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Política

Julgamento do mensalão começa hoje com ministro no centro de polêmica

Por Aline dos Santos | 02/08/2012 09:11

ONG sediada em Campo Grande quer impedir participação de Toffoli

Toffoli tem participação em julgamento contestada. (Foto: Carlos Humberto)
Toffoli tem participação em julgamento contestada. (Foto: Carlos Humberto)

Os réus do mensalão, maior escândalo político do Brasil, começam a ser julgados nesta quinta-feira no STF (Supremo Tribunal Federal). Realizado sete anos depois das denúncias que abalaram a República, o julgamento deve durar um mês. No esquema, conforme a acusação, o governo Lula pagava aos parlamentares por apoio político.

Hoje, mais uma polêmica, o ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli, tem a participação contestada por ter sido, à época do escândalo, subchefe para assuntos políticos da Casa Civil.

Presidente da ONG Brasil Verdade, o advogado Paulo Magalhães pediu ao Supremo que o ministro seja impedido de participar. Contudo, como não é parte do processo, o caminho natural é que o pedido não seja aceito. Até agora, de acordo com o advogado, o STF não deu retorno.

Dentre os 38 réus, figuram o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, José Delúbio; o ex-deputado federal Roberto Jefferson e o empresário Marcos Valério. Dirceu e Delúbio são acusados de formação de quadrilha e corrupção ativa. Roberto Jefferson responde por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Já Marcos Valério foi denunciado por crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas.

Passo a passo - Na primeira fase, destinada à leitura do relatório, apresentação da acusação e sustentações orais das defesas, serão realizadas nove sessões, até o dia 14 de agosto. No dia 15, deve começar a segunda fase, em que os 11 ministros votam. Cada sessão tem duração de cinco horas, com intervalo de 30 minutos.

No primeiro dia, o presidente do STF, ministro Ayres Britto, abre a sessão e, em seguida, passa a palavra para o relator da AP 470, ministro Joaquim Barbosa.

Após a leitura do relatório, o presidente passará a palavra para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação no processo.

As sustentações orais dos advogados dos 38 réus começam no dia 3 de agosto.

De 6 a 14 de agosto, as sessões serão realizadas diariamente, de segunda a sexta-feira. Na segunda fase, a partir de 15 de agosto, o cronograma aprovado prevê a realização de três sessões por semana: às segundas, quartas e quintas.

Avassalador - O mensalão chegou a conhecimento público em 2005. O fio da meada foi a divulgação de um vídeo pela revista Veja. O então funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparecia recebendo propina e contando sobre um esquema montado dentro dos Correios para desvio de dinheiro dos contratos com outras empresas. “Aqui nós somos três que trabalhamos fechado. Os três são designados pelo PTB, pelo Roberto Jefferson”, disse Maurício Marinho.

Ao ser acusado no esquema dos Correios, Roberto Jefferson, que era deputado federal e presidente do PTB, resolveu denunciar. Segundo ele, deputados do PP e do PL, atual PR, recebiam R$ 30 mil por mês para votar os projetos de interesse do governo Lula.

O então deputado disse que o esquema era de conhecimento de José Dirceu e tinha participação do tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Em contrapartida, inocentou o presidente Lula. Na época, foi aberta a CPI dos Correios, cujo presidente era o senador Delcídio Amaral (PT).

Jefferson contou que o dinheiro era pago no Banco Rural e que assessores dos parlamentares eram encarregados de buscar a propina na agência. Um dos saques, de R$ 50 mil, foi feito pela mulher do deputado João Paulo Cunha, do PT, que na época era presidente da Câmara.

Em seguida, surgiu a figura de Marcos Valério, um empresário da área de propaganda, de Minas Gerais, e que seria o responsável pelo dinheiro do esquema. As contas das duas principais agências de Marcos Valério movimentaram mais de R$ 25 milhões entre 2003 e 2004. Valério contou que tomava empréstimos bancários e repassava o dinheiro para o PT pagar despesas de campanhas eleitorais.

Além dele, foram avalistas do empréstimo três dirigentes do partido dos trabalhadores: José Genoino, então presidente do PT, o tesoureiro Delúbio Soares, e Sílvio Pereira, secretário-geral. A espiral de denúncias ainda envolveu o publicitário Duda Mendonça, e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken. (Com informações do por Portal G1).

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