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Meio Ambiente

IA vai monitorar 300 mil hectares do Cerrado para detectar focos de incêndio

Tecnologia passa a integrar sistema de prevenção durante período de emergência ambiental

Por Jhefferson Gamarra | 12/06/2026 13:07
IA vai monitorar 300 mil hectares do Cerrado para detectar focos de incêndio
Central de monitoramento florestal da Suzano (Foto: Divulgação/Suzano)

Em meio ao estado de emergência ambiental decretado pelo Governo de Mato Grosso do Sul diante do risco de agravamento da seca e da intensificação dos incêndios florestais associados ao fenômeno El Niño, a Suzano anunciou o reforço de sua estrutura de prevenção e combate ao fogo com a adoção de novas tecnologias para monitorar áreas de vegetação nativa e florestas plantadas no Estado.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Suzano anunciou o reforço de sua estrutura de prevenção e combate a incêndios em Mato Grosso do Sul com inteligência artificial para detectar fumaça e drones com câmera térmica. A iniciativa protege mais de 300 mil hectares de vegetação nativa no Cerrado e ocorre após o governo estadual decretar emergência ambiental por 180 dias. A empresa mobilizará 241 profissionais entre agosto e outubro e investe R$ 25 milhões anuais na operação.

A companhia passará a utilizar um sistema de inteligência artificial capaz de identificar automaticamente sinais de fumaça e um drone equipado com câmera térmica de alta resolução para detectar focos de calor antes mesmo que o fogo se torne visível. A estrutura protege diretamente mais de 300 mil hectares de vegetação nativa e áreas de conservação do bioma Cerrado e integra uma operação que cobre mais de 1 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul.

O reforço ocorre em um momento de alerta elevado para queimadas. No início deste mês, o governo estadual decretou emergência ambiental por 180 dias em todo o território sul-mato-grossense, citando o déficit hídrico, as altas temperaturas, a baixa umidade do ar e os possíveis efeitos do El Niño como fatores que aumentam o risco de incêndios de grandes proporções, especialmente no Pantanal e no Cerrado.

Segundo Amarildo José Nunes, gerente de Inteligência Patrimonial da Suzano em Mato Grosso do Sul, a proteção da vegetação nativa e das comunidades próximas às operações faz parte da estratégia da empresa para enfrentar o período mais crítico do ano.

"O Cerrado é a paisagem que define Mato Grosso do Sul. Quando o período de incêndios chega, a ameaça não é só para a vegetação: atinge comunidades inteiras e a vida de milhares de espécies de animais silvestres. Por isso, nossa responsabilidade vai muito além das áreas plantadas. Investimos continuamente para que nossa estrutura funcione como uma linha de frente na proteção de áreas nativas e das comunidades no entorno das operações".

IA vai monitorar 300 mil hectares do Cerrado para detectar focos de incêndio
Área de Cerrado monitorada pela empresa de celulose (Foto: Divulgação/Suzano)

A operação é baseada em uma rede de 57 torres de videomonitoramento instaladas em pontos estratégicos das áreas florestais. Equipadas com câmeras de visão em 360 graus, elas transmitem imagens continuamente para centrais localizadas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

Com a integração da inteligência artificial, qualquer sinal de fumaça identificado pelas câmeras passa a ser analisado automaticamente pelo sistema, reduzindo o tempo entre a detecção de um possível incêndio e o acionamento das equipes de campo.

Outra inovação incorporada à operação é o uso do drone DJI Mavic 3T, que combina câmera térmica de alta resolução, câmera grande angular de 48 megapixels e zoom de até 56 vezes. O equipamento permite localizar focos de calor no solo e na vegetação antes do surgimento da fumaça, fornecendo imagens em tempo real para orientar as brigadas de combate.

Durante o período mais crítico da estiagem, entre agosto e outubro, a empresa mobilizará 241 profissionais, sendo 167 brigadistas fixos e 74 colaboradores da operação florestal que atuarão como reforço. Segundo a Suzano, a ampliação da estrutura reduz em até 15 minutos o tempo médio de resposta, permitindo que o combate seja iniciado em aproximadamente uma hora após a detecção da ocorrência.

A estrutura também conta com duas aeronaves, caminhões-pipa e veículos equipados para combate a incêndios. Neste ano, parte da frota foi renovada com dois novos caminhões-pipa e cinco caminhonetes equipadas com kits de combate. Além disso, as equipes passaram a utilizar rastreadores via satélite para acompanhamento em tempo real durante as operações.

As ações de prevenção e combate são realizadas em conjunto com empresas associadas à Reflore (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores Florestais), por meio do compartilhamento de informações e apoio operacional durante toda a temporada de estiagem.

"Nenhuma estrutura, por maior que seja, resolve sozinha um problema da dimensão dos incêndios em uma região como o Cerrado. A parceria com outras empresas e produtores da região é parte essencial do que fazemos no estado", afirma Amarildo.

A Suzano mantém 1,136 milhão de hectares de florestas plantadas de eucalipto em Mato Grosso do Sul, dos quais 327 mil hectares são destinados exclusivamente à conservação da biodiversidade, incluindo áreas de preservação permanente e vegetação nativa. O investimento anual da companhia na operação de prevenção e combate a incêndios no Estado é de R$ 25 milhões.