Rumores sobre vice surpreendem aliados e mantêm futuro de Tereza em aberto
Ovando diz que a senadora dizia não querer a vaga e atribui mudança às negociações que dependem de Federação
A possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro das articulações da direita nesta quinta-feira (30), depois que veículos nacionais noticiaram que ela teria aceitado o convite para disputar a Vice-Presidência da República. A informação, porém, foi imediatamente relativizada pela própria senadora em nota divulgada por seu gabinete.
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De concreto, ela afirma apenas que o diálogo faz parte das conversas naturais entre lideranças políticas durante o período de definição das candidaturas e não significa compromisso firmado.
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A cautela da senadora contrasta com o clima de expectativa criado nas últimas horas e também surpreendeu aliados. Um deles é o deputado federal Luiz Ovando (PP), que era contra a aliança. Ele afirmou ao Campo Grande News ter recebido a notícia com certa incredulidade. "Pra mim é surpresa, porque ela dizia sempre que não queria", afirmou.
Segundo o parlamentar, Tereza Cristina manifestou diversas vezes que seu principal projeto político era disputar a presidência do Senado caso fosse reeleita. "Ela falou várias vezes que queria ser presidente do Senado. Esse era o objetivo", disse. Uma decisão de se aliar a Flávio Bolsonaro fecharia a porta da presidência do Senado pelo desgaste óbvio que a disputa provocaria.
Embora ressalte não ter conversado com a senadora nesta quinta-feira, Ovando acredita que, se realmente houver uma mudança de posição, ela dificilmente ocorrerá sem um entendimento mais amplo envolvendo a direção nacional da federação que une o Progressistas e o União Progressista. O problema é que a federação e especialmente o comando do PP já haviam tomado a decisão de neutralidade no pleito presidencial deste ano.
"Isso ainda depende da decisão da federação. Mas, se ela aceitou, provavelmente houve outros acertos que facilitaram essa decisão", avaliou.
Apesar da cautela, o deputado considera que a eventual presença de Tereza Cristina fortaleceria uma candidatura presidencial. Para ele, a senadora reúne atributos políticos capazes de ampliar o diálogo do candidato com diferentes segmentos do país. A maior força da senadora está no agronegócio e na indústria.
"Ela tem uma história de eficiência, competência e boa reputação do ponto de vista político-administrativo. Tem credibilidade, é conhecida nacionalmente e tem condição de somar", afirmou.
Ovando pondera, entretanto, que o peso de um vice depende mais da composição política do que da transferência automática de votos.
"Ninguém vota no vice. Você vota no candidato principal. Mas, em determinadas situações, o vice pode contribuir para melhorar uma candidatura", disse.
Bastidores - Nos bastidores do PP, entretanto, o clima está longe de ser de definição. Um interlocutor próximo de Tereza Cristina, ouvido sob reserva pelo Campo Grande News, afirmou que esta é a terceira vez, em poucos dias, que circulam informações apontando como certa a entrada da senadora na chapa presidencial, seguidas de desmentidos ou recuos.
A repetição do movimento seria parte da pressão típica dos dias que antecedem a oficialização das candidaturas, mas especulações não significam necessariamente que a decisão esteja fechada.
O interlocutor também atribui parte dos rumores às manifestações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que, segundo ele, já tratou a hipótese como praticamente definida em outras ocasiões, causando desconforto dentro do entorno da senadora. Tereza Cristina teria ficado incomodada com a antecipação pública de uma decisão que, até agora, sustenta oficialmente ainda não ter tomado.
O episódio ocorre justamente na reta final das negociações entre os partidos para a formação das chapas presidenciais, período em que lideranças nacionais intensificam conversas e tentam ampliar alianças. Aliados da senadora preferem tratar as notícias divulgadas nesta quinta-feira como parte da disputa política e das pressões naturais que antecedem a definição oficial das candidaturas. Mas o fato de ter aceitado discutir a vaga de vice com Flávio Bolsonaro já é uma mudança e tanto.


