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Meio Ambiente

Períodos com onda de calor aumentaram sete vezes em 30 anos

Dados fazem parte do estudo do Inpe que analisou dados climáticos dos últimos 60 anos

Por Gabriel de Matos | 13/11/2023 18:21
Sol se pondo na Avenida Afonso Pena em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)
Sol se pondo na Avenida Afonso Pena em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

Os pesquisadores do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) avaliaram dados dos últimos 60 anos sobre as mudanças climáticas no Brasil. O relatório divulgado explica que o número de dias com ondas de calor passou de sete para 52 em 30 anos, são sete vezes mais. Dependendo da região, o território de Mato Grosso do Sul teve aumento entre 10% e 30% nos dias de anomalia nesse período, com variação acima da média esperada de calor.

No momento, os 79 municípios do Estado e outras 1.300 cidades de São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rondônia estão com alerta em vigência de onda de calor de grande perigo, colocando em risco a vida. O aviso vale até o dia 17 de novembro.

Os cálculos foram efetuados para todo o território brasileiro e consideraram o período de 1961 a 2020. Os especialistas estabeleceram 1961 a 1990 como período de referência e efetuaram análises segmentadas sobre o que aconteceu com o clima para três períodos: 1991-2000, 2001-2010 e 2011-2020. Em vermelho, as maiores anomalias registradas.

Gráfico que mostra a evolução da anomalia de temperaturas ao longo dos anos (Foto: Divulgação)
Gráfico que mostra a evolução da anomalia de temperaturas ao longo dos anos (Foto: Divulgação)

Para o estudo, foram considerados dados observados em 1.252 estações meteorológicas convencionais, sendo 642 estações manuais e 610 automáticas para construir as séries de temperatura máxima, e um total de 11.473 pluviômetros para os dados de precipitação.

As informações indicam que houve aumento gradual das anomalias de ondas de calor ao longo dos períodos analisados e para praticamente todo o Brasil. Apenas o sul de São Paulo e o sul de Mato Grosso do Sul não estão nessa situação.

O estudo também mostra que o avanço nessa realidade desde 1991. Para o período de 1991 a 2000, o índice subiu para 20 dias; entre 2001 e 2010, atingiu 40 dias; e de 2011 a 2020, o número de dias com ondas de calor chegou aos 52. Isso significa que com o passar dos anos, aumentaram os dias com calor acima do normal.

Os pesquisadores destacam a importância de observar o conjunto das informações e não apenas indicadores isolados. De acordo com os dados, o clima já está mudando e afeta o país de múltiplas formas, dado que o Brasil tem dimensões continentais. Enquanto em algumas regiões há aumento de temperatura, em outras observa-se aumento da precipitação ou ocorrência de seca.

O pesquisador do Inpe Lincoln Alves, que coordenou os estudos, ressaltou: “O mais recente relatório do IPCC destacou que as mudanças climáticas estão impactando diversas regiões do mundo de maneiras distintas. Nossas análises revelam claramente que o Brasil já experimenta essas transformações, evidenciadas pelo aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos em várias regiões desde 1961 e irão se agravar nas próximas décadas proporcionalmente ao aquecimento global”.

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