Flagra de onças no Pantanal surpreende, mas tem explicação técnica
Especialista descarta manipulação digital e aponta contexto ambiental preservado
Após a repercussão do vídeo que mostra duas onças-pintadas interagindo tranquilamente no Pantanal de Mato Grosso do Sul, o biólogo Gustavo Figueirôa, do SOS Pantanal, nesta segunda-feira (5), explicou o comportamento dos animais e afastou qualquer suspeita de manipulação digital.
RESUMO
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O vídeo que mostra duas onças-pintadas interagindo pacificamente no Pantanal de Mato Grosso do Sul é autêntico, conforme explicou o biólogo Gustavo Figueirôa, do SOS Pantanal. As imagens foram registradas no Refúgio Ecológico Caiman e mostram Tata e Formoso, um casal de onças em período de acasalamento. A tranquilidade dos felinos próximos a cavalos tem explicação ecológica: a área é bem preservada, com abundância de presas naturais, reduzindo conflitos com animais domésticos. As onças são monitoradas há mais de uma década pelo projeto Onça Safari, que estuda comportamentos e orienta práticas de turismo sustentável na região.
Segundo ele, as imagens foram gravadas na semana passada no Refúgio Ecológico Caiman, área privada de conservação localizada no Pantanal Sul, e mostram um casal de onças em pleno período de acasalamento. A fêmea, conhecida como Tata, e o macho, chamado Formoso, vivem na região e são monitorados há mais de uma década.
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“O vídeo é real, aconteceu no Pantanal Sul e foi registrado pelo guia de campo Cláudio Nascimento, conhecido como Koxé”, afirmou o biólogo.
O que mais chamou a atenção nas redes sociais foi a aparente tranquilidade das onças, que aparecem próximas a cavalos e não demonstram qualquer reação agressiva à presença humana. Para Figueirôa, o comportamento tem explicação ecológica clara.
Ele destaca que, embora onças possam atacar cavalos em situações específicas, esses animais não fazem parte da dieta principal do felino. “A predação ocorre, geralmente, quando o cavalo está isolado, debilitado ou quando há escassez de presas naturais”, explicou.
No caso do vídeo, os cavalos aparecem em grupo, atentos e saudáveis. Além disso, o refúgio mantém uma alta oferta de presas silvestres, o que reduz conflitos com animais domésticos. “É uma área muito preservada, com alimento em abundância. Não é um cenário de estresse nem de fome”, afirmou.
As onças registradas no vídeo fazem parte do monitoramento realizado pelo projeto Onça Safari, que atua no refúgio há mais de 10 anos. O acompanhamento constante permite identificar indivíduos, compreender padrões de comportamento e orientar práticas seguras de turismo de observação.
Para o biólogo, o vídeo é valioso não apenas pelo impacto visual, mas pelo que revela sobre a convivência possível entre conservação, pesquisa e atividade turística responsável no Pantanal. “É um flagra raro, sensacional, que mostra duas onças em comportamento natural, sem interferência humana direta”, resumiu.
Em meio a piadas sobre inteligência artificial e comentários sobre “mansidão”, a explicação técnica recoloca o episódio no lugar certo: natureza real, registrada em um dos biomas mais preservados do país. Sem filtros digitais, só Pantanal mesmo.

