Pescadores artesanais do Pantanal estão sob ameaça de extinção, diz biólogo
Tema foi citado durante painel no Espaço Brasil da 15ª Conferência das Partes, em Campo Grande
“Guardiões do Rio Paraguai”, como foram chamados durante painel no Espaço Brasil da COP15 (15ª Conferência das Partes), os pescadores profissionais artesanais do Pantanal correm o risco de desaparecer se medidas urgentes não forem adotadas para preservar seu ganha-pão. Donos de um conhecimento prático, e não técnico, mas extremamente eficaz sobre os ciclos do bioma e seus peixes, esses trabalhadores estão ameaçados, segundo alerta o diretor-presidente da Ecoa (Ecologia em Ação), André Siqueira, que é biólogo.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
São 1,2 mil pescadores na planície e, conforme Siqueira destacou ao final do painel que tratava da importância das zonas úmidas para espécies migratórias, a atuação deles é estratégica. “São eles que sabem quem ou o que está provocando problemas em relação à saúde dos rios, eles incomodam muita gente”, afirmou.
- Leia Também
- Migração de peixes despenca 81%, com reflexos nos rios Paraguai e Paraná
- Gringos amam ‘capibaras’ e encaram 31 °C na ‘blue zone’ da COP15
Desde barragens para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) até a pesca esportiva, portos para hidrovia e o turismo desenfreado, diversos fatores os colocam sob risco constante. No caso das PCHs, por exemplo, as barragens construídas cortam o ciclo dos rios, o que impacta diretamente a vida dos peixes e a sobrevivência da pesca como fonte de renda. “Nós já temos outras matrizes de geração de energia, então, para que a gente insistir nisso (hidrelétricas)?”, questiona Siqueira.
O diretor-presidente da Ecoa afirmou também que a pesca profissional artesanal é a segunda cadeia que mais gera emprego e renda em todo o Pantanal.
Durante o evento, Siqueira comentou sobre possíveis soluções, como uma rede internacional de governança territorial baseada na participação de quem vive e atua na região. “Nesse modelo, comunidades locais, organizações da sociedade civil, produtores rurais, povos tradicionais e instituições públicas discutem conjuntamente formas de uso, conservação e manejo dos recursos naturais, fortalecendo decisões construídas de baixo para cima”, citou.
Segundo ele, trata-se de um modelo de gestão participativa. “São processos em que a gestão do território é construída por quem vive nele. Isso permite conciliar produção, conservação e proteção ambiental, mantendo áreas fundamentais para a biodiversidade e para espécies que dependem da conectividade entre diferentes regiões”, explica.
Painel – A discussão, intitulada “Do Manguezal ao Pantanal: a importância das zonas úmidas para espécies migratórias e o papel da cooperação para a conservação”, reuniu, além de André Siqueira, a gerente de projetos da Save Brasil, Maria Raquel de Carvalho, e Patrícia Pereira Serafin, do Cemave (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres), do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
O foco do debate foi conhecer as ações já realizadas nessas áreas e os atuais desafios. No caso do Pantanal, André apresentou os problemas decorrentes das queimadas, o cenário de intensificação da crise hídrica, as alterações no regime de chuvas e as intervenções no território. Lembrou ainda que o bioma é utilizado como ponto de descanso, alimentação e reprodução por quase 190 espécies de aves migratórias, além de peixes e mamíferos que dependem das zonas úmidas.
“Com os grandes incêndios, há uma dificuldade enorme no senso de orientação, nidificação e pouso das espécies que utilizam a planície. Grandes áreas são queimadas e o que mais se perde é alimento. Tivemos perdas significativas de aves nos últimos anos, algo visível durante os combates aos incêndios”, relatou Siqueira.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



