de segurança, a Receita apresentou um plano de ação baseado em três eixos: cooperação institucional entre os países, harmonização dos procedimentos operacionais e implantação de aduanas integradas.

O estudo também aponta que a Rota Bioceânica poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de cargas entre o Centro-Oeste brasileiro e os mercados asiáticos por meio dos portos chilenos.

Durante a expedição, a equipe percorreu cerca de 440 quilômetros entre Campo Grande e Porto Murtinho e identificou um processo de desenvolvimento da cidade, impulsionado pelas obras do corredor logístico, com instalação de hotéis, postos de combustíveis e novos empreendimentos. O trecho também apresentou pontos com obras intensas e desafios de infraestrutura.

O ponto mais desafiador da viagem foi a travessia da região de Calama, no Chile, onde a equipe alcançou 4.713 metros de altitude para avaliar as condições da rota e dos postos de fiscalização.

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