Em reunião de 4 horas, prefeita tenta pôr fim à tensão com vereadores
Encontro buscou aproximar Adriane Lopes dos parlamentares; próxima conversa está prevista para junho

Na manhã desta segunda-feira (18), em meio ao desgaste entre Executivo e Legislativo após derrotas da Prefeitura na Câmara Municipal, a prefeita Adriane Lopes (PP) reuniu vereadores de Campo Grande para um café da manhã a portas fechadas, no gabinete. A reportagem do Campo Grande News acompanhou a movimentação no Paço Municipal. A reunião começou por volta das 9h e terminou no início da tarde.
RESUMO
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, reuniu vereadores em café da manhã fechado no Paço Municipal nesta segunda-feira (18), em meio a tensões entre Executivo e Legislativo após derrotas na Câmara. O encontro foi visto como tentativa de reaproximação após conflitos sobre terceirização na saúde e o IPTU. O presidente da Câmara, Papy, disse que o clima foi de "lavar roupa suja" e que novos encontros estão previstos, o próximo para 1º de junho.
Vereadores trataram o encontro como uma tentativa de reaproximação política, após episódios de tensão envolvendo projetos derrubados pela Câmara, como o da terceirização de duas unidades de saúde, além da crise envolvendo o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e reclamações recorrentes de parlamentares sobre demandas não atendidas pela Prefeitura.
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Segundo o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), a reunião foi convocada pela própria prefeita e deve ser a primeira de uma série de encontros entre Executivo e Legislativo. A próxima reunião já está prevista para ocorrer no dia 1º de junho, na Câmara Municipal. “Foi uma reunião importante, mas com clima de lavar roupa suja”, resumiu o presidente da Casa.
Papy afirmou que o distanciamento entre os poderes ficou evidente nas últimas sessões da Câmara. “A gente vive um momento de desaproximação, isso está claro pelas sessões que temos feito. A Câmara é cobrada pela população e devolve essa cobrança para a prefeita. Às vezes ela se sente injustiçada pelo nível das cobranças, mas também tem dificuldade de mostrar o que está sendo feito”, afirmou.
Ainda segundo o vereador, reuniões como essa servem para “destensionar” o ambiente político e permitir cobranças diretas aos secretários e à prefeita. Durante o encontro, Papy disse ter cobrado pessoalmente o envio de projetos considerados prioritários, como a nova Lei do Silêncio e a proposta de ocupação e uso do solo.
“Cobrei pessoalmente isso, falei na reunião pública, ali com todos os vereadores e secretários ouvindo, sobre a lei de ocupação e uso do solo e também sobre a Lei do Silêncio, que são leis importantes”, disse.
De acordo com ele, a diretora-presidente da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), Berenice Jacob Domingues, informou que o projeto da Lei do Silêncio já está no gabinete da prefeita, enquanto a proposta de uso e ocupação do solo deve estar pronta para votação até o meio do ano.

O vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), afirmou que o encontro também teve como foco fortalecer a base da prefeita na Câmara. “Existem decisões em que ela precisa da Câmara e a Câmara precisa estar atenta e ser uma base forte. Mas, para isso, os pedidos dos vereadores também precisam ser atendidos”, afirmou.
Segundo ele, o descontentamento de vereadores com a falta de respostas da Prefeitura acaba influenciando o ambiente político no plenário. “Se o vereador não é atendido, quando chega no plenário ele já está nervoso. Às vezes ele nem quer saber se o projeto é bom ou não”, disse.
Carlão também criticou a falta de diálogo da prefeita com parlamentares no atual mandato, afirmando que antes Adriane Lopes conversava mais com os vereadores e que, agora, os parlamentares mandam mensagem, mas não obtêm resposta.
O vereador Clodoilson Pires (Podemos) classificou a reunião como um alinhamento entre Executivo e Legislativo. Segundo ele, secretários municipais participaram do encontro para detalhar projetos, licitações e ações previstas em áreas como saúde e obras.
“Todo mundo quer o melhor para Campo Grande. Então, estamos ouvindo os secretários, vendo o que há para Campo Grande, o que pode melhorar e como nós podemos ajudar”, disse.
Clodoilson também apontou dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, citando perdas de arrecadação em repasses estaduais. “A população cobra, mas como vamos fazer obras em Campo Grande se não temos recurso?”, questionou.
Único vereador da oposição presente no encontro, Landmark Rios (PT) afirmou que a reunião marca uma tentativa de mudar o clima político em torno da Prefeitura e da Câmara.
“A todo momento existe uma sombra sobre projetos-bomba na Câmara Municipal, projetos de terceirização na saúde, agora na educação. São pautas negativas o tempo todo, e nós precisamos mudar isso”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a prefeita demonstrou preocupação com os impactos das chuvas recentes na cidade e também com a situação financeira da Capital. “A cidade praticamente derreteu, houve um estrago muito grande do ponto de vista econômico e material”, disse.
Em nota, a prefeita Adriane Lopes afirmou que o encontro teve como objetivo discutir demandas da cidade e fortalecer o diálogo entre os poderes.
“Nos reunimos na manhã desta segunda-feira com vereadores da nossa Capital para dialogarmos sobre pautas importantes para Campo Grande. É importante essa escuta com os vereadores para alinhar demandas e ações em prol da população. Esse diálogo permanente entre Executivo e Legislativo é fundamental para fortalecer parcerias, construir soluções e avançar nas melhorias de que a nossa cidade precisa”, declarou.
Participaram da reunião os vereadores Papy, Carlão, Neto Santos (Republicanos), Ronilço Guerreiro (Podemos), Ana Portela (PL), Beto Avelar (PP), Clodoilson Pires, Vitor Rocha (PSDB), Flávio Almi (PSDB), Ademar Vieira Junior (MDB), Landmark Rios, Wilton Celeste, o Leinha (Avante), Otávio Trad (PSD), Juari Lopes (PSDB), Silvio Alves Pena (PSDB), Francisco Gonçalves (União Brasil), Fábio Rocha (União Brasil) e Wilson Lands (Avante).
Os vereadores Jean Ferreira (PT), Maicon Nogueira (PP) e Marcos Marcello Trad (PV) não compareceram e não apresentaram justificativa, de acordo com o que foi informado durante o encontro.
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