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Política

Voto de eleitores com mais de 70 anos cresce e atinge índice recorde em MS

No Estado, 193.811 pessoas nessa faixa representam 9,73% do eleitorado, cerca de 1 voto a cada 10

Por Anderson Viegas | 24/04/2026 14:09


Voto de eleitores com mais de 70 anos cresce e atinge índice recorde em MS
Tereza Arakaki, de 92 anos: "Votar é um dever que cumprimos como brasileiros" (Foto: Anderson Viegas)

RESUMO

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Em Mato Grosso do Sul, 193.811 eleitores têm 70 anos ou mais, o que representa 9,73% do eleitorado, e a participação desse grupo vem crescendo nas últimas eleições. Em 2024, 52,39% dos aptos votaram, recorde desde 2012. Especialistas atribuem o avanço ao envelhecimento populacional, melhores condições de saúde e senso de dever. O TSE destaca o voto como direito e promove campanhas para incentivar a presença dos idosos nas urnas.

De cada 10 eleitores de Mato Grosso do Sul, aproximadamente um tem 70 anos ou mais. São 193.811 pessoas nessa faixa etária entre os 1.991.996 aptos a votar no estado, o equivalente a 9,73% do eleitorado, segundo dados até o dia 20 de abril do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E a participação dessa fatia do eleitorado, que a partir dessa idade tem a prerrogativa do voto facultativo, ou seja, o direito de escolher seus representantes deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma opção, tem crescido nas últimas três eleições no estado.

Em 2020, de um total de 153.598 eleitores 70+, 63.719 votaram, o que representou 41,48% do total. No pleito seguinte, em 2022, das 339.018 pessoas dessa faixa etária aptas a votar, 162.566 exerceram o direito, o equivalente a 47,95%. Em 2024, dos 231.820 habilitados, 121.442 compareceram às urnas, atingindo o percentual de 52,39%, recorde de participação no estado desde a disponibilização da série histórica pelo TSE, em 2012.

Entre os motivos apontados por eleitores 70+ e especialistas em análise política e demográfica do estado para esse crescente engajamento estão aspectos como sentimento de dever, compromisso, esperança no futuro, vontade de participar, costume, constrangimento moral e envelhecimento populacional.

Para o cientista político e professor do curso de Ciências Sociais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Daniel Miranda, mesmo com o voto facultativo após os 70 anos, a participação dos idosos aumenta em razão do crescimento do número de pessoas nessa faixa etária, da melhoria das condições de saúde e de fatores culturais e comportamentais.

“Eu acredito que o fator mais imediato é o crescimento demográfico dessa população. Mas tem também a melhoria nas condições de saúde. A análise da abstenção aponta uma pirâmide, em que, à medida que avança a faixa etária, aumenta também a abstenção, devido às condições de saúde e locomoção. A tendência é que a abstenção seja sempre maior à medida que avança a faixa etária”, aponta.

O hábito e o vínculo com uma responsabilidade, que, mesmo extintos, continuam a fazer parte do caráter do eleitor, são outros aspectos que ajudam a explicar esse aumento da presença de eleitores com 70 anos ou mais nas eleições, conforme o cientista político. “Vontade de participar, costume e, ou, constrangimento moral, pois pessoas mais velhas têm mais apego à ideia de ter um compromisso e cumpri-lo”.

Tereza Arakaki, de 92 anos, é uma das eleitoras que, por lei, não têm mais a obrigação de votar, mas ainda sente que mantém esse compromisso como cidadã. “Eu voto pertinho de casa. O colégio onde está minha seção é um pulinho. Então, eu e meu marido vamos. Para nós é um dever que cumprimos como brasileiros, sempre acreditando, tendo esperança de que as coisas vão melhorar, tanto que nunca perdi uma eleição, votei em todas, graças a Deus”.

Voto de eleitores com mais de 70 anos cresce e atinge índice recorde em MS
José Cabreira, 82 anos: "Acho importante votar para ver se melhora alguma coisa" (Foto: Anderson Viegas)

Os mesmos sentimentos de Tereza movem José Cabreira, de 82 anos, a continuar votando. “Acho importante votar para ver se melhora alguma coisa, apesar de estar cada vez pior. É um compromisso e eu sempre votei”, disse, completando que acredita que, apesar da crescente participação de sua faixa etária nos pleitos, isso ainda não se reflete em ações efetivas dos políticos eleitos para melhorar as condições de vida dos idosos. “Eu não acredito. Eles prometem para nós que vão fazer isso, aquilo e não fazem nada. Não acredito que o fato de o idoso participar mais das eleições reflita em mais benefícios para nós”.

Para estudar o quadro, o analista em Planejamento, Gestão e Infraestrutura em Informações Geoestatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Igor Matheus Severo de Andrade, utilizou duas pesquisas da entidade.

A PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual) apontou que, entre 2020 e 2024, a proporção de pessoas com 65 anos ou mais no estado passou de 8,77% para 8,94%, chegando a 10,10% em 2025, o que indica avanço do envelhecimento populacional.

“Em termos absolutos, o grupo passou de 240 mil para 253 mil entre 2020 e 2024, e para 288 mil em 2025”.

A segunda pesquisa foi a PNAD Contínua Trimestral, que mostra informações sobre a força de trabalho, utilizando um recorte ainda mais amplo, de 60 anos ou mais. “Os resultados indicam aumento da participação dessa população idosa na força de trabalho ao longo do tempo. No quarto trimestre de 2022, foi de 7,1%; em 2024, de 8,1%; e, em 2025, de 8,3%”.

Andrade apontou que os dados do IBGE e do TSE, embora não sejam diretamente equivalentes, apontam na mesma direção. “A PNAD Contínua Anual mostra que a população idosa vem aumentando proporcionalmente. Já a PNAD Contínua Trimestral indica que essa população também está mais ativa economicamente, com maior participação na força de trabalho. Em conjunto com os dados do TSE, que mostram aumento da participação eleitoral entre pessoas com 70 anos ou mais, esses resultados são compatíveis com a hipótese de uma população idosa não apenas mais numerosa, mas também mais ativa socialmente”.

Justiça Eleitoral

O TSE destaca que, embora aos 18 anos o voto se torne, além de um direito, um dever, a partir dos 70 anos, quando passa a ser facultativo, nunca deixa de ser um direito do cidadão.

O órgão diz que constantemente faz campanhas institucionais para incentivar o voto de pessoas com 70 anos ou mais, e que isso é uma forma de garantir o exercício da cidadania, a dignidade e a autonomia dessa parcela da população.

O TSE aponta que a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, ao apresentar o relatório das Eleições 2024, destacou a importância do voto dos idosos para a democracia brasileira.

“Cada voto contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva, em que todas as gerações têm voz ativa no futuro do país... Lembrar que a experiência acumulada ao longo da vida é um patrimônio valioso para guiar escolhas conscientes é um grande motivo para que a terceira idade esteja presente nas urnas”, concluiu.