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Lado Rural

Tecnologia permite operar colheitadeira a 350 km de distância em MS

Projeto da Suzano já colheu 12 mil árvores e mantém operador no comando da máquina fora da área de trabalho

Por Inara Silva | 08/09/2026 15:13


Uma máquina de colheita florestal comandada a até 350 quilômetros de distância foi usada para cortar 12 mil árvores em Mato Grosso do Sul. A experiência integra projeto de teleoperação desenvolvido pela Suzano em parceria com a Komatsu e a S4E Tech e, segundo as empresas, é a primeira operação de uma máquina Harvester teleoperada em ambiente operacional do setor florestal brasileiro.

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Uma máquina de colheita florestal foi operada a até 350 quilômetros de distância para cortar 12 mil árvores em Mato Grosso do Sul, em projeto da Suzano com Komatsu e S4E Tech, considerado a primeira operação de uma Harvester teleoperada em ambiente real no setor florestal brasileiro. A tecnologia usa conexão por satélite, reduz deslocamentos e pode ampliar a inclusão de profissionais, incluindo pessoas com deficiência.

Os comandos partiram da torre de controle florestal da unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo, a 98 km de Campo Grande. Em vez de permanecer na cabine do equipamento, o profissional trabalha em uma estação remota, que reproduz os controles da máquina e recebe imagens em tempo real por meio de câmeras.

Segundo a empresa, a primeira etapa começou em abril e envolveu uma harvester, responsável pela colheita, e uma grua utilizada no carregamento de madeira. A área trabalhada pela colheitadeira equivale a aproximadamente 12 campos de futebol.

Apesar da operação a distância, a máquina não é autônoma. Os movimentos continuam sob responsabilidade do operador. Sete profissionais foram capacitados para os testes, cinco na colheita, entre eles duas mulheres, e dois no carregamento logístico.

Uma das participantes, a operadora de máquinas florestais Beatriz Carolina Gonçalves, conta que imaginava encontrar algo semelhante a um controle remoto, mas se deparou com um cockpit que reproduz as condições da máquina. “Foi um desafio operar a quilômetros de distância usando as câmeras como base, mas também foi uma experiência muito gratificante”, relata.

Menos tempo na estrada - Um dos efeitos avaliados é a redução dos deslocamentos. Atualmente, segundo a Suzano, um operador pode gastar cerca de duas horas no trajeto até a frente de colheita. “Essa solução pode melhorar muito o dia a dia dos operadores, porque reduz o tempo gasto no caminho até as fazendas e permite estar mais perto da família”, afirma Beatriz.

A mudança também pode ampliar o perfil dos profissionais aptos à atividade. Segundo Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, os testes indicam possibilidade de inclusão de outros públicos, inclusive pessoas com deficiência.

Tecnologia permite operar colheitadeira a 350 km de distância em MS
A operadora de máquinas florestais Beatriz Carolina Gonçalves durante a colheita remota (Foto: Divulgação)

Conexão por satélite - Um dos principais desafios foi manter a comunicação com equipamentos que trabalham em áreas sem infraestrutura de telecomunicações e mudam de localização conforme a colheita avança. A conexão entre a torre e a máquina é feita por satélite. O sistema possui mecanismos de segurança que interrompem automaticamente o equipamento se houver perda de comunicação ou alguma condição anormal.

A teleoperação, no entanto, ainda alcança uma parcela pequena da estrutura da companhia no Estado. Mais de mil operadores trabalham na colheita e no carregamento de madeira em Mato Grosso do Sul, onde são colhidos 19 milhões de metros cúbicos por ano em cerca de 100 mil hectares. Atualmente, duas máquinas participam do projeto.

Próxima fase - A busca por tecnologias adaptáveis à operação florestal começou em 2024. No ano seguinte, a S4E Tech realizou uma visita técnica a Mato Grosso do Sul para mapear os desafios e, em abril de 2026, as duas máquinas começaram a ser comandadas a distância.

A primeira fase avaliou a segurança, possíveis limitações relacionadas à distância entre operador e equipamento e ajustes necessários. Nos próximos meses, o projeto deverá entrar na fase piloto, incorporando as melhorias identificadas e com previsão de escalonamento gradual. Segundo as empresas envolvidas, projetos de colheita florestal teleoperada também são desenvolvidos em países como Suécia, Finlândia, Nova Zelândia, Canadá e Japão, ainda em fases de pesquisa, protótipo ou demonstração.

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