Site falso usa dados reais de eleitores para cobrar taxa de R$ 47,90
Página imita sistema da Justiça Eleitoral e ameaça bloquear voto para induzir pagamento
A dois dias do primeiro turno das Eleições 2026, um site falso que imita páginas da Justiça Eleitoral está usando dados pessoais verdadeiros para tentar convencer eleitores a pagar R$ 47,90 por uma suposta pendência no título.
RESUMO
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A fraude foi identificada pela empresa de segurança digital ESET Brasil. A página reproduz elementos visuais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, após o usuário informar o CPF, apresenta informações como nome completo e nome da mãe. A estratégia aumenta a aparência de legitimidade da consulta.
Segundo a empresa, não há evidências de que os dados tenham sido obtidos de sistemas da Justiça Eleitoral. A origem das informações pessoais utilizadas pelos golpistas é desconhecida.
Depois da consulta, a página informa que o título estaria irregular e apresenta uma cobrança fixa de R$ 47,90. Nos testes realizados pela ESET, diferentes CPFs receberam o mesmo valor, dividido pelo site entre suposta ausência eleitoral, encargos administrativos e uma alegada taxa de regularização cadastral.
Na etapa de pagamento, a página disponibiliza QR Code e código Pix. A empresa identificou que o destinatário apresentado na transação era uma empresa com sede em Curitiba, e não o Tesouro Nacional. A ESET não confirmou se a empresa indicada como recebedora participa da fraude ou atua apenas como intermediária do pagamento.
A página também tenta pressionar o eleitor com avisos sobre supostas consequências caso o pagamento não seja feito, entre elas impedimento para votar e restrições no acesso a serviços e benefícios públicos.
O pesquisador de segurança Jonathan Ramos, da ESET, explica que o uso de informações verdadeiras ajuda a diminuir a desconfiança da vítima. Ao mesmo tempo, as ameaças de consequências imediatas criam senso de urgência para que o pagamento seja feito antes que o eleitor confira se está realmente em um ambiente oficial.
Como saber se a cobrança é verdadeira
O TSE já havia alertado neste ano para golpes que usam páginas semelhantes às da Justiça Eleitoral e falsas pendências vinculadas ao CPF. O Tribunal orienta que o eleitor não utilize links recebidos por mensagens para consultar a própria situação e faça a verificação diretamente pelo e-Título ou pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
Os serviços de consulta e regularização eleitoral são gratuitos. Isso, porém, não significa que um eleitor nunca possa ter valores a pagar. Multas por ausência às urnas ou aos trabalhos eleitorais podem existir e podem ser quitadas por Pix, boleto ou cartão.
No caso do Pix, há uma forma simples de conferir a cobrança: o TSE orienta que o recebedor seja o Tesouro Nacional, identificado como Secretaria do Tesouro Nacional. O pagamento oficial é processado pelo PagTesouro. Se aparecer uma pessoa física ou outro destinatário, a orientação é não concluir a transferência.
Outro sinal de alerta está no endereço da página. O site identificado pela ESET utiliza domínio terminado em “.online”, enquanto os serviços oficiais devem ser acessados diretamente pelos endereços da Justiça Eleitoral.
O cadastro eleitoral está fechado desde 7 de maio e somente será reaberto em 3 de novembro. Até lá, estão suspensos serviços como emissão do primeiro título, transferência de domicílio eleitoral e atualização cadastral. A consulta da situação eleitoral e o pagamento de eventuais multas continuam disponíveis.
Quem já tiver feito um Pix após cair em uma fraude deve procurar imediatamente o banco pelos canais oficiais, comunicar o golpe e pedir a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução) do Pix. Também é recomendado registrar boletim de ocorrência.


