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Política

Motoristas apresentam a Boulos aplicativos próprios como alternativa às gigantes

Encontro contou com a participação da bancada do PT da Câmara Municipal e da deputada federal Camila Jara (PT)

Por Fernanda Palheta e Mylena Fraiha | 17/09/2026 17:05
Motoristas apresentam a Boulos aplicativos próprios como alternativa às gigantes
Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PT), durante reunião com motoristas de aplicativo na Câmara Municipal de Campo Grande, nesta quinta-feira (17) (Foto: Paulo Francis)

Depois de uma hora em reunião com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PT), na tarde desta quinta-feira (17), os motoristas de aplicativos de Campo Grande apontaram que o caminho para melhorar as condições de trabalho da categoria é fortalecer plataformas próprias.

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Motoristas de aplicativos de Campo Grande se reuniram com o ministro Guilherme Boulos e defenderam o fortalecimento de plataformas regionais como solução para melhorar as condições de trabalho da categoria. Representantes relataram jornadas exaustivas e remuneração injusta imposta pelas grandes operadoras. Como alternativa, motoristas criaram o aplicativo Upmobility, que cobra R$ 1,00 por corrida para manutenção da plataforma.

O encontro contou com a participação da bancada do PT da Câmara Municipal e da deputada federal Camila Jara (PT) e faz parte da atuação do ministro, que está percorrendo o Brasil ouvindo as demandas dos motoristas de aplicativos. Para os sul-mato-grossenses, a falta de pontos de apoio é um problema secundário.

O motorista de aplicativo e representante da Te Levo, Cristiano Cesar Trindade Guilherme, afirma que não há incentivo para a consolidação de aplicativos regionais. Segundo ele, a própria regulamentação municipal já traz as primeiras barreiras.

"Ai as grandes operadoras transformaram o transporte por aplicativo em algo mais barato que a passagem de ônibus. E quem paga o preço é quem está na ponta: o motorista. Porque, ao mesmo tempo em que elas jogam o dinâmico lá e pagam um preço legal na corrida, colocam o colega numa região e depois jogam uma corrida de R$ 1 por quilômetro, R$ 0,80, R$ 1,10. E o colega chega a uma hora em que precisa aceitar a corrida, porque tem que sair de lá, tem que voltar. Então, é um jogo desumano", exemplificou.

O resultado, segundo ele, são jornadas de trabalho exaustivas. "Ontem eu vi um vídeo de um colega que ficou 24 horas na rua para ganhar R$ 500. Vinte e quatro horas rodando. Isso é um absurdo. E aí tem todo o desgaste do carro dele, e esse desgaste não está na conta", disse.

Para o motorista, as plataformas regionais serviriam para oferecer um serviço com preço justo tanto para os usuários como para os motoristas. "Para que ele consiga tirar o sustento da família sem ficar 12, 13, 14, 15 horas trabalhando", completou.

O motorista Elvis Quirino da Silva, conhecido como "Corumbazinho" e líder do Rota MS, conta que, em busca de uma alternativa, se juntou com outros motoristas e criou o aplicativo Upmobility. "A gente precisa de apoio. A gente precisa que vocês olhem para a gente, para entender não somente a realidade de São Paulo, de Minas Gerais, mas a realidade de Campo Grande", disse.

Ele explica que o aplicativo, desenvolvido por motoristas que estão nas ruas todos os dias, cobra R$ 1,00 por motorista por corrida. "E esse valor é para a gente manter a plataforma. A gente não quer ganhar com isso aqui. A gente quer manter a plataforma, ter um valor justo e trabalhar menos. Porque, hoje em dia, a nossa rotina é intensa", relata.

A demanda surgiu para garantir uma jornada de trabalho menor. "A gente quer trabalhar menos, quer ter mais tempo com a nossa família, e hoje o motorista de aplicativo não tem tempo com a família. A gente tem que dobrar [a jornada] por conta dos valores, e as grandes plataformas fazem o que querem com a gente", completou.

O ministro aponta que plataformas menores, como as apresentadas na reunião, estão mais abertas ao diálogo. "Muitas vezes se dispõem a fazer parcerias, até porque têm uma relação diferente com os trabalhadores. As grandes plataformas têm tido muita dificuldade e muita resistência à atuação do governo para defender esses trabalhadores. Porque essas plataformas não querem nenhum tipo de regra. Elas não querem. Elas querem deixar como está", disse.

"E deixar como está é um negócio em que o trabalhador trabalha, trabalha 12 horas em cima de uma moto, 12 horas atrás de um volante, e mal consegue o dinheiro para fechar as contas. Nós precisamos equilibrar essa balança", completa.

Para Boulos, o objetivo principal de ouvir a categoria é entender quais são as demandas reais. "Para além dessa parte mais burocrática que nós vamos tratar hoje, é o seguinte: é tirar esses trabalhadores da invisibilidade. O motorista de Uber, o entregador de delivery, o mototaxista nunca foram enxergados. Esses trabalhadores sempre foram colocados na invisibilidade. Eles não têm direito. O motoqueiro, muitas vezes, arrisca a vida para poder levar comida na nossa casa", defende.

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