“Regado” a água de coco e isotônico, Sandro cruza MS rumo à Chapada
Elefante chegou a Campo Grande por volta das 12h30 e ainda possui 24h de viagem pela frente
Cruzando Mato Grosso do Sul rumo à Chapada dos Guimarães (MT), o elefante Sandro, de 55 anos, já percorreu mais de 24 horas de viagem desde Sorocaba (SP) e chegou a Campo Grande nesta quinta-feira (17). Segundo o Santuário de Elefantes Brasil, responsável pelo transporte, o animal tem se mantido tranquilo durante o trajeto, com paradas periódicas para hidratação, alimentação, limpeza e acompanhamento de perto da equipe. Este é o 4° elefante que passa pelo Estado nos últimos dois anos.
RESUMO
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O elefante asiático Sandro, de 55 anos, está sendo transferido do Zoológico de Sorocaba para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT). Após mais de 24 horas de viagem, o animal chegou a Campo Grande nesta quinta-feira (17), sendo monitorado por câmeras e com paradas a cada quatro horas. No novo lar, Sandro terá um habitat de 40 mil metros quadrados com floresta e lagos, separado das seis fêmeas residentes.
De acordo com o biólogo e diretor do santuário, Daniel Moura, Sandro está sendo monitorado por câmeras instaladas dentro da caixa de transporte, mas a equipe também faz paradas a cada três ou quatro horas, conforme a necessidade e as condições da viagem, para verificar pessoalmente como ele está.
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“Está sendo muito tranquilo, desde a adaptação dele lá no zoológico quanto todo o percurso”, afirmou Daniel. O trajeto entre Sorocaba e o destino final ainda terá mais de 24 horas pela frente.
Antes da viagem, Sandro passou quatro dias em processo de aclimatação à caixa de transporte, que foi instalada no recinto onde ele vivia. Segundo Daniel, o elefante entrou imediatamente no espaço e permaneceu tranquilo durante o período de adaptação.
Apesar da tranquilidade demonstrada durante a viagem, o comportamento de Sandro ainda é uma incógnita para a equipe. Isso porque, segundo Daniel, o elefante passou décadas em condições que não permitiam observar como ele se comportaria em um ambiente naturalizado.
No zoológico onde vivia, Sandro permanecia parte do dia em uma contenção de cerca de 30 metros quadrados e tinha acesso a um recinto de aproximadamente mil metros quadrados, sem elementos naturais. Para o biólogo, somente quando o animal tiver liberdade para escolher onde ficar e o que fazer será possível conhecer de fato sua personalidade.
“A gente só vai saber como o Sandro é, como o Sandro é um elefante, quando a gente oferecer um espaço natural para ele”, explicou Daniel.
No novo lar, o animal terá um habitat de aproximadamente 40 mil metros quadrados, separado da área onde vivem seis fêmeas. O espaço terá floresta, lagos e outros elementos naturais. As duas áreas possuem conexões laterais, permitindo que os elefantes se aproximem e tenham contato pela grade.

Ainda conforme o diretor, Sandro não será colocado junto às fêmeas. De acordo com Daniel, machos adultos normalmente deixam os grupos formados por fêmeas quando chegam à idade reprodutiva e passam a viver de forma mais independente, podendo manter contato com outros machos.
A separação também evita a reprodução. Embora Sandro tenha 55 anos, a equipe explica que machos podem continuar produzindo espermatozoides por grande parte da vida. No santuário, a proposta não é reproduzir os animais, mas oferecer condições adequadas para que vivam até o fim da vida.
As seis fêmeas terão uma área maior, de aproximadamente 300 mil metros quadrados. Sandro poderá se aproximar delas por meio das conexões entre os habitats, caso demonstre interesse. A decisão de ter ou não contato ficará a cargo dos próprios animais.

Alimentação
Durante o deslocamento, a equipe decidiu não alterar a alimentação de Sandro. Conforme Célia Frattini, diretora financeira do Santuário de Elefantes Brasil, ele continua recebendo os mesmos alimentos que consumia no zoológico para evitar mudanças durante uma viagem que já representa uma grande alteração na rotina.
A hidratação, porém, está sendo reforçada. Além de água, a equipe oferece bebidas para auxiliar na reposição durante o percurso e faz paradas frequentes para acompanhar as condições do animal.
Depois da chegada e do período de adaptação ao novo ambiente, Sandro deverá passar por uma avaliação mais detalhada. Célia afirma que a intenção é realizar exames, incluindo coleta de sangue, já que, segundo ela, o elefante não passa por esse tipo de avaliação há mais de uma década. “Imagina um ser humano, na minha idade, por exemplo, não fazer um exame de sangue há mais de 10 anos”, comparou Célia.
A mudança para a Chapada dos Guimarães encerra uma história de décadas de Sandro em zoológico. O elefante asiático foi capturado na Ásia em 1971 e passou pelo circo Orlando Orfei antes de chegar ao Zoológico de Sorocaba, onde viveu desde 1982. A companheira Haisa chegou ao local em 1995 e morreu em 2020.
4º Elefante a cruzar o MS
Sandro é o quarto elefante a cruzar Mato Grosso do Sul nos últimos dois anos em viagens com destino ao santuário. A primeira foi Pupy, em abril de 2025. A elefanta africana saiu da Argentina e percorreu cerca de 2.690 quilômetros até a Chapada dos Guimarães, passando pela BR-163 e sendo acompanhada por equipes de segurança durante o trecho sul-mato-grossense.
Em julho do mesmo ano, foi a vez de Kenya. Também vinda da Argentina, a elefanta africana percorreu aproximadamente 3,6 mil quilômetros até o santuário. Ela chegou a passar por Campo Grande durante o trajeto, que contou com monitoramento e paradas para alimentação, hidratação e descanso.
Cinco meses depois de cruzar Mato Grosso do Sul, Kenya morreu no santuário. A instituição informou, na época, que os dados preliminares da necropsia apontavam alta probabilidade de tuberculose em estágio avançado. Ela tinha idade estimada em 44 anos.
Já em junho deste ano, Baby, de 34 anos, foi a terceira elefanta a passar pelo Estado a caminho da Chapada dos Guimarães. Nascida nos Estados Unidos e depois mantida em circo e no Beto Carrero World, ela percorreu cerca de 1,9 mil quilômetros até o novo lar.
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