Milho bate recorde, algodão avança e mandioca coloca MS entre maiores do país
Pesquisa mostra crescimento da produção de grãos em 2025, mas feijão registra terceira queda consecutiva
A agricultura de Mato Grosso do Sul teve resultados distintos entre as principais culturas em 2025. Enquanto o milho alcançou a maior produção da série histórica, o algodão avançou em volume produzido e a mandioca colocou o Estado na quarta posição nacional, a produção de feijão voltou a cair e registrou o terceiro recuo consecutivo.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A agricultura de Mato Grosso do Sul registrou resultados expressivos em 2025, com crescimento de 43,6% na produção de grãos e valor agrícola de R$ 47,8 bilhões, segundo a PAM do IBGE. O milho bateu recorde histórico com 13,93 milhões de toneladas, alta de 76,8%. O algodão cresceu 11,5% e a mandioca atingiu 1,5 milhão de toneladas. Em contrapartida, o feijão registrou terceira queda consecutiva, recuando 3,9%.
Os números fazem parte da PAM (Pesquisa Agrícola Municipal) 2025, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (17). No conjunto, a produção de grãos sul-mato-grossense cresceu 43,6% e ajudou a elevar o valor da produção agrícola estadual para R$ 47,8 bilhões, contra R$ 35,7 bilhões em 2024.
- Leia Também
- MS cresce na produção de cana e coloca Nova Alvorada do Sul no 2º lugar nacional
- MS é 5º na produção de soja do Brasil e Maracaju retoma liderança estadual
O principal destaque entre as culturas que não a soja e a cana é o milho. Mato Grosso do Sul produziu 13,93 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 76,8% em relação às 7,88 milhões de toneladas registradas em 2024.
O resultado representa um recorde desde o início da série histórica, em 1979. A expansão da produção ocorreu mesmo com um aumento mais moderado da área. A área plantada cresceu 2,39%, enquanto a área colhida aumentou 3,35%.
O milho ocupa 29,8% da área total destinada à colheita em Mato Grosso do Sul, ficando atrás apenas da soja, que representa 55,9%. Com a produção de 2025, o Estado manteve a quarta posição entre os maiores produtores de milho do país.
Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 54,29 milhões de toneladas, seguido por Paraná, com 20,41 milhões, e Goiás, com 15,94 milhões. Minas Gerais aparece na quinta posição, com 7,13 milhões de toneladas.
A força do milho também aparece nos municípios. Quatro cidades de Mato Grosso do Sul ficaram entre os 25 maiores produtores do país em 2025. Maracaju ocupou a sétima colocação nacional, com 1,83 milhão de toneladas. Sidrolândia ficou em 16º, com 1,25 milhão de toneladas; Ponta Porã apareceu em 21º, com 1,14 milhão; e Dourados ficou na 24ª posição, com 1,08 milhão de toneladas.
No algodão, Mato Grosso do Sul produziu 167.720 toneladas em 2025, aumento de 11,5% sobre as 150.491 toneladas do ano anterior. Com esse volume, o Estado ocupou a quarta posição entre os maiores produtores de algodão herbáceo do país.
O crescimento da produção ocorreu apesar da redução da área plantada. Foram 31.851 hectares destinados ao algodão em 2025, queda de 1,3% em relação aos 32.284 hectares de 2024.
Mesmo com o avanço de 11,5% no volume produzido, Mato Grosso do Sul perdeu uma posição no ranking nacional em relação ao ano anterior, quando aparecia na terceira colocação.
Costa Rica foi o município sul-mato-grossense com maior produção de algodão, com 102.144 toneladas. Chapadão do Sul ficou em segundo, com 47.148 toneladas. Na sequência aparecem Campo Grande, com 6.848 toneladas; Alcinópolis, com 3.420; e Maracaju, com 2.295 toneladas.
Outro destaque foi a mandioca. Mato Grosso do Sul alcançou 1,5 milhão de toneladas produzidas em 2025 e manteve a quarta posição entre os maiores produtores do país.
O volume representa crescimento de aproximadamente 18,1% em relação a 2024, quando o Estado havia produzido 1,27 milhão de toneladas. A área colhida também aumentou, passando de 55.555 hectares em 2024 para 62.546 hectares em 2025, alta de 12,6%.
Itaquiraí liderou a produção estadual de mandioca, com 252 mil toneladas. Iguatemi produziu 186,3 mil toneladas, seguido por Japorã, com 165 mil; Tacuru, com 100.150; e Ivinhema, com 80 mil toneladas.
Na direção oposta, o feijão registrou queda pelo terceiro ano consecutivo. A produção estadual foi de 12.143 toneladas em 2025, recuo de 3,9% em relação às 12.633 toneladas de 2024. Na comparação com 2022, quando foram produzidas 18.183 toneladas, a redução chega a 33,2%.
A retração também ocorreu na área destinada à cultura. O plantio passou de 16.374 hectares em 2024 para 8.606 hectares em 2025, queda de 47,4%. A área colhida caiu de 14.813 hectares para 8.558 hectares no mesmo período, recuo de 42,2%.
Bonito foi o maior produtor estadual de feijão em 2025, com 2.260 toneladas. O município, porém, também apresentou redução na comparação anual: produziu 44,1% menos que em 2024, quando havia registrado 4.040 toneladas. Selvíria ficou em segundo lugar, com 1.837 toneladas, seguida por Rio Brilhante, com 1.327; Aral Moreira, com 1.042; e Chapadão do Sul, com 1.030 toneladas.
Os resultados fazem parte de um cenário de recuperação da agricultura de Mato Grosso do Sul em 2025. Segundo o IBGE, o Estado teve aumento de 5,3% na área plantada ou destinada à colheita, que chegou a 7,6 milhões de hectares.
Entre os produtos que mais ampliaram a área estão amendoim, com alta de 117%; aveia, 81,5%; sorgo, 56,5%; girassol, 49,4%; mandioca, 12,6%; cana-de-açúcar, 7,6%; e soja, 5,5%. Já feijão, trigo, tomate e algodão herbáceo tiveram redução de área.
O IBGE relaciona parte importante da recuperação ao comportamento climático. Em 2024, Mato Grosso do Sul foi afetado pelo El Niño, com baixa incidência de chuvas que prejudicou culturas como soja e milho. A estiagem atrasou o plantio e afetou especialmente o milho de segunda safra. Em 2025, os números mostram recuperação da produção agrícola estadual.


