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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

27/11/2015 13:49

Serralheiro afirma que Olarte ofereceu serviços em troca de cheques

Filipe Prado e Antonio Marques
Edmundo contabilizou dívida de R$ 160 mil (Foto: Fernando Antunes)Edmundo contabilizou dívida de R$ 160 mil (Foto: Fernando Antunes)

Em troca de prestação de serviços para prefeitura, o serralheiro Edmundo de Freitas Carreiro afirmou que o prefeito afastado Gilmar Olarte (PP) pediu para que ele trocasse cheques na sua empresa, acumulando dívida de R$ 160 mil. Somente dois cheques foram quitados, sendo que 13 não tiveram o pagamento realizado.

O serralheiro, durante o depoimento, contou que conheceu Olarte em 2006 na ADNA (Assembleia de Deus Nova Aliança), onde o réu era pastor. Ronan Feitosa, ele teria conhecido pouco tempo depois por volta de 2007 ou 2008. Durante a campanha do ex-prefeito, Edmundo disse ter contribuído com cerca de três vezes com valores de R$ 200,00 a R$ 300,00, que seria usado para compra de combustível.

Depois Olarte, oferecendo ajuda com prestações de serviço para a prefeitura, através de empresas tercerizadas, pediu para que Edmundo realizasse a troca de cheques. O serralheiro contou que os valores variavam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, onde somente três cheques, de 16, foram pagos. "Tenho uns 13 cheques sem fundos na praça, que Olarte se comprometeu em pagar a dívida e nada fez até hoje", contou.

Edmundo detalhou o esquema montado para atender o vice-prefeito. Ronan levavam os cheques pela manhã em sua empresa. Como a serralheria tinha cadastro com uma factoring, Edmundo trocavam os cheques e por volta das 14 horas, Ronan passava na empresa para pegar o dinheiro.

Como o volume foi aumentando, Edmundo disse que desconfiou que que Ronan estaria desviando o dinheiro e não entregando o recurso ao vice-prefeito. Então, ele decidiu ir levar o dinheiro pessoalmente a Gilmar Olarte na Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico). Acompanhado do irmão, Edmundo afirmou que entregou o dinheiro nas mãos de Olarte. Ele ainda teria dito ao empresário e fiel para continuar ajudando o Ronan. "Ele bateu nas minhas costas e disse você é parceiro", relatou a testemunha.

Porém, pouco tempo depois seus cheques começaram a voltar e ficou muito mais difícil o contato com Ronan e o próprio Olarte. Nas poucos vezes que conseguiu falar com o vice-prefeito, Olarte teria garantido que acertaria tudo e pediu para que ele procurasse o advogado Rodrigo Pimentel.

Por volta do mês de setembro de 2013, Edmundo foi até o escritório de Rodrigo Pimentel para cobrar a dívida, mas ele teria dito que as dívidas seriam pagas quando Olarte se tornasse prefeito. O serralheiro questionou o prazo, então Pimentel disse: "você vai duvidar da palavra de um pastor evangélico".

A dívida do serralheiro, sem juros, chega a R$ 160 mil. “Só quero que a dívida seja paga. Não negociei vantagens, só quero que ela seja quitada”, comentou. Ao ser questionado pelo promotor Paulo Passos sobre qual o impacto desse prejuízo para sua vida, Edmundo embargou a voz, respirou fundo e não conseguiu responder. Ficou alguns segundos calado e não conseguiu falar sobre o assunto.

Salém Pereira Vieira é a quinta testemunha a prestar depoimento, depois será realizado um recesso, retornando a audiência às 14h30, no plenário criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).




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