ACOMPANHE-NOS    
AGOSTO, DOMINGO  07    CAMPO GRANDE 28º

Política

Mandetta espera definição do DEM para conversa sobre continuar no partido

Partido segue sem presidência oficial em MS desde 04 de dezembro de 2020

Por Gabriela Couto | 15/02/2021 12:54

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pode deixar o DEM nos próximos dias - (Foto: Adriano Machado/Reuters)
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pode deixar o DEM nos próximos dias - (Foto: Adriano Machado/Reuters)

A Comissão Provisória do Democratas deve ser mantida por mais 60 dias. Desde 1º de fevereiro deste ano o partido está oficialmente sem comando.

O último presidente provisório da legenda, vice-governador, Murilo Zauith, não quis continuar no comando da sigla e desde 04 de dezembro o partido segue sem representantes legítimos do diretório.

De acordo com o integrante da cúpula do DEM, José Saraiva Braz, a publicação da nomeação mantendo a mesma executiva por mais dois meses não foi feita ainda por conta do feriado de Carnaval. “Semana que vem será feita a publicação da nomeação mantendo a mesma executiva por mais 60 dias.”

O partido que mais cresceu nas eleições de 2020 segue rachado no Estado e no país. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, vai aguardar a reunião do diretório para ter uma conversa “olho no olho” com os integrantes da cúpula.

Mandetta deseja disputar a eleição para presidente do Brasil em 2022, mas parte do partido está aliado ao atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Inclusive a Ministra da Agricultura,  Tereza Cristina (DEM) é cotada para compor a chapa de reeleição de Bolsonaro como vice-presidente.

O racha nacional também foi visível durante a votação para presidência da Câmara dos Deputados. Depois que Rodrigo Maia (DEM) orientar os parlamentares a apoiar Baleia Rossi (MDB), houve uma debandada de votos do candidato adversário, Arthur Lira (PP), que contou com o apoio de Bolsonaro. Quem votou em Lira ganhou parte da distribuição de recursos e cargos do governo federal que utilizou a máquina para fazer a manobra polícia.

Há alguns dias, o presidente nacional do DEM, ACM Neto, disse à Folha de São Paulo que o partido pode sim ser aliado do presidente em 2022.

"Nós não estaremos com os extremos. Você pergunta se eu descarto inteiramente a possibilidade de estar com Bolsonaro. Neste momento não posso fazer isso. Qual Bolsonaro vai ser? Os dos dois últimos anos que passaram? Não queremos. Agora, haverá um reposicionamento? Para a construção de algo mais amplo, que não fique limitado à direita? Não sei. Então, não posso responder agora. Portanto, seja Doria, Bolsonaro, Huck, Ciro [Gomes], [Luiz Henrique] Mandetta, qualquer um dos nomes, vamos saber com o passar do tempo se vai ter mais ou menos chance."

Mandetta rebateu ACM Neto, já que o pronunciamento colocaria um ponto final no sonho do ex-ministro de disputar a presidência da República em 2022. "Ele não descarta nada, tudo pode ser. É tipo maria-mole, que vai pra um lado, vai pra outro. É tudo dúbio. Sem nenhuma convicção. São palavras ao vento. Sem substância. [O partido] parece um bicho que tem uma cabeça para um lado, uma perna para outro", completou.

ACM Neto também deve conversar com Mandetta nos próximos dias.  “Nós ainda não confirmamos quando vai acontecer, mas já sinalizamos uma conversa. Sem ser essa semana, a partir da outra. Ainda sem local ou data, mas ainda este mês, para tratar sobre o presente e o futuro”, disse ACM Neto ao Estadão.

Mandetta e Maia já traçam outros rumos na política nacional por não terem mais o mesmo espaço interno no partido. As próximas semanas serão decisivas para o ex-ministro que é cotado nas pesquisas de intenção de voto para 2022. No fim de janeiro, pesquisa Atlas mostrou o médico com 3,4% das intenções de voto, porcentual próximo daquele obtido pelo governador tucano de São Paulo, João Doria (3,6%), e maior que o apresentador Luciano Huck (1,9%).

Nos siga no Google Notícias