Migração também impulsiona crescimento populacional em cidades estratégicas
Caso mais emblemático é Três Lagoas, que concentrou milhares de novos moradores no período intercensitário
Além do peso proporcional dos migrantes na composição da população, os dados do Censo 2022 mostram que a migração interna foi decisiva para o crescimento populacional absoluto de vários municípios de Mato Grosso do Sul nos últimos anos.
RESUMO
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A migração interna tem sido determinante para o crescimento populacional de municípios estratégicos em Mato Grosso do Sul, especialmente aqueles ligados à indústria, agronegócio, energia e logística. Três Lagoas destaca-se como caso emblemático, atraindo milhares de novos moradores devido à expansão do setor industrial e fortalecimento da cadeia logística. Enquanto Campo Grande mantém crescimento moderado, cidades como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Costa Rica e Chapadão do Sul registram aumento populacional consistente. Este cenário traz desafios para a infraestrutura local, pressionando serviços públicos essenciais como educação, saúde e moradia, especialmente em municípios menores.
Enquanto parte das cidades brasileiras perdeu moradores para outros centros, municípios sul-mato-grossenses ligados à indústria, agronegócio, energia e logística avançaram em número de habitantes justamente por atraírem trabalhadores e famílias de fora.
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O caso mais emblemático é Três Lagoas, que concentrou milhares de novos moradores no período intercensitário. O crescimento está diretamente associado à expansão do setor industrial, especialmente da celulose, além do fortalecimento da cadeia logística e de serviços. Diferentemente de cidades pequenas, ali o impacto aparece menos no percentual e mais no volume de pessoas que chegaram.
Outros municípios como Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Costa Rica e Chapadão do Sul também registraram aumento populacional consistente, impulsionado por novos empreendimentos, obras estruturantes e pela geração de empregos formais e temporários.
Em cidades menores, o crescimento absoluto pode parecer discreto em números brutos, mas o efeito prático é intenso. A chegada de algumas centenas ou poucos milhares de novos moradores já é suficiente para pressionar escolas, postos de saúde, moradia e mobilidade urbana — especialmente onde a infraestrutura cresceu em ritmo mais lento que a população.
Capital cresce menos, mas segue como polo
Campo Grande manteve crescimento populacional, mas em ritmo mais moderado e com fluxo migratório mais equilibrado entre entradas e saídas. A Capital continua sendo polo regional de serviços, educação e saúde, mas já não exerce o mesmo poder de atração migratória observado em décadas passadas.
O cenário reforça uma mudança estrutural: a migração deixou de ser um fenômeno concentrado nas capitais e passou a se distribuir por cidades médias e polos regionais, mais próximos das oportunidades de trabalho.
Crescer não é só ganhar habitantes
Especialistas alertam que o crescimento populacional puxado pela migração traz desafios que vão além da economia. Planejamento urbano, habitação, saneamento, transporte e oferta de serviços públicos passam a ser decisivos para que o crescimento não se transforme em gargalo social.
Em Mato Grosso do Sul, o avanço populacional em municípios estratégicos expõe um dilema: o Estado cresce para fora da Capital, mas nem sempre com a mesma velocidade na expansão da infraestrutura.


