Agro e celulose puxam demanda por ônibus adaptados a estradas rurais
Setor florestal chegou a 24,4 mil trabalhadores em MS e mantém operações distantes das áreas urbanas

O crescimento da indústria de celulose e de outras atividades agroindustriais instaladas longe dos centros urbanos abriu um novo campo para o transporte de trabalhadores em Mato Grosso do Sul. De olho nesse mercado, Marcopolo e Mercedes-Benz escolheram Campo Grande para lançar nacionalmente um ônibus desenvolvido para circular por estradas rurais, acessos industriais e terrenos irregulares.
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Marcopolo e Mercedes-Benz lançaram em Campo Grande o Agro Tech Bus Ideale 800, ônibus desenvolvido para transporte de trabalhadores em estradas rurais e acessos industriais. A escolha do estado reflete o crescimento do setor de celulose, que passou de 7 mil para 24 mil empregos entre 2010 e 2025. Só em 2026, a indústria abriu 10.125 vagas formais em Mato Grosso do Sul, respondendo por 53% do saldo de empregos estadual.
O Agro Tech Bus Ideale 800 será apresentado na quarta-feira (16), durante evento para empresários e representantes dos setores de fretamento, turismo, transporte rodoviário e indústria. Segundo as fabricantes, o modelo foi desenvolvido para transportar funcionários até fazendas, áreas de florestas plantadas, indústrias e outras operações fora do ambiente urbano.
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A aposta ocorre no momento em que a cadeia da celulose amplia sua participação na economia sul-mato-grossense. Segundo a Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), o número de trabalhadores do setor passou de 7.004, em 2010, para 24.430 em 2025, crescimento de 249%.
No mesmo período, a receita obtida pelo Estado com as exportações de celulose saltou de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões. O volume embarcado aumentou de 857,8 mil toneladas para 6,91 milhões de toneladas.
O avanço também aparece no valor bruto da produção, que passou de R$ 1,63 bilhão, em 2010, para R$ 20,4 bilhões em 2024. A alta acumulada foi de 1.148%.
“A celulose é uma nova locomotiva. Pelo volume de investimentos, pelo rápido crescimento e pela participação na atividade econômica e industrial do Estado, ela se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação do Mato Grosso do Sul”, afirma o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende.
A cadeia é formada por fábricas e extensas áreas de florestas plantadas, muitas delas afastadas das cidades. Esse modelo exige o deslocamento diário de trabalhadores por estradas sem pavimentação e acessos submetidos a poeira, lama, desníveis e outras condições diferentes das encontradas no transporte urbano convencional.
Foi nesse cenário que as fabricantes identificaram espaço para o novo ônibus. Conforme o material de divulgação, o projeto levou quatro anos e reuniu carroceria da Marcopolo e chassi da Mercedes-Benz. O desenvolvimento também conta com a participação das empresas Spheros, Orbe e Optibelt, além da Enzo Caminhões e Ônibus, de Dourados.
Representante da Marcopolo em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Rondônia, Judson da Silva Arante afirma que o projeto foi elaborado a partir de relatos de empresas e trabalhadores que enfrentam trajetos considerados severos.
“Quando falamos desse projeto, não estamos falando simplesmente de um novo ônibus. Estamos falando das pessoas que deixam suas casas todos os dias para chegar aos seus postos de trabalho. Pensamos em como oferecer a elas mais segurança, conforto e tecnologia mesmo em operações onde as condições são extremamente exigentes”, declarou.
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