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Meio Ambiente

De espécie vulnerável, bugios monitorados brincam em mata ciliar de Inocência

Empresa acompanha família de primatas com objetivo de mitigar impactos de fábrica

Por Cassia Modena | 01/09/2026 09:55


RESUMO

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No Dia Internacional dos Primatas, celebrado em 1º de setembro, a empresa Arauco divulgou imagens de bugios-pretos monitorados no corredor do Rio Sucuriú, em Inocência (MS). A família, formada por Baru, Pequi e Bacuri, é acompanhada junto a outros nove grupos como medida de mitigação dos impactos da instalação de uma fábrica de celulose prevista para 2027. O monitoramento usa drones com sensores termais e armadilhas fotográficas.

Neste 1º de setembro, Dia Internacional dos Primatas, imagens divulgadas pela empresa Arauco mostram a interação entre bugios-pretos da mesma família em copas de árvores presentes no corredor do Rio Sucuriú, no município de Inocência. A data reforça que esses animais podem desaparecer caso medidas de proteção não sejam adotadas.

Em dois dos vídeos feitos em agosto deste ano, os animais brincam e se alimentam. Três dos macacos que aparecem têm nomes: Baru, Pequi e Bacuri (pai, mãe e filhote), escolhidos em votação promovida entre trabalhadores e comunidade.

A família é monitorada junto a nove grupos de primatas. Esse trabalho é parte das medidas de mitigação dos impactos da instalação e operação da fábrica de celulose da companhia na região. O empreendimento deve ficar pronto em 2027.

De espécie vulnerável, bugios monitorados brincam em mata ciliar de Inocência
Pequi e Bacuri, mãe e filhote de bugio monitorados (Foto: Divulgação/Sauá Consultoria Ambiental)

Segundo a companhia, a captação de água e emissão de efluentes tratados exigem que o monitoramento e outras intervenções sejam feitos em trechos da vegetação ciliar. Um dos objetivos é preservar as árvores das quais dependem os bugios-pretos (Alouatta caraya) e o macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay) para se locomoverem e se alimentarem. As duas espécies são encontradas na região e estão classificadas na categoria de ameaça VU (Vulnerável) no Brasil.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam”, afirma Gonzalo Flores, especialista de biodiversidade da Arauco.

O acompanhamento permitirá conhecer como os animais vivem na área da implantação das estruturas fabris. Após o término da obra e início das operações, registros continuarão sendo feitos para avaliar se os primatas continuam utilizando as passagens e se elas reconectam ambientes. Estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental, que presta o serviço de monitoramento à Arauco.

Tecnologia - Além do trabalho de campo, são utilizadas tecnologias como armadilhas fotográficas e drones equipados com sensores termais. Elas permitem localizar animais onde a visualização é mais difícil.

Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em solo, foram identificados dois grupos. Já com cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos no projeto, sendo seis de bugios e um de macacos-prego.

Essas ferramentas também identificaram tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica, além de um grupo de queixadas com mais de dez indivíduos na região.

Nas próximas etapas do monitoramento, está previsto o uso de GPS-telemetria em macacos-prego.

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