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Política

Polícia Civil confirma investigação de assédio sexual contra ex-prefeito

Delegado divulga número para novas denúncias e afirma que o trabalho policial não terá influência política

Gabriela Couto | 26/07/2022 11:30
Delegada da Deam que apura os casos, Maíra Pacheco, delegado-geral Roberto Gurgel e o diretor do DPE (Departamento de Polícia Especializada), Edilson dos Santos. (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegada da Deam que apura os casos, Maíra Pacheco, delegado-geral Roberto Gurgel e o diretor do DPE (Departamento de Polícia Especializada), Edilson dos Santos. (Foto: Henrique Kawaminami)

Depois do vazamento de informações sobre investigações de crimes contra a mulher que teriam sido cometidos pelo ex-prefeito de Campo Grande e atual pré-candidato ao governo do Estado, Marquinho Trad (PSD), a Delegacia-Geral de Polícia Civil confirmou a investigação dos casos em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (26), na sede da entidade.

Sem dar maiores detalhes, por conta de alegado sigilo das investigações, a polícia civil afirmou que foi procurada por vítimas do ex-prefeito. O caso está nas mãos da delegada-adjunta da DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento a Mulheres), Maíra Pacheco Machado. Ela está no departamento há sete anos.

Delegada da Deam, Maíra Pacheco. (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegada da Deam, Maíra Pacheco. (Foto: Henrique Kawaminami)

Maíra disse que apura crimes contra dignidade sexual, como assédio, estupro na forma tentada, favorecimento à prostituição, entre outros. “São autos que correm em segredo de justiça. Inicialmente tivemos a denúncia de quatro vítimas e posteriormente quando essas notícias foram veiculadas na semana passada, outras vítimas têm nos procurados. Muitas vezes a única materialidade que temos é a palavra da vítima de crimes que acontecem entre quatro paredes”, destacou.

Em momento algum o nome do ex-prefeito e candidato ao governo foi citado pelas autoridades. O inquérito está em fase de oitivas que vão resultar em diligências. A investigação segue por 30 dias e podem ser prorrogadas, caso necessário. Após a apuração o caso será levado ao Ministério Público, que poderá denunciar criminalmente ou não os envolvidos.

“Temos casos recentes e outros distantes. Acontece que neste momento elas não se sentem tão ameaçadas e estão mais confortáveis para denunciar”, justificou. A Polícia Civil não confirmou o número de denúncias investigadas. E não sabe informar como a investigação vazou.

Três medidas protetivas para as supostas vítimas foram indeferidas pelo Judiciário. Apesar disso, o delegado-Geral Roberto Gurgel, afirmou que está sendo dado apoio institucional para as denunciantes. “Estamos dando todo respaldo e elas podem nos comunicar a qualquer momento possíveis ameaças e perseguições.”

Delegado-geral Robergo Gurgel. (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegado-geral Robergo Gurgel. (Foto: Henrique Kawaminami)

Gurgel afirmou que a entrevista coletiva foi decidida em função da grande repercussão do caso e "para prestar contas do trabalho executado pela polícia".

Ele acrescentou que o trabalho que está sendo realizado é o mesmo dado a outras mulheres. “Não estamos tratando como um caso político. Aqui estamos fazendo polícia. Não é fake news, não é prostituição, não é política. A atividade da polícia é judiciária. O que falam lá fora não interfere. Vou defender a instituição. Quem faz política é lá fora. Vamos respeitar os prazos”, destacou.

Durante a coletiva, as autoridades foram surpreendidas com notícia do site da revista Veja que afirmou ter acesso a uma declaração feita em cartório por uma das mulheres, onde ela diz ter recebido dinheiro para mentir em uma das denúncias. Sem saber do conteúdo, eles destacaram que vão investigar também falsa comunicação de crime.

Para mulheres que quiserem falar diretamente com a delegada Maíra para novas denúncias tem o canal aberto, disponível 24h, pelo telefone celular (67) 9 9324-4898.

O caso –  Até o momento, 9 mulheres (e o marido de uma delas) procuraram a Polícia Civil, que já abriu inquérito para investigar denúncias de assédio sexual cometido pelo ex-prefeito da Capital, Marcos Trad. As investigações estão concentradas na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande.

Ao Campo Grande News Trad nega as acusações e disse que seus advogados estão reunindo provas "robustas" que confirmariam uma "armação".  Ele também convocou uma coletiva de imprensa para falar do caso nesta terça-feira (26).

As vítimas têm entre 21 e 49 anos e os crimes estariam acontecendo desde 2005. A investigação foi aberta após as primeiras denúncias, feitas por quatro mulheres: duas de 32 anos, outra de 31, e uma mais jovem, de 21 anos.

Das 4 já ouvidas pela delegada Maíra Pacheco Machado, apenas uma não teria mantido relações sexuais com o ex-prefeito da Capital. Depois delas, outras cinco (e o marido de uma delas) também procuraram a polícia para denunciar assédio sexual.

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