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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Novembro de 2019

02/11/2019 14:58

A Serra de Maracaju e seus cenários

Por Heitor Freire (*)

O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul desde 2006, realiza anualmente um seminário de desenvolvimento institucional –, coordenado desde o princípio e até hoje, por Vera Tylde de Castro Pinto e por mim, associados do Instituto –, abordando temas dos mais diversos que vão desde história, cultura, geografia, turismo, meio ambiente, empreendedorismo e culinária até o papel da mulher em nosso estado.

Neste ano, nos dias 28 e 29 de outubro, a XIV edição do seminário, teve como tema “A Serra de Maracaju e Seus Cenários”. Foi uma oportunidade que proporcionou a todos os presentes um enriquecimento cultural de alta significação.

Na abertura, o diretor de relações institucionais do Instituto, professor Américo Calheiros – que sugeriu o tema –, fez diversas considerações a respeito da influência mágica da Serra de Maracaju em toda a população do nosso estado.

A seguir, o professor Arnaldo Menecozzi, membro do Instituto – coautor da Enciclopédia das Aguas, carro chefe das publicações do IHG –, nos ensinou o verdadeiro significado da geografia. Sua palestra foi “A Serra de Maracaju e a Geografia”.

Depois foi a vez do professor Gilson Rodolfo Martins, vice-presidente do Instituto, com o tema “A Serra de Maracaju e os Seus Sítios Arqueológicos” – que foi objeto de sua tese de doutorado, com mais de 10 anos de pesquisas –, apresentando dados que remontam há mais de 15 mil anos, provando que muito antes dos índios que povoaram nosso estado já tivemos habitantes que deixaram marcas em diversas partes da Serra.

Logo depois apresentou-se o poeta e performista Ruberval Cunha, que encantou a plateia com sua performance e estimulou a participação de todos.

As palestras da noite foram encerradas pelo professor Paulo Eduardo Cabral, ex- presidente do Instituto, com o tema “A Serra de Maracaju na História e na Cultura”, demonstrando a influência mitológica da região e enumerou diversos eventos históricos que a tiveram como cenário, tais como a Guerra da Tríplice Aliança e a Revolução Constitucionalista de 1932.

No encerramento da primeira noite, foi servida uma bela sopa paraguaia, uma tradição que herdamos da cultura guarani e desde muito tempo foi incorporada à nossa culinária.

No dia 29, a palestra de abertura foi “A Serra de Maracaju e a Literatura”, da escritora e poeta Raquel Naveira, que emocionou a platéia com sua vibrante e marcante participação, levando-nos a uma viagem no tempo, evocando o Visconde de Taunay, que deixou registros históricos como A Retirada de Laguna, Memórias (no qual narrou sua história de amor com a índia Antônia) e Inocência – romance símbolo de Mato Grosso do Sul.

Raquel Naveira também contou sobre a visita de Guimarães Rosa ao nosso estado em 1952, que rendeu relatos importantes sobre vários locais por onde o escritor passou como Sanga Puitã, Ponta Porã, Campo Grande, Piraputanga, Aquidauana e a Serra de Maracaju que lhe despertou grande fascínio. Raquel também lembrou do importante trabalho dos irmãos Manoel de Barros e Abílio, e dos músicos Paulo Simões e Almir Sater, que igualmente se inspiraram no esplêndido cenário da Serra.

No intervalo, foi prestada uma homenagem à professora Maria Madalena Dib Mereb Greco, diretora executiva do Instituto, que se transformou na espinha dorsal do IHG, por sua dedicação e competência. Foi um momento emocionante que registrou a gratidão de todos os associados por ela.

A parte artística ficou por conta do violonista e professor de música Gregg Antunes, que brindou aos presentes com várias músicas do repertório internacional e também do nosso cancioneiro.

A última palestra, “A Serra de Maracaju e o Inconsciente Coletivo”, apresentada pelo psiquiatra Alex Leite de Melo, que exibiu um estudo sobre a evolução da ciência no campo da mente, passando por Pavlov, Freud, Jung e outros estudiosos eméritos, mostrando que o inconsciente coletivo depende de fatores genéticos que se transmitem
de geração a geração.

Depois, na função de mestre de cerimônias do evento comentei sobre a importância da Serra no imaginário e no sentimento de nossa gente. A influência é tão forte que a energia que irradia da Serra se refletiu no tempo e no espaço. Por exemplo, em 1921, quando um grupo de maçons – que anteriormente fundaram a Santa Casa –, criaram a primeira Loja Maçônica de Campo Grande, a denominaram Oriente Maracaju nº 1.

Onze anos depois, em 1932, um grupo de estudantes universitários fundou no Rio de Janeiro a Liga Sul-Mato-Grossense de Estudantes que visava a divisão do estado de Mato Grosso com a criação do estado de Maracaju. Esses estudantes sob a liderança de Ruben Alberto Abbott Castro Pinto, primeiro e único presidente da Liga, tornaram-se depois políticos que marcaram a história do nosso estado.

Ao final, foi feito o lançamento do livro Memórias do Sedims, um registro de todos os seminários já realizados, contendo o artigo de um palestrante de cada ano. O livro tem a edição caprichada de Marília Leite, com impressão da Life Editora. O livro foi patrocinado pelo empresário Sinval Martins de Araújo a quem registramos o nosso agradecimento.

E last but not least, foi servida mais uma rodada de sopa paraguaia. E assim, fechamos com chave de ouro um evento maiúsculo.

(*) Heitor Rodrigues Freire é titular da cadeira 37 do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, coordenador do Sedims e mestre-de-cerimônias do IHGMS.

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