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Política

Advogado preso já teve R$ 7 mil apreendidos na 1ª fase da Operação Tromper

Operação que investiga fraude em contratos milionários da prefeitura prendeu até vereador em Campo Grande

Por Dayene Paz e Geniffer Valeriano | 03/04/2024 13:11
Advogado Milton na porta da delegacia de Sidrolândia. (Foto: Marcos Maluf)
Advogado Milton na porta da delegacia de Sidrolândia. (Foto: Marcos Maluf)

O advogado Milton Matheus Paiva Matos, preso nesta quarta-feira (3) durante ação que investiga fraude em contratos milionários da Prefeitura de Sidrolândia, já teve a casa alvo de buscas em maio do ano passado. Na ocasião, agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) apreenderam R$ 7 mil em espécie.

Hoje, Milton, o vereador de Campo Grande, Claudinho Serra (PSDB), e outras seis pessoas foram alvos de mandados de prisão, em Sidrolândia e Campo Grande. A ação é feita pelo Gaeco e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Na primeira fase da Operação Tromper, o advogado só foi alvo de mandado de busca e apreensão, mas dessa vez a investigação levantou elementos que fizeram a Justiça decretar a prisão preventiva dele, cumprida em Sidrolândia. Por ser advogado, Milton está sendo encaminhado ao Presídio Militar da Capital, onde ficará preso.

Ariel Osmar da Costa, advogado de Milton, afirmou que agora tenta acesso aos autos da investigação, que está em segredo de justiça. O Gaeco afirma que identificou "nova ramificação da organização criminosa, atuante no ramo de engenharia e pavimentação asfáltica".

Milton é proprietário da empresa 3M produtos e serviços. "Se for questão do asfalto, vai ser porque ele foi pregoeiro, mas o Milton diz que não mexeu com nada de questão de asfalto. Deve ter algo relacionado a licitação", disse o advogado Ariel.

Além de Milton, foram presos: o vereador de Campo Grande e ex-secretário Municipal de Fazenda, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia, Claudinho Serra; o empresário Ueverton da Silva Macedo, apontado como líder do esquema que desencadeou a Operação Tromper; o chefe de licitação da Prefeitura de Sidrolândia, Marcus Vinícius; a servidora Ana Paula Flores; e o ex-assessor de Claudinho, identificado como Thiago Alves.

Ana, uma das presas em operação, também deixando a delegacia para o presídio. (Foto: Marcos Maluf)
Ana, uma das presas em operação, também deixando a delegacia para o presídio. (Foto: Marcos Maluf)

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do secretário de Educação do município, Rafael Soares Rodrigues, e do secretário adjunto de Assistência Social, Paulo Vitor Famea.

Entenda - Esta é a 3ª fase da Operação Tromper, que cumpre 8 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão, e já averiguou irregularidades em contratos que somam R$ 15 milhões. "(...) ratificou a efetiva existência de uma organização criminosa voltada a fraudes em licitações e contratos administrativos com a Prefeitura Municipal de Sidrolândia, bem como o pagamento de propina a agentes públicos municipais", diz trecho de nota do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Também foi identificada nova ramificação da organização criminosa, atuante no ramo de engenharia e pavimentação asfáltica. Os contratos já identificados e objetos da investigação alcançam o montante aproximado de R$ 15 milhões.

Histórico - A 1ª fase da Operação Tromper foi deflagrada em maio de 2023 contra esquema de corrupção envolvendo fraude em licitação e sonegação fiscal em Sidrolândia.

Conforme a investigação, para dar ares de legitimidade aos certames licitatórios e fazer o desvio dos recursos públicos reservados para a execução dos contratos, o grupo criminoso abria empresas ou se aproveitava da existência de cadastramentos para incrementar o objeto social sem que o estabelecimento comercial apresentasse experiência, estrutura ou capacidade técnica para execução do serviço contratado ou fornecimento do material adquirido pelo município.

A investigação ainda revelou que a sogra e o cunhado de "Frescura", apontado como líder do esquema que desencadeou a operação, movimentaram mais de R$ 1,1 milhão entre 2017 e 2021, mesmo com empregos bem modestos.

Os dados, obtidos por meio da quebra de sigilo bancário, mostram que Vera Lúcia de Paula, uma faxineira com salário médio mensal de R$ 559, movimentou R$ 539,5 mil, enquanto Rafael de Paula da Silva, ajudante de motorista com salário de R$ 1.055, realizou R$ 604,5 mil em transações bancárias.

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