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Vida em Vênus e a urgência de popularizar a ciência no Brasil

Por André Mazini | 13/10/2020 07:53

Responde rápido: existe vida fora da terra? A não ser que a resposta tenha sido “não sei”, o que nós acreditamos ou deixamos de acreditar nessa área não supera a linha do achismo. Não superava, pelo menos. A grande descoberta científica das últimas semanas mostrou que, sim, a chance de haver vida extraterrestre é concreta. Não em Marte como costumávamos imaginar, mas no vizinho Vênus.

É uma grande descoberta. Dessas que que podem marcar a humanidade. Ainda assim, é pouco provável que alguém que agora lê essa coluna saiba o nome dos pesquisadores responsáveis por essa conquista. Talvez fosse a escalação da final da Copa de 1994* ainda teriam alguns que se lembrariam, mas a ciência não costuma ter nome e cara na nossa cultura.

A maioria dos brasileiros, 90% para ser mais exato, não consegue sequer se lembrar do nome de um único cientista do País. Nenhum! E mais, 88% dos brasileiros não conseguem indicar o nome de nenhuma instituição da área, nem mesmo universidades que, no nosso contexto, são o principal centro de produção científica do País. Esses dados foram revelados na última versão da pesquisa de Percepção Pública Sobre Ciência desenvolvida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2019.

Isso não significa que os brasileiros não confiem nos cientistas. Pelo contrário, a mesma pesquisa mostrou que os cientistas são o terceiro grupo de profissionais em que os brasileiros mais confiam.

Mas existe um temor de que isso possa mudar.

A falta de investimentos coordenados em ciência, aliada à amplitude das fakenews e os exércitos de robôs replicadores que diariamente colocam o conhecimento científico em xeque é uma combinação que tem se mostrado bem perigosa. Doenças voltando a circular por falhas na vacinação; queimadas descontroladas arrasando o Pantanal; nuvens gigantes de gafanhoto, são pistas do rumo alarmante que temos tomado ao deixar de dar a devida atenção à ciência.

Não precisa muito rigor para ver que os movimentos anticientíficos têm ganhado mais voz nos últimos anos. Voz bem barulhenta, inclusive. Chegamos ao ponto em que defender a ciência é defender o direito de avançarmos como seres humanos. Nós, que já pisamos na lua, desvendamos mistérios atômicos, mapeamos o DNA humano e estamos a um passo de descobrir vida em Vênus, agora nos vimos tendo que voltar várias casinhas para reforçar conceitos que, a esta altura, já deveriam estar cristalizados, como a necessidade de implementar medidas contra o aquecimento global, a eficiência das vacinas, ou até o formato esférico do nosso planeta. São tempos estranhos na Terra, Houston.

*Em tempo: Tafarel no gol, Branco e Jorginho nas laterais cobrindo Aldair e Márcio Santos na zaga. Dunga seguia protegendo a defesa com Mauro Silva e apoiando Zinho e Raí logo a frente. Bebeto e Romário completavam o ataque. Timaço!


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