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Saúde e Bem-Estar

MS integra pesquisa que usa IA para detectar cárie e priorizar demandas no SUS

Parceria entre Unicamp, UFMS e UFPB desenvolve app com análise de imagens da boca

Por Inara Silva | 22/04/2026 08:11

Mato Grosso do Sul integra um projeto de pesquisa que reúne três universidades de diferentes regiões do país e aposta na inteligência artificial como aliada para melhorar o acesso aos serviços odontológicos no SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa prevê o desenvolvimento de um software capaz de auxiliar na detecção de cárie e gengivite a partir de imagens da cavidade bucal, contribuindo para organizar a demanda e priorizar pacientes com maior necessidade de atendimento.

RESUMO

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Pesquisadores da UFMS, Unicamp e UFPB desenvolvem um software com inteligência artificial para otimizar o atendimento odontológico no SUS. O projeto, financiado pelo Programa Pesquisa para o SUS, utiliza a análise de fotos da cavidade bucal para detectar precocemente cáries e gengivite. A tecnologia visa agilizar o diagnóstico e priorizar pacientes com casos urgentes na atenção primária. Com duração de dois anos, a iniciativa foca em tornar o sistema de saúde pública mais eficiente.

O projeto faz parte da 8ª edição do PPSUS (Programa Pesquisa para o SUS), financiado pela FAPESP ( Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em parceria com o Ministério da Saúde e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A coordenação geral é do professor Antônio Carlos Pereira, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com participação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e da UFPB (Universidade Federal da Paraíba).

Em Campo Grande, a pesquisa é conduzida pelo professor Rafael Aiello Bomfim da UFMS. Em João Pessoa (PB), os trabalhos são liderados pelo professor Yuri Wanderley Cavalcanti. A equipe da Unicamp também conta com a professora Karine Cortellazzi e a professora Vanessa Pecorari.

“A gente conseguiu recurso para treinar uma inteligência artificial para fazer a estratificação de risco do cliente da atenção primária. A ideia é que, a partir das fotos, o sistema consiga identificar padrões e indicar se há doença ou necessidade de tratamento”, explica Bomfim, que não soube revelar o valor do repasse.

O projeto tem duração prevista de 24 meses e já está em fase inicial de validação do dispositivo. A expectativa é que, até o fim do primeiro semestre, comecem os testes práticos para coleta de imagens e treinamento da IA (Inteligência Artificial). A implementação mais ampla deve ocorrer a partir do segundo semestre.

De acordo com o edital da FAPESP, as propostas aprovadas serão financiadas com recursos para a aquisição de bens de capital quanto ao custeio, incluindo a concessão de bolsas, conforme previsto no convênio firmado com o CNPq. O investimento total previsto para as 26 pesquisas selecionadas é de R$ 14 milhões, sendo metade proveniente do Departamento de Ciência e Tecnologia, repassados via CNPq, e a outra metade da própria FAPESP. Cada projeto poderá ter custo máximo de R$ 400 mil, excluídas as reservas técnicas.

Prioridade - Um dos principais objetivos da tecnologia é apoiar o trabalho na atenção primária, especialmente durante visitas domiciliares. A proposta é que agentes comunitários de saúde, auxiliares de saúde bucal ou dentistas possam utilizar o dispositivo para fotografar rapidamente a boca dos pacientes e, com o auxílio do sistema, classificar o nível de risco.

Na prática, isso permitiria identificar com mais agilidade quem precisa de atendimento urgente, reduzindo filas e melhorando a organização dos serviços.

“O que a gente espera é justamente que quem tem maior necessidade consiga entrar mais rápido no serviço. É uma forma de dar prioridade para quem precisa de tratamento com mais urgência”, afirma Bomfim.

Parceria - O estudo é multicêntrico, pois envolve três polos: UFMS, Unicamp e UFBA. “A ideia é não concentrar o estudo em um único lugar, mas testar em diferentes contextos. Fui convidado pela minha atuação nessa área e pela proposta de implementar a tecnologia dentro do serviço”, explica.

Inicialmente, os testes serão realizados nas próprias universidades. Em Mato Grosso do Sul, as atividades começam na UFMS, antes de uma possível expansão para outros cenários.

Transferência de tecnologia - Além do desenvolvimento do software, a equipe também trabalha na possibilidade de registro de patente do dispositivo. A intenção, no entanto, é garantir que a tecnologia possa ser utilizada no sistema público de saúde.

Além do desenvolvimento tecnológico, o objetivo central é tornar o SUS mais eficiente. “A gente entende que muitas pessoas têm necessidade de tratamento, mas não conseguem acesso. Nosso maior intuito é melhorar esse acesso, principalmente para quem mais precisa”, destaca Bomfim.

A expectativa é que, ao final do projeto, a ferramenta contribua para tornar o SUS mais resolutivo, com o uso de uma tecnologia acessível e aplicável no cotidiano dos serviços de saúde bucal.

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