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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

26/09/2012 14:11

Fábio Trad alerta para espetáculo na política e cita cientista português

Nadyenka Castro

Deputado federal cobra “ação mais cidadã” do legislativo e menos “espetacularização”

Deputado federal Fábio Trad (PMDB), citou artigo para alertar sobre espetáculo no período eleitoral. (Foto: Divulgação)Deputado federal Fábio Trad (PMDB), citou artigo para alertar sobre espetáculo no período eleitoral. (Foto: Divulgação)

O deputado federal Fábio Trad (PMDB) alerta para espetáculo na política neste período eleitoral e destaca artigo do escritor e doutor em Ciência Política português João Pereira Coutinho, que trata do assunto.

Preocupado com a boa política e com o exercício das funções inerentes a um cargo parlamentar, Fabio Trad tem cobrado em Brasília ação menos “espetacularizada” e mais cidadã do papel do legislativo.

Como exemplo da importância de menos espetáculo na política, o deputado federal citou o artigo do cientista português publicado na edição desta quarta-feira do jornal Folha de São Paulo.

No artigo, João Pereira Coutinho traça um paralelo entre as figuras públicas que se tornam

celebridades políticas da noite para o dia e o resultado direto desta prática: a ameaça de falência do sistema democrático.

Para Coutinho, exemplos desta política de ribalta pululam Brasil afora. Políticos que se transformam em produtos de fácil exportação porque produtos da televisão. “Uma virtude? Longe disso. E os lusitanos deveriam saber, até por experiência própria, que a crise de Portugal também se explica por esse padrão: durante anos, os portugueses não votaram necessariamente nos melhores candidatos. Apenas nos candidatos que tinham maior sucesso midiático. Deu no que deu”, opina.

Coutinho cita Alexis de Tocqueville (1805-1859) e seu alerta contra as "tiranias da maioria" – combatidas com a descentralização política, liberdade de imprensa, reforço do associativismo e separação de poderes – e diz que o pensador francês não contava com a emergência de um novo tipo de regime democrático no século 21: a democracia midiática, “esse sistema que premia os talentos superficiais de um indivíduo (imagem de plástico, discurso populista, sentimentalismo postiço) e ignora as qualidades fundamentais de um líder (coragem, experiência, competência, temperança)”.

Por fim, Coutinho faz um alerta sobre o papel da mídia neste processo, mostrando que ela, se não conduzida com esmero, pode ser um fator decisivo no aprofundamento desta desconstrução do papel da democracia.

“Eis a suprema ironia: a mídia assume-se como o quarto poder, destinado a vigiar e a denunciar os abusos de todos os outros. Mas a própria mídia serve de instrumento, voluntário ou involuntário, para dar luz e palco a personagens que jamais seriam eleitas por suas exclusivas habilitações. O resultado dessa perversidade é que cresce cada vez mais o abismo entre políticos que merecem ganhar eleições.



Os espetáculos eleitorais só acontecem por falta de opção e/ou alternância de poder.
 
Áttila Gomes em 26/09/2012 04:35:50
Espero que quem leu a mensagem tenha entendido, principalmente aos destinatários dela.
 
Lusanildo Rodrigues de Almeida em 26/09/2012 03:27:28
É verdade, a mídia é o 4º poder e nos últimos anos vem colocando os outros 03 no bolso. Infelizmente, num país em que a educação está aquém dos avanços tecnológicos e de informação, quem pode mais, chora menos. Muita informação unida a pouca educação só poderia ter como resultado a capacidade de passar a informação adiante e não de questioná-la e prová-la. É muito mais cômodo não ter que pensar.
 
Marcilene Dutra em 26/09/2012 03:21:25
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