Afastamentos por burnout quadruplicam em MS e acendem alerta na Previdência
Crescimento de 82% ocorre às vésperas do início de multas a empresas por falhas na prevenção
Mato Grosso do Sul acompanha a tendência nacional de crescimento dos afastamentos por burnout, síndrome ligada ao esgotamento no trabalho, ainda que em escala menor que a média do país. Dados do Ministério da Previdência Social, mostram que o número de benefícios concedidos no Estado por esse motivo quadruplicou em quatro anos e se aproximou do total de 2024 em apenas seis meses de 2025.
RESUMO
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Os casos de afastamento por burnout em Mato Grosso do Sul quadruplicaram em quatro anos, passando de 18 registros em 2021 para 72 em 2024. No primeiro semestre de 2025, já foram contabilizados 59 casos, representando 82% do total do ano anterior, segundo dados do Ministério da Previdência Social. No cenário nacional, o aumento foi ainda mais expressivo, com crescimento de 493% no mesmo período. Os gastos com auxílios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental saltaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024. Desde 2023, o burnout é reconhecido como doença ocupacional, garantindo estabilidade ao trabalhador.
Segundo levantamento enviado pelo Ministério da Previdência Social ao Campo Grande News, em 2021 foram registrados 18 afastamentos em Mato Grosso do Sul classificados na CID (Classificação Internacional de Doenças) Z73, código que reúne problemas relacionados à organização do modo de vida e que inclui a síndrome de esgotamento.
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Em 2022, o número caiu para 15, mas voltou a subir em 2023, com 27 registros. O salto ocorre a partir de 2024, quando os afastamentos chegaram a 72 casos. De janeiro a junho de 2025, foram 59 concessões, o equivalente a 82% de todo o volume do ano anterior.
No cenário nacional, o crescimento é ainda mais acentuado. Os afastamentos por burnout saltaram de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024, alta de 493% em quatro anos. Apenas no primeiro semestre de 2025, o país contabilizou 3.494 benefícios concedidos, o que representa mais de 70% do total registrado em todo o ano passado.
De acordo com especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, apesar do avanço, os próprios dados indicam que os números podem estar subnotificados. O burnout não possui um código exclusivo na Classificação Internacional de Doenças e, no Brasil, é enquadrado em uma categoria ampla que também pode abranger outros problemas relacionados ao modo de vida.
Além disso, muitos trabalhadores acabam afastados por diagnósticos como ansiedade ou depressão, sem que o esgotamento profissional seja formalmente reconhecido como causa principal.
Outro fator que limita a dimensão real do problema é a informalidade. Trabalhadores sem contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ficam fora das estatísticas da Previdência, mesmo quando apresentam sintomas graves de adoecimento mental ligados ao trabalho.
O crescimento dos afastamentos tem impacto direto nas contas públicas. Em nível nacional, as despesas com auxílios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, alta de 68%, ritmo superior ao crescimento geral dos gastos da Previdência no período.
Além da pressão financeira, o aumento dos casos acendeu um alerta no governo federal. Desde 2023, o burnout é reconhecido formalmente como doença ocupacional, o que garante ao trabalhador afastado estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno e manutenção dos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), durante o período de afastamento.
Multas - Em 2024, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) passou a exigir que empresas mapeiem riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como excesso de jornada, pressão por metas e ausência de pausas. A aplicação de multas para quem descumprir a norma, no entanto, foi adiada após pressão do setor empresarial e está prevista para começar apenas em maio deste ano.
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