A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

10/09/2015 07:52

Aylan Shenu, Jair Bolsonaro e Pablo Escobar

Por Mauricio R. Lemes Soares (*)

Nessa última semana três personagens me chamaram a atenção: Aylan Shenu, Jair Bolsonaro e Pablo Escobar. As duas primeiras referem-se a fatos atuais. A última, apesar de certa distância temporal, ganhou grande repercussão midiática devido à estreia da série “Narcos” do canal Netflix®.

Aylan Shenu era a criança síria de 3 anos encontrada morta numa praia da Turquia após sua família refugiada sofrer um naufrágio na tentativa de alcançar a costa grega para escapar dos horrores da guerra civil e da péssima situação econômica em seus país de origem. A comoção mundial com esse fato foi tão avassaladora que tem levado os principais líderes e sociedade civil a pensarem com mais afinco a situação dos refugiados. Vários países estão agora abrindo suas fronteiras para os receberem.

Jair Bolsonaro é um deputado federal brasileiro extremamente conservador. Tem se popularizado pela irreverência em seu posicionamento político contrário frente a questões da pauta do governo federal em relação às minorias, especificamente sobre o Homossexualismo e os Direitos Humanos. No último sete de setembro, durante o desfile da independência, foi ovacionado e carregado nos braços por cidadãos que o chamavam de “Mito” e repetiam incansavelmente em uníssono: “Um, dois, três... quatro, cinco, mil... Queremos Bolsonaro presidente do Brasil”.
Pablo Escobar foi um criminoso colombiano que fez fama e fortuna através do narcotráfico. Chegou a ser apontado pela revista Forbes como uma das pessoas mais ricas do mundo no auge de sua vida megalomaníaca. Foi o chefe do Cartel de Medellín e pesa sobre seus ombros a morte de aproximadamente seis mil pessoas. Um dos fatos mais absurdos em sua trajetória foi o acordo de rendição firmado com o presidente colombiano Cesar Gavíria que lhe proporcionou um presídio particular de onde ele poderia ter uma vida de rei e controlar tranquilamente os negócios ilícitos.

Mas afinal, qual a relação entre essas personagens?

Guardadas as devidas proporções, elas simbolizam/simbolizaram a falência das instituições governamentais de seus países. Diagnosticam/diagnosticaram o mal e prognosticam/prognosticaram saídas políticas desastrosas para suas populações.

A Síria, afundada em uma guerra civil sem dia pra acabar, é acusada de abrir espaços para ocupação do terrorismo do Estado Islâmico. Porém, a chamada de atenção por meio da perda do pequeno Aylan Shenu, serve para que haja uma séria conversa entre ela e os principais países do mundo para um consenso.

O Brasil corre o risco de ter um presidente que, embora na contramão de uma agenda que considero mundial, resgata o conservadorismo no qual os políticos brasileiros sempre se apegaram para resolver as piores crises de sua história. E a Colômbia, para que cessassem os atentados à bomba no seu território, selou um acordo que consistiu em dobrar os joelhos de sua soberania para alcançar, naquele momento, a paz momentânea.

Durmamos com esse barulho...

(*) Mauricio R. Lemes Soares, vereador de Dourados e professor de História

 

Os três pilares do aprendizado
A educação brasileira passa por um profundo processo de transformação com a implantação da nova Base Nacional Comum Curricular. Precisamos estar pron...
O país onde tudo é obrigatório
Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, as regras ou são obedecidas ou não existem, por que nessas sociedades a lei não é feita para explorar ...
Universidade pública e fundos de investimento
  A universidade pública não é gratuita, mas mantida pelos recursos dos cidadãos. E por que a Constituição brasileira escolheu determinar esse tipo d...
Uma nobre atitude de cidadania e espiritualidade
A solidariedade é intrínseca à condição humana, um dever moral que vai além da dimensão religiosa, pois todos somos gregários e frágeis. A bondade é ...


imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions