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Campo Grande, Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

01/10/2014 14:00

Avaliação e Jazz

Por Ronaldo Mota (*)

Avaliar é sempre complexo e, muitas vezes, necessário. Portanto, há que se ser muito comedido quanto a definir, ou mesmo a sugerir, modelos e regras de avaliação.

No entanto, quando se começa a abordar o tema, é inevitável a boa cobrança do tipo: “concordo, mas como eu faço, na prática, para promover uma avaliação que seja justa, eficiente, contemporânea e criativa?”. Não há, felizmente, uma resposta única e simples. Há várias e é provável que nenhuma delas se aplique sempre.

Eu optaria, preliminarmente, por uma comparação em dois atos. Observe uma banda de jazz e perceba: (i) que o público sabe identificar diferenças entre uma que tem qualidade de outra, sem valor; e (ii) se todos os componentes tocarem solo, também saberão, razoavelmente, identificar quem toca bem.

Com esse exemplo, pretendo destacar que avaliar implica em estimular, sempre que possível, o trabalho em grupo, ressaltando o quão essencial é criar em equipe, mas que tal processo também demanda, em geral, individualizar, permitindo perceber no grupo o que cada um efetivamente fez ou deixou de fazer.

Nas boas “performances” dejazz, ao longo da apresentação coletiva, cada instrumentista é convocado a tocar separadamente. Neste caso, é esperado que o solo contenha todos os compassos da música, evitando os chamados “riffs”, frases curtas e repetidas de poucas notas. Mesmo assim, talentosos músicos saberão tocar “riffs” com habilidade e competência, alterando suas notas e seus tempos.

Bandas de jazz podem ser grandesou pequenas. Trios, quartetos, quintetos...tocando piano, baixo, bateria, sax, guitarra, trombone, clarineta etc. Alguns são exímios em um só instrumento, outros líderes naturais de bandas ealguns medianos, embora, extremamente úteis na produção final do som de qualidade, melódico, harmônico e prazeroso.

Da diversidade e da pluralidade, nascem equipes fantásticas, em que, talvez, nenhum deles, individualmente, seja tão diferenciado. Às vezes, o mais discreto e não necessariamente o mais habilidoso instrumentista pode ser, por outras razões, a mola propulsora do grupo. Há, por outro lado, casos de junção de bons músicos sem que os resultados esperados tenham emergido. Há casos desastrosos em que a banda não funciona coletivamente e nem individualmente, e o som final sugere mudanças ou reprovações.

Sempre teremos situações nebulosas, tais como um ótimo aluno no individual e sofrível no coletivo. Sugestão: que ele seja aprovado, ainda que talvez a vida profissionalfutura lhe reserve dificuldades. Resta o caso do mediano individual, mas um líder no grupo. Que ele seja aprovado também e deixe que a vida lhe teste. Saberemos depois até onde foi.

Em suma, avaliar, mais do que separaruns de outros, deve ser um instrumento de estímulo ao aprendizado, sempretornando claras as métricas adotadas e que elas sejamcriticáveis e geradoras de resultados, sob os quais os critérios de avaliação possam ser permanentemente analisados, defendidos e aprimorados.

(*) Ronaldo Mota é reitor da Universidade Estácio de Sá, diretor de Pesquisa do Grupo Estácio e professor aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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