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Política

Em lados opostos, lulista e bolsonarista se identificam na militância

Militano mantém casa com símbolo do PT há 40 anos e José Alexandre se encontrou nas palavras de Bolsonaro

Jéssica Benitez, Karine Alencar e Cleber Gellio | 01/10/2022 17:01
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
Militino (esq) e José Alexandre (dir) acreditam que disputa acaba no 1º turno, mas divergem de resultado. (Fotos: Kisie Ainoã/Cleber Gellio)
Militino (esq) e José Alexandre (dir) acreditam que disputa acaba no 1º turno, mas divergem de resultado. (Fotos: Kisie Ainoã/Cleber Gellio)

Foram 47 dias de campanha oficial mas, na casa de eleitores tidos com  militantes "roxos", os símbolos dos principais adversários e que dividem o País nesta eleição fazem praticamente parte da decoração. Lulista e bolsonarista agarram suas bandeiras, colocam suas camisetas e partem às ruas, certos da vitória já no 1º turno.

Militino Domingos, 78 anos, é aposentado e faz questão de dizer que carrega militância até no próprio nome. Morador do Bairro Parque Novos Estados, há quase quatro décadas mantém a casa ornamentada com cores e símbolos do Partido dos Trabalhadores. Segundo ele, em nenhum dia faltou algo que remeta à legenda em todos esses anos e em época de campanha há reforço.

Casa de Militino no Bairro Jardim dos Estados. (Foto: Kisie Ainoã)
Casa de Militino no Bairro Jardim dos Estados. (Foto: Kisie Ainoã)

Atualmente, por exemplo, quem passa em frente a sua casa se depara não só com bandeiras do candidato a presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também com pequenas lousas com frases que mudam diariamente. Todas, claro, comentando sobre o momento político pelo qual o Brasil passa.

“Sempre que tem desdobramento reajo e colo no quadro negro, aqui eu falo de tudo”. O idoso revela que a estratégia de se expressar escrevendo nas lousas é uma forma de não se calar, porém também uma saída para não se expor, pois, segundo ele, diferente da época em que Dilma Rousseff (PT) era presidente, hoje não se pode opinar livremente.

Militino ao lado do carro vermelho, petista "roxo". (Foto: Kisie Ainoã)
Militino ao lado do carro vermelho, petista "roxo". (Foto: Kisie Ainoã)

“Então eu escrevo e me fecho em casa”. Mesmo com receio, as frases não ficam expostas sempre no mesmo lugar. Militino também faz do carro manuscrito quando precisa se locomover por Campo Grande. “Se eu não escrevo antes de sair, eu não saio feliz porque a vontade de me manifestar é maior que o medo”, conta.

Para o petista o risco de vida é pelo bem social. “Eu fico feliz em saber que as pessoas terão três refeições por dia e nesse governo atual não é possível”.

No outro extremo da cidade mora o casal bolsonarista José Alexandre Belchior, 57 anos, e Maria Cristina Belchior, 50 anos. Ele, arquiteto e presidente do Bairro Iracy Coelho, ela designer de interiores, aderiram à filosofia do presidente Jair Bolsonaro em meados de 2017 e de lá para cá não tiraram mais a camiseta "Deus, pátria e família"

“Estamos juntos há 33 anos e hoje somos 100% bolsonaristas”, conta ele que se candidatou a deputado estadual em 2014 pelo extinto PTN (atual Podemos), mas como não conseguiu se identificar com a sigla, acabou se alinhando ao discurso do atual mandatário. “Quando ouvi o discurso do Bolsonaro me afinei de imediato. A base de tudo é Deus, pátria e família”, avaliou.

Na casa de José Alexandre, bandeiras do Brasil e de Bolsonaro. (Foto: Cleber Gellio)
Na casa de José Alexandre, bandeiras do Brasil e de Bolsonaro. (Foto: Cleber Gellio)

Alexandre, que deixou de conseguir alguns trabalhos devido ao posicionamento político, diz que, ao contrário do que prega a esquerda, quem é de direita também sofre perseguição. “Mas quanto mais fazem isso com a gente, mais ganhamos força”, garante.

Maria Cristina completa alegando que eles só querem um país melhor e isso só será possível com alguém de bem no comando do barco, pessoa essa que para ela só pode ser Bolsonaro. O casal nunca esteve pessoalmente com o presidente, fato que não os impede de falar nele como se fossem velhos conhecidos. “Jair Messias Bolsonaro é um homem diferenciado pela postura dele, pela forma com que ele respeita a democracia, mesmo levando porrada de todo lado. Ele xinga, briga, mas nunca parte para agressão”.

Para finalizar o último dia de campanha, mesmo com as costas “travadas”, o arquiteto levantou cedo e, com a esposa foi para frente de casa adesivar os carros que passavam pela rua. Neste domingo (2), mesmo colocando em xeque o resultado das eleições caso não haja auditoria do Exército, ambos vão votar.

“Esperamos que dê primeiro turno. Que segunda-feira tenhamos a vitória declarada. Só vamos acreditar no resultado das urnas se o Exército estiver na apuração porque eu não acredito no TSE”, disse o arquiteto referindo-se ao Tribunal Superior Eleitoral, órgão responsável pela organização e apuração dos votos.

“Você acha que o Lula vai ganhar? É muito inocente quem acredita nisso. Bolsonaro é unanimidade em todos os lugares”, completou a designe de interiores.

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