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Política

Bancada de MS ainda está indecisa sobre ajuda para empresas de ônibus

Os três senadores de MS ainda analisam o veto presidencial, enquanto deputados estão divididos

Por Nyelder Rodrigues e Aline dos Santos | 16/03/2021 20:31
Nelsinho, Simone e Soraya durante sessão da CCJ do Senado, no ano passado (Foto: Roberto Castello/Arquivo/Ascom)
Nelsinho, Simone e Soraya durante sessão da CCJ do Senado, no ano passado (Foto: Roberto Castello/Arquivo/Ascom)

Para alguns, um cenário de indecisão. Para outros, um voto certo. O veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à concessão de ajuda federal de R$ 4 bilhões para empresas de transporte coletivo nas cidades com mais de 200 mil habitantes ainda rende muito debate, e parte da bancada sul-mato-grossense ainda se mostra indecisa.

A questão deve ir para análise do parlamento em breve, mas ainda assim há quem ainda esteja o estudando, como é o caso dos três senadores do Estado. Nelsinho Trad (PSD), líder da bancada em Brasília (DF), por exemplo, aguarda mais desdobramentos.

Ao Campo Grande News, Nelsinho revela que se reuniria com o líder do governo no Senado, o pernambucano Fernando Bezerra (MDB), sendo que um dos temas deveria ser os vetos. Daí, ele se posicionaria publicamente sobre eles.

Já Simone Tebet (MDB) destacou que também participaria de reunião onde os vetos seriam discutindo, mas não especificou se era a mesma citada por Nelsinho, com Bezerra. "O projeto começa na Câmara e se não for derrubado lá, não passa pelo Senado", explicou, sem revelar qual sua posição sobre tal questão.

Outra que também se esquivou foi Soraya Thronicke (PSL). A senadora sul-mato-grossense através de sua assessoria de imprensa informou que os vetos estão sob análise de sua equipe e alguns ainda devem ser discutindo diretamente com o Governo.

Deputados - Já entre os deputados federais, os oito representantes de Mato Grosso do Sul foram consultados e cinco deles responderam ao contato feito pelo Campo Grande News: Fábio Trad (PSD), Rose Modesto (PSDB), Vander Loubet (PT), Dagoberto Nogueira (PDT) e Luiz Ovando (PSL). A maioria deles se posicionou pelo veto.

"A não ser que o partido feche questão em torno do tema, votarei para derrubar o veto e o farei porque na época da votação, o próprio líder do governo participou das articulações políticas que culminaram com a aprovação do projeto", frisa Fábio Trad, que completa ainda que a medida beneficiaria os usuários do transporte coletivo.

O petista Vander destaca que em seu entendimento o veto deve ser derrubado por motivos semelhantes aos apresentados por Fabio. "A aprovação dessa medida foi fruto de uma articulação de prefeitos e parlamentares", comenta.

"Não tem cabimento um veto como esse. Por isso pretendo votar pela derrubada", finaliza Vander. Quem também destaca que votará pelo veto é Dagoberto, que assim como Vander, ressalta que essa é a votação defendida por toda bancada de seu partido.

O contraponto entre eles é Rose Modesto, que frisa ainda estar estudando o caso, mas admite pender a votar pela manutenção do veto. "Eles não deixam claro as contrapartidas das empresas de transporte. Isso é ruim. Quando votamos tínhamos a esperança de melhorar o transporte durante a pandemia e isso não aconteceu", argumenta.

Quem também se manifestou foi Ovando, e se mostrou ainda reticente. "A impressão inicial é de benefício aparente às empresas, mas se faz necessário análise técnica mais pormenorizada e seu impacto. Vou conversar com a liderança e ver o posicionamento".

Tido como governista, Loester Carlos, o Trutis (PSL), não respondeu as indagações da reportagem até o fechamento do texto, situação que se repete com os tucanos Bia Cavassa e Beto Pereira. O espaço permanece aberto caso queiram se manifestar.

Empresas de transporte coletivo alegam redução de usuários e prejuízos durante essa pandemia (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Empresas de transporte coletivo alegam redução de usuários e prejuízos durante essa pandemia (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

O projeto - Após aprovação no parlamento, o projeto foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro do ano passado. A expectativa era que o auxílio de R$ 4 bilhões atendesse as empresas de ônibus, que passam por situação complicada com a queda de usuários no período de pandemia da covid-19.

Segundo João Rezende, presidente do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, o setor está à beira de um colapso, inclusive na capital sul-mato-grossense e o veto causou desconforto nas empresas.

O recurso seria liberado com contrapartidas, como a exigência de que as cidades não fizessem cortes ou redução abrupta da oferta, a garantia da frota necessária para atender a população com segurança sanitária e manutenção das gratuidades.

Além disso, estava previsto o incentivo também a criação de faixas exclusivas de ônibus pelas prefeituras, bem como ciclovias e áreas para pedestres. A ideia inicial, no começo da pandemia, era um auxílio de R$ 6 bilhões, valor que baixou para R$ 4 bilhões.

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