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Meio Ambiente

Criador de jacarés é réu por corrupção em ação que corre desde 1992

Por Marta Ferreira | 22/08/2011 18:00

Gerson Zahdi, funcionário do Ibama, foi preso na semana passada acusado de criar jacarés sem autorização

Gerson Zahdi. Antes de criar jacarés, foi envolvido em escândalo envolvendo madeireiras. (Foto: site Bonito Pantanal)
Gerson Zahdi. Antes de criar jacarés, foi envolvido em escândalo envolvendo madeireiras. (Foto: site Bonito Pantanal)

Alvo de inquérito aberto na semana passada pela Polícia Federal para apurar crime ambiental envolvendo a criação de jacarés que mantém há mais de 15 anos, o funcionário do Ibama em Mato Grosso do Sul Gerzon Bueno Zahdi, de 64 anos, é réu em processo que corre desde 1992, sob acusação de corrupção passiva, uso de documento falso e falsidade ideológica. Ele chegou a ser condenado a 4 anos de reclusão, mas conseguiu ser absolvido de parte da acusação.

A outra parte da acusação ainda corre na Justiça. A ação penal envolve a acusação de que Zahdi, quando era superintendente-substituto do Ibama, no início da década de 1990, recebeu uma carga de madeira nobre (aroeira) para beneficiar dois donos de madeireira, por meio da legalização fraudulenta do material.

Zahdi é acusado no processo de ter fornecido guias florestais irregulares às madeireiras. Em troca, conforme a denúncia, recebeu um caminhão com madeira e também o equivalente a 5% do valor.

Uma operação fraudulenta foi montada, conforme a acusação, envolvendo o uso de guias florestais e também de notas fiscais falsificadas.

O funcionário do Ibama foi condenado na primeira instância pelos três crimes. Recorreu e, na segunda instância, conseguiu ser absolvido da acusação de falsidade ideológica e de uso de documento. O principal argumento para isso foi a prescrição dos crimes. A denúncia só foi apresentada à Justiça 4 anos depois dos fatos e a condenação veio 6 anos depois.

Outras três pessoas eram réus no mesmo processo, um funcionário do Ibama, Luiz Carlos Nunes do Nascimento e dois donos de madeireiras, Adão Lopes Correa e Edmar Pedro da Silva. O primeiro foi inocentado e os outros dois foram condenados e o processo desmembrado em relação a Gerzon Zahdi.

A ação ainda corre na Justiça Federal em relação ao crime de corrupção passiva.

Zahdi nega que tenha recebido a madeira, alegando que ela já estava na fazenda três anos antes da operação da então Polícia Florestal que desencadeou as acusações contra ele.

Ao ser indagado sobre o processo pelo Campo Grande News, disse que foi inocentado tanto na Justiça quanto na esfera administrativa, no processo aberto pelo Ibama. As informações judiciais confirmam a absolvição apenas dos crimes prescritos. A acusação de corrupção passiva ainda pode gerar punição.

Hoje, Zahdi, que é lotado no gabinete da superintendência do Ibama, está afastado do trabalho para tratamento psiquiátrico.