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Campo Grande, Quarta-feira, 01 de Março de 2017

29/03/2012 15:02

A inquietante sensação do medo

Por Rosildo Barcellos (*)

O fenômeno social mais preocupante em 2012, é a escalada do uso e abuso de drogas, em razão da multidimensionalidade que apresenta, pois reflete desde os acidentes de trânsito até a inquietação,medo e tristeza no seio familiar. A droga é hoje um impeditivo à paz social, pois gera intranquilidade no seio da célula mater da sociedade, na Saúde e na Segurança Pública. É inequívoca a relação entre o trinômio usuário/traficante/criminalidade e o seu peso na movimentação da máquina da violência.

O uso indevido de drogas consubstancia-se em, séria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e culturais e da vida propriamente dita. Inobstante todos os esforços já realizados pelo Estado na busca de solução para a questão das drogas, observa-se uma enorme frustração quando se examina o balanço das políticas de enfrentamento implementadas. O consumo de drogas aumentou e são minguados os resultados das ações de prevenção ao uso, de reeducação e de recuperação de usuários.

É certo que muitos países são fortemente dependentes da economia das drogas, como é o caso, por exemplo, de Myanmar (antiga Birmânia), apontado pela ONU como o segundo maior produtor de ópio do mundo (460 toneladas), e de Marrocos, maior produtor mundial de haxixe. Por conseguinte percebe-se uma grave dificuldade adicional que os governos enfrentam para combater o narcotráfico até porque, ele anda amiúde com o tráfico de armas.

É inegável que qualquer política de combate às drogas deverá contribuir para a responsabilização dos indivíduos a que se destina, buscando a sua conscientização e a mudança de seus comportamentos e atitudes. Estamos em guerra contra as drogas e não há mais espaço para retórica. Esta é a questão que está em pauta na agenda da saúde pública no país. Mato Grosso do Sul tem apenas 83 leitos para tratamento de usuários de drogas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Infelizmente, pacientes amargam à espera de vagas nos dois hospitais que comportam internações acima de um mês – Nosso Lar, em Campo Grande, e Hospital Psiquiátrico de Paranaíba. Familiares continuam assustados sem saber o que fazer e eivados da inquietante sensação do medo.

A associação das drogas à criminalidade e o slogan “guerra as drogas” passam a fazer parte de todo um aparelho ideológico presentes em estratégias do Estado, da Justiça, de religiões contra um “grande mal”.

Destarte precisamos fazer “entrar em cena” os atores, perturbar a lógica. Pais (sempre) em atividades junto a seus filhos, comungando com a orientação de professores, jornalistas,policiais e enfim todas as autoridades constituídas para buscar um caminho e se houver a necessidade : a internação . Reconhecida pelo decreto lei 891 de 25/11/1938 em seu Art 29 que trata do toxicômano ou intoxicado habitual por entorpecentes ou inebriantes em geral com vistas a sua internação obrigatória – por tempo determinado ou não. É o momento de a sociedade somar esforços e contribuir para que se crie uma política de Estado de enfrentamento às drogas.

Não se trata de uma disputa político-partidária mas a reeducação do amor “responsável”. O vício troca as dores humanas por falsos e efêmeros prazeres, enquanto escraviza a alma e quase sempre definha o corpo.

(*)Rosildo Barcellos é articulista e professor da UCDC.

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