Defesa Civil intensifica monitoramento do ciclone, mas descarta cenário extremo
Apesar do alerta nacional, dados regionalizados indicam maior risco de temporais isolados no centro-sul de MS

Enquanto o avanço de um ciclone extratropical, conhecido popularmente como "ciclone bomba", colocou a Defesa Civil Nacional em estado de atenção para parte do Centro-Oeste, a orientação em Mato Grosso do Sul é de monitoramento constante, sem indicativos, até o momento, de um cenário extremo.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O coordenador-geral da Defesa Civil Estadual, coronel Hugo Djan Leite, explica que o Estado acompanha tanto os modelos meteorológicos nacionais quanto os boletins produzidos pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), que oferecem uma leitura mais detalhada da realidade sul-mato-grossense.
- Leia Também
- Em dia de alerta, temporal deixa 30 casas destelhadas em Antônio João
- Defesa Civil recomenda atenção em MS com formação de ciclone bomba
"A meteorologia nacional apresenta uma visão mais macro. Nós refinamos essas informações com os dados do Cemtec, que são regionalizados e mais próximos da realidade local. É com base nesses dados que fazemos nossa tomada de decisão", afirmou.
Segundo ele, o cenário previsto para Mato Grosso do Sul está dividido em duas situações distintas.
Na faixa centro-sul, principalmente nas regiões oeste, sudoeste, extremo sul, centro-sul, sudeste e leste, há possibilidade de chuva, tempestades isoladas, raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo, com acumulados superiores a 30 milímetros em 24 horas.
Já nas regiões centro-norte e norte do Estado, incluindo parte de Campo Grande, a tendência é de tempo mais firme, calor, baixa umidade relativa do ar e pouca chance de chuva.
"O que tivemos até agora foram chuvas fortes em municípios como Ponta Porã e Amambai, mas sem nenhuma situação extrema. Em Maracaju houve sol, em Dourados pouca chuva. Estamos acompanhando permanentemente os dados nacionais e estaduais, fazendo principalmente um trabalho de monitoramento sobre os efeitos desse ciclone em Mato Grosso do Sul", acrescentou o coordenador.
Alerta continua na Capital
Em Campo Grande, a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil também reforçou o monitoramento e emitiu um alerta amarelo para risco de vendavais válido das 23h desta quinta-feira (6) até às 22h59 de sábado (8).
O aviso, baseado em informações do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), prevê ventos entre 40 e 60 km/h, com baixo risco de queda de galhos e árvores.
Segundo o coordenador municipal, Enéas José de Carvalho Netto, o principal papel da Defesa Civil é antecipar cenários e manter toda a estrutura pública preparada para uma eventual mudança brusca das condições climáticas.
"Nós fazemos o cruzamento das informações dos institutos nacionais de meteorologia e deixamos todas as secretarias em sobreaviso, como assistência social, infraestrutura, educação e demais órgãos que possam ser acionados rapidamente, caso seja necessário."
Ele reforça que o alerta amarelo representa apenas possibilidade de ocorrência do fenômeno e não motivo para pânico.
"É um alerta primário. Existe o risco, mas isso não significa que necessariamente vai acontecer. A população não precisa se preocupar além do necessário. Nosso trabalho é manter toda a estrutura preparada para responder rapidamente caso ocorra alguma intercorrência."
Atualmente, a Defesa Civil Municipal mantém plantão ininterrupto pelo telefone 199, com equipes operacionais preparadas para atender ocorrências relacionadas à queda de árvores, destelhamentos e outros impactos provocados por ventos fortes.
Nos casos em que árvores atinjam a rede elétrica, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, devido ao risco de choque elétrico.
Alerta nacional
Na quarta-feira (5), a Defesa Civil Nacional reuniu representantes dos estados e municípios para alinhar medidas de preparação diante da formação do ciclone extratropical, que deve provocar os maiores impactos na Região Sul do país.
O governo federal informou que o fenômeno pode provocar chuva superior a 100 milímetros por dia, ventos acima de 100 km/h e granizo, principalmente no Rio Grande do Sul. Também há previsão de tempestades em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de vendavais no litoral paulista.
Por causa do cenário, o Departamento de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional passou a operar em nível de alerta 24 horas por dia.
Fim de semana
Conforme a previsão do Cemtec, após a passagem da frente fria, o fim de semana deve ter predomínio de sol em grande parte do Estado, embora ainda possam ocorrer pancadas isoladas nas regiões extremo sul, centro-sul, sudoeste e sudeste. Entre segunda (10) e quarta-feira (13), uma nova massa de ar frio deve provocar queda mais perceptível das temperaturas, principalmente no sul do Estado.

