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Brookfield tem prejuízo de R$ 53 mi e sai da Bolsa de Valores

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 27/02/2014 08:40
Brookfield tem prejuízo de R$ 53 mi e sai da Bolsa de Valores

No fim de 2013, Brookfield teve prejuízo de R$ 53 milhões e está saindo da Bolsa de Valores

A Brookfield Incorporações é uma das maiores empresas do ramo de construção de prédios de apartamentos do Brasil e está há mais de três décadas no mercado brasileiro. Sua principal acionista é a Brookfield Asset Management, gestora global de mais de US$ 175 bilhões em ativos em cinco continentes.

No Brasil, investem, além do setor imobiliário, em energia renovável, shopping centers, agropecuária, florestas e no mercado financeiro. É uma empresa gigantesca. Mas no terceiro trimestre de 2013 teve um grande solavanco. Um prejuízo de R$ 53 milhões. Seus papéis na Bolsa de Valores passaram a ser negociados por um terço do valor patrimonial.

No Mato Grosso do Sul, a Brookfield tem um grande investimento na Fazenda Bartira, localizada em Camapuã, onde cria gado nelore de excelência e três prédios de apartamentos em Campo Grande – o Green Life e o Yes que estão em construção e o Vitalitá que está concluído.

Brookfield tem prejuízo de R$ 53 mi e sai da Bolsa de Valores

O cenário brasileiro não é promissor para a empresa

Desde a abertura de capital em 2006, vinha lutando contra baixa rentabilidade, queima de caixa, excesso de custos e excesso de ofertas de prédios.

Nos últimos meses, a empresa também apareceu na mídia como uma das envolvidas no esquema de irregularidades no pagamento de ISS à Prefeitura de São Paulo para a liberação de habite-se. Na semana passada, as más notícias continuaram – retirou seus papéis da bolsa de valores com um pagamento baixo para os que nela investiram algo como menos da metade do valor.

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Não há dúvida sobre o potencial brasileiro para dominar a oferta mundial de carne bovina

A Associação Brasileira de Exportadores mostra a importância da pecuária bovina para a balança comercial brasileira – em 2013, a venda de 1,5 milhão de toneladas de carne rendeu ao país cerca de US$ 6,5 bilhões. A cifra é recorde de faturamento para o setor. Para 2014, a previsão é de chegar aos US$ 8 bilhões.

Mesmo sendo um número significativo, há um imenso desafio mundial, fruto de estudos da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) o setor da carne bovina terá de produzir 119 milhões de toneladas em 2050. Ou seja, um salto de 47% sobre a produção atual.

A experiência norte-americana pode auxiliar o Brasil a encurtar o caminho em busca de uma cadeia produtiva mais coesa. Nos Estados Unidos, nos anos 1990, os criadores perceberam que seu ramo de negócio era a produção de alimentos, e não de gado.

Passaram, então, a se preocupar com a qualidade dos animais, trabalhando em uma escala de desafios que vai do volume de animais entregue ao frigorífico até peso e qualidade da carcaça, e por fim, excelência da carne oferecida aos consumidores.

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No Brasil, o foco ainda está em volume de animais e peso

Segundo Dan Hale, pesquisador da Texas A&M University, uma das principais instituições de ensino e pesquisa do agronegócio, nos EUA, que visitou fazendas brasileiras em 2013, há uma grande variação na qualidade do gado e da carne. Ele diz que separar o que é carne de qualidade no frigorífico não é o ideal e defende que o Brasil invista no abate de bois castrados com idade máxima de 2 anos. “Os bois não castrados são mais eficientes na produção de carne, mas ela é mais dura e mais escura que a carne do novilho. Essa carne, mais escura e dura é depreciada na cadeia de produção.

Para que isso não aconteça, nos EUA há uma relação estreita entre as empresas de confinamento e os frigoríficos. A proximidade entre a indústria e o pecuarista ajuda a cadeia produtiva a encontrar uma direção.

A indústria norte-americana de carne bovina processa 11,4 milhões de toneladas por ano, a partir de um rebanho de 90 milhões de animais. A brasileira processa cerca de 9,5 milhões de toneladas de um rebanho de 210 milhões de animais. Mais carne com um rebanho que não chega nem na metade do nosso. Esses números comparativos demonstram o grande potencial do Brasil para crescer em produtividade.

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Fertilizantes ficarão mais caros – a Rússia quer aumentar o preço

Em termos mundiais, o Canadá com 52% e a Rússia com 21%, são os dois países em reservas de potássio do mundo. Também são os dois maiores produtores com cerca de 40% do total produzido mundialmente. O Brasil dispõe de apenas 3% das reservas globais. Ainda que a produção prometida pelo Estado de Sergipe venha a elevar a produção nacional de potássio continuaremos a ser um importador importante no cenário mundial.

Esses alguns dos fatores que estão levando a russa Uralkali, uma das maiores produtoras de potássio do mundo a desejar aumentar seus preços no mercado brasileiro. O reajuste refletirá nos custos dos fertilizantes, uma vez que o potássio é usado na sua fabricação. A Uralkali pretende elevar para US$ 350 o valor por tonelada de potássio granulado aos grandes compradores brasileiros, um aumento de US$40 por tonelada.

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O mito da mobilidade social

O que levava milhares de brasileiros, ano após ano, a migrar para os Estados Unidos era a esperança da mobilidade social. Ela está baseada no sonho de que qualquer um, por meio de dedicação e de um espírito empreendedor pode escalar os “degraus do sucesso”. Parecia que nos últimos anos, esta mobilidade “para cima” havia sido interrompida naquele país. O que a seta indicava era uma mobilidade para baixo, rumo à pobreza. Por outro lado, economistas de Harvard e Berkeley lançaram um estudo abrangente provando que a mobilidade econômica não caiu nos últimos 20 anos.

Os próprios pesquisadores tinham a sensação inicial de que a mobilidade econômica havia decaído. Contudo, aquilo que eles observaram é que as crianças nascidas na década de 1990 tiveram as mesmas oportunidades de escalar os degraus econômicos que crianças nascidas na década de 1970.

Ainda mais assustador, foi o fato de que, quando os economistas olharam a mobilidade na década de 1950, concluíram que ela ficou relativamente estável por toda a segunda metade do Século XX. Isto parece uma boa notícia, porém, há um problema: não havia muita mobilidade naquela época.

Segundo RajChetty, um dos economistas que realizou a pesquisa, a mobilidade social é baixa e continuou assim ao menos nos últimos 30-40 anos. Isso fica mais evidente quando são verificadas as perspectivas dos mais pobres. Setenta por cento das pessoas nascidas na base das camadas sociais nunca foi para a classe média, enquanto que menos de 10% consegue atingir o topo das classes econômicas.

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A classe média também não é tão suscetível a movimentações

Apenas 20% das pessoas nascidas na classe média conseguem ascender economicamente entre os mais ricos. E ainda que muitos vejam os Estados Unidos como uma sociedade aberta economicamente, a mobilidade social é mais baixa do que na maioria dos países europeus.

Isto não foi sempre assim. Como demonstrado pelo economista Joseph Ferrie, no fim do século XIX, os Estados Unidos eram muito mais móveis economicamente do que a Inglaterra. Uma criança tinha muito mais chances de ascender a uma classe econômica melhor do que a de seus pais naquela época. Em 1906, o sociólogo Werner Sombart observou que o “americano médio” acreditava que tinha boas chances de crescer economicamente.

O sentimento persistiu: nos EUA, preocupam-se menos com a igualdade que na Europa. Os norte-americanos acreditam em uma sociedade meritocrática - quem tem méritos pode ascender e quem não tem, é um derrotado. O problema é que, com o passar do tempo, o “American dream” ficou cada vez mais desconectado da realidade.

A mobilidade social, a possibilidade de crescimento econômico é uma finalidade nobre, mas não podemos nos iludir e acreditar que isto resolva todos os problemas econômicos de um país.

No Brasil, a fórmula do aumento do consumo e aquecimento da economia, “importada” da solução que os economistas dos EUA encontraram para a Grande Depressão na primeira metade do Século XX, mostrou que tem efeitos positivos para a economia, mas é limitada e depende de decisões políticas do governo. Tais decisões devem garantir que este poder de consumo se torne perene – uma efetiva mudança de classe econômica com acesso ao emprego, crescimento econômico e inflação controlada.

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‘Mobilidade social é exceção e não a regra’

Países desenvolvidos têm melhores índices de mobilidade, mas isso não previne a acumulação de riquezas entre gerações. Na Suécia, um dos países com maior mobilidade social no mundo, foi observado que os mais ricos eram filhos de pais ricos. O historiador da economia Gregory Clark defende a tese de que o mobilidade social é a exceção e não a regra. A receita econômica é que as políticas públicas no mundo capitalista sejam voltadas para melhorar o padrão de vida das pessoas pertencentes à classe média e baixa, ao invés de buscar que elas fiquem mais ricas. Esta foi a receita dos Estados Unidos durante o Século XX, em que, por mais que as pessoas continuassem na mesma classe econômica, com o passar do tempo o padrão de vida das classes mais baixas foi elevado de maneira considerável. Esta foi a fórmula usada no Brasil na primeira década do Século XXI.

E o esforço brasileiro tem sido hercúleo, porque aumentar o padrão de vida das classes baixas é difícil: envolve o crescimento de salários ou coisas que assustam políticos como tributos e redistribuição econômica. A questão é, enquanto procura-se facilitar os caminhos para que as pessoas “subam a escada” econômica ainda existe um número muito grande de pessoas que não conseguem ter o mínimo para uma vida digna.

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