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Meio Ambiente

Após 6 meses de protesto e revolta, mau cheiro continua no Indubrasil

Por Viviane Oliveira | 29/10/2013 10:33
Delfin tem uma mercearia no bairro e como a
maioria dos moradores na região, reclama do mau cheiro. (Foto: Marcos Ermínio)
Delfin tem uma mercearia no bairro e como a maioria dos moradores na região, reclama do mau cheiro. (Foto: Marcos Ermínio)

Após seis meses de protesto contra o forte odor na região, o mau cheiro continua no Distrito Industrial de Campo Grande, o Indubrasil, na saída para Aquidauana. Revoltados com a situação, os moradores querem saber quando o problema, que existe há anos, será resolvido de vez.

O bairro é um polo industrial, que abriga várias indústrias, como por exemplo de curtume, mas por outro lado também tem residências, escolas e comércios. “Não somos obrigados a conviver com esse mau cheiro para o resto da vida, o poder público tem que fazer alguma coisa”, diz Samuel Cabral Ferreira, 43 anos, que mora há mais de 10 anos no bairro.

Samuel conta que quando se mudou para o local já existia o curtume Qually Peles, apontado como principal responsável pelo mau cheiro na região, mas que no decorrer dos anos o problema foi se agravando mais. “Durante o dia o mau cheiro não incomoda tanto, mas no final da tarde e durante a noite fica insuportável”, reclama, acrescentando que o cheiro fica impregnado até dentro de casa.

Proprietário de uma mercearia na Rua Roda Velha, Delfin Cabreira, 77 anos, conta que desde que mudou para o local, há 12 anos, respira o mau cheiro do curtume. “Sempre foi assim, não é porque aqui é um núcleo industrial, que temos que conviver com isso para sempre”, lamenta.

Curtume Qually Peles, apontado como principal responsável pelo mau cheiro na região. (Foto: Marcos Ermínio)
Curtume Qually Peles, apontado como principal responsável pelo mau cheiro na região. (Foto: Marcos Ermínio)

Os moradores reclamam que o mau cheiro, também, impede o desenvolvimento do bairro e região. “O odor é muito forte, às vezes chega a ser insuportável”, destaca Rafael Jersen, 18, que mora na Rua Araguaçu.

No bairro não tem um morador que não reclame da situação, tem uns que sentem até mal estar e dor de cabeça. “O duro que não tem para onde correr, dependendo pra que lado está o vento, a coisa fica pior ainda”, relata Rafael.

Além do mau cheiro, a indústria também é acusada de jogar os dejetos no córrego Imbirussu. “Nós sabemos que moramos no núcleo industrial, mas deve ter um jeito, para amenizar esse odor que só prejudica a saúde e o bem estar de quem mora aqui”, finaliza Delfin.

Protesto - Depois de quase duas semanas do protesto feito pelos moradores, no dia 24 de abril deste ano, a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) interditou o curtume Qually Peles por cinco dias. Segundo órgão, a interdição ocorreu em decorrência do mau cheiro e falta de licenças ambientais para funcionar.

Em 2012, a juíza federal Adriana Delboni Taricco suspendeu as multas aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos Renováveis) ao curtume Qually Peles. O curtume foi multado por três vezes e o valor chegou a R$ 52 milhões.

O Ibama afirmou que o curtume já havia sido multado por lançamento de resíduos de elevado teor poluente em estado bruto no córrego no dia 15 de fevereiro do ano passado, quando operava sem licença ambiental e teve o empreendimento embargado. Desobedecendo a determinação do órgão federal, a empresa recebeu nova multa por continuar em plena operação.

No entanto, a Qually Peles recorreu com argumento de ter firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Estadual, e não havia a razão para a autuação.

De acordo com a Semadur, o curtume  está providenciando o processo de adequação do sistema de controle ambiental e por enquanto funciona conforme uma liminar da justiça.

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