Digitais em sacos podem revelar quem descartou restos de animais em córrego
Decat aguarda perícia para confirmar se couro e patas são de javalis ou de espécies nativas
Sem câmeras ou testemunhas, as equipes da Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) dependem de impressões digitais encontradas em sacos plásticos para identificar quem descartou restos de animais no Córrego Imbirussu. Ao Campo Grande News, o delegado titular da unidade, Paulo Henrique Sá, explicou que a perícia também deve confirmar a espécie dos animais.
RESUMO
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A Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) investiga o descarte de restos de animais no Córrego Imbirussu, em Campo Grande, e depende de impressões digitais em sacos plásticos para identificar os responsáveis, já que não há câmeras nem testemunhas. Foram achados cinco pedaços de couro e ao menos 11 patas, tratados como de javalis. Se a espécie for confirmada, o crime será apenas de poluição ambiental. Se forem animais nativos, também poderá haver apuração por caça predatória.
Os restos foram encontrados nesta terça-feira (27), em uma ponte da Avenida Florestal. No local, foram descartados cinco pedaços de couro e ao menos 11 patas de animais. Equipes da Decat, da PMA (Polícia Militar Ambiental) e da Perícia Civil foram até a região para iniciar as investigações.
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Entre os materiais recolhidos estavam sacos pretos de lixo, que podem ser fundamentais para o andamento do caso. “A gente sabe que o plástico é um material que aceita bastante impressão digital, preserva bastante tempo. Então, possivelmente, nós teremos impressões digitais para comparar no banco de dados”, explicou o delegado.

A perícia também ajudará a confirmar a qual espécie pertencem o couro e as patas. Até o momento, os restos são tratados como se fossem de javalis. “Pela expertise dos policiais, com as experiências deles, dá uma boa porcentagem de certeza de que os animais trata-se de javalis”, disse.
Caso seja confirmado que as partes pertencem a javalis, a investigação seguirá apenas pelo crime de poluição ambiental. No entanto, se os exames apontarem que são de animais da fauna brasileira, como o cateto, o caso também poderá ser investigado como caça predatória.
“O javali não é um animal silvestre. A caça predatória, que é o crime do Código Ambiental, diz que é crime caçar animais silvestres. Animal silvestre é um animal que é original do Brasil. Então o crime de caça não se aplica a um animal introduzido no Brasil, um animal alienígena, um animal invasor, de outra fauna, que a gente chama de animal exótico”, pontuou.
Regras para o controle — O javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica invasora. Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o controle da espécie é autorizado no Brasil desde 2013, mas depende do cumprimento de regras.
Entre as exigências estão a inscrição e a regularidade no Cadastro Técnico Federal, a solicitação de autorização de manejo pelo Simaf (Sistema de Informação de Manejo de Fauna) e a apresentação de relatórios sobre as ações. O uso de armas de fogo também está sujeito a regras específicas.
Nativo da Europa, da Ásia e do norte da África, o javali foi introduzido no Brasil. De acordo com o Ibama, sua capacidade de adaptação e reprodução contribui para impactos ambientais e prejuízos à atividade agropecuária.
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