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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

30/05/2014 12:54

É possível usar agrotóxico de forma sustentável, afirma pesquisador

Bruno Chaves
Agricultores devem ficar atentos às peculiaridades da propriedade na hora da aplicação do produto (Foto: Divulgação/Assessoria) Agricultores devem ficar atentos às peculiaridades da propriedade na hora da aplicação do produto (Foto: Divulgação/Assessoria)

A utilização do agrotóxico de forma sustentável é possível se o agricultor seguir as recomendações do rótulo do produto. A opinião é do pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rômulo Penna Scorza Junior, que atua em pesquisas de contaminação ambiental por agrotóxicos.

Para ele, produtores e técnicos devem ficar atentos às peculiaridades da propriedade, “como não aplicar o agrotóxico próximo a recursos hídricos, tomar cuidado com lixiviação e, logicamente, fazer a aplicação do produto em horários mais adequados para evitar altas temperaturas”.

O uso do produto é necessário para conter pragas, doenças e proliferação de plantas daninhas nas lavouras. Entretanto, ao mesmo tempo que ajuda, o agrotóxico preocupa diversos segmentos da sociedade.

“Esses produtos são necessários, visto que precisamos garantir um patamar alto de produtividade, até porque é preciso ter retorno econômico de sua atividade agrícola”, afirmou Rômulo.

Conforme o pesquisador, é importante ressaltar que a utilização envolve alguns riscos associados. “É importante enfatizarmos que estamos em um país tropical, em que a dinâmica de pragas, doenças e plantas daninhas é diferente de países temperados. A própria palavra 'agrotóxico' é para dar uma conotação de risco a sua utilização”, explicou.

Dessa forma, o produtor deve ficar atento aos riscos ambientais associados, que podem ser diferentes dependendo da localidade. “Por isso é preciso saber qual agrotóxico está sendo usado; qual o maior risco associado àquele agrotóxico, por exemplo, se é contaminação de água, se é volatilização, se é contaminação de resíduo no solo; entre outros”, contou.

“Quando os agrotóxicos são aplicados na cultura, grande parte fica retida na planta, parte deles também vai para o solo – muitos deles são, inclusive, aplicados diretamente no solo. Após sua aplicação, esses produtos estão sujeitos a diferentes processos que podem ocorrer naquele ambiente”, pontuou.

O pesquisador ainda explicou que a escolha de um agrotóxico feita pelo agricultor, muitas vezes, está relacionada pela eficiência do produto, além do custo. Mas critérios devem ser observador para o uso sustentável só produto.

“Usando o produto da forma correta, conforme recomendação do rótulo; mas também ficando atento às peculiaridades de sua propriedade, como não aplicar o agrotóxico próximo a recursos hídricos, tomar cuidado com lixiviação, logicamente fazer a aplicação do produto em horários mais adequados para evitar altas temperaturas”, esclareceu.

Ainda é possível antever o comportamento ambiental do agrotóxico no campo. Para isso, é preciso que o agricultor leve em conta as características do produto, do solo e do clima. “E tendo subsídios técnicos, com essas informações em mãos, é possível ter uma ideia dos possíveis riscos ou do potencial de contaminação dos recursos hídricos daquele agrotóxico.

Programa de computador elaborado pela pesquisa de Rômulo tenta simular o que acontece no campo, utilizando simplesmente uma ferramenta computacional com posse das informações de clima, de solo e da molécula do agrotóxico, por meio de modelos matemáticos.

“Com isso é possível saber até que profundidade vai chegar, a que concentração vai chegar naquela profundidade, quanto tempo vai permanecer no solo e o que vai acontecer com o produto se mudar a época de aplicação”.

Dessa forma, a Embrapa tem trabalhado no desenvolvimento de um programa de computador que tem como objetivo simular o comportamento ambiental de moléculas de agrotóxicos em cenários agrícolas brasileiros. Para ele, “será possível estimar concentrações que podem ocorrer nesses cenários agrícolas.

Com base nesses valores, nessas estimativas, os órgãos que lidam com os registros de moléculas de agrotóxicos querem utilizar essas ferramentas para avaliar o risco ambiental no Brasil”.

Impacto na sociedade – Com o comprometimento do produtor no uso prático das recomendações, a medida impacta positivamente na sociedade, que “está sempre preocupada com essa questão”.

“É importante deixar claro é que a pessoa que faz uso desses produtos esteja realmente ciente, tenha informações que a utilização está sendo feita de forma segura e que não esteja causando impactos à sociedade, em relação a vários aspectos, como resíduos em água, em alimentos”, disse.



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