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Campo Grande, Domingo, 17 de Junho de 2018

10/07/2014 15:22

Copa e Política: chega de hipocrisia

Por Isabelle Barros Ossuna (*)

Amo meu país, amo minha nação e vou continuar amando minha seleção. Eu acreditava que o hexa viria, sempre acreditei e continuo acreditando. Não estava afogada em um mar de “euforia”, e, sim, estava contagiada com a expectativa de ver minha seleção ser campeã no Brasil. De ver crianças que nunca viram o Brasil ser campeão do mundo, assistir isso da melhor maneira possível, em casa. Confesso, sonhei...

O pior do que ver o Brasil levar 7 gols da Alemanha, foi ver durante a copa alguns dito “brasileiros” torcerem contra nossa seleção com o discurso: se o Brasil perder, o PT perde também. E principalmente, comemorarem essa derrota como se fosse a “grande” vitória do Brasil.

Não sou ingênua de achar que em alguma coisa isso não iria influenciar dia 05 de outubro. Claro que vai! O que é uma pena. Mas, vai influenciar para alguém que não tem opinião formada, que da mesma forma que vai agora “vetar” uma candidata ou um partido, pode em seguida, talvez, utilizar-se da justificativa de estar revoltado e acabar se vendendo por uma promessa de cargo público ou até mesmo uma cesta básica.

É de brasileiros assim que precisamos? Precisamos de pessoas que amem sua nação, amem o fato de ter nascido aqui, amem sua seleção e qualquer coisa que represente nossa bandeira e não desistam do Brasil nunca. Pessoas assim saem às ruas pedindo hospitais, escolas e uma política padrão “Fifa”. Pessoas assim, já tinham sua opinião formada independente se foi gasto dinheiro público nos estádios ou não. E não iria mudar seu voto com o Brasil ganhando ou perdendo o mundial.

O que me entristece é amar minha pátria e não amar tanto assim os “brasileiros”. Mas o que é ser brasileiro de verdade? É ter a ginga? Saber sambar? Saber de futebol? Ter a tal da malandragem? E que malandragem é essa? É querer tirar proveito em tudo? Muito se fala nos políticos corruptos, nos impostos exorbitantes, mas já paramos para pensar como agimos e como somos brasileiros? Veja bem! Aqui não é um discurso de quem é “politicamente correta”, pelo contrário, é mais um desabafo ao ver pessoas “esclarecidas” torcerem contra sua seleção, por causa de política. Ou pior, fazer desse o principal motivo de todos os problemas enfrentados pelo Brasil.

Agora eu pergunto, essas pessoas têm amor à nação? Tem orgulho de ser brasileiro? Eu sempre pensei que o Brasil e principalmente os brasileiros mereciam essa alegria. Como muito bem disse o David Luiz, após a derrota contra a Alemanha: Só queria dar alegria ao meu povo, que tanto sofre. Era exatamente isso que sempre pensei. Se não somos a melhor economia, se não temos o melhor PIB, pelo menos queria ter o gosto de dizer que somos melhores em alguma coisa, somos campeões do futebol, porque amamos futebol.

Eu sei que ninguém vive de futebol, se vive de alimento, de dignidade, de bons hospitais, escolas, ruas de qualidade e estradas, mas vive-se também de amor, receptividade, orgulho e alegria. E era essa alegria que queria ter visto e que ainda quero ver.

Não quero fazer aqui um discurso nem muito ao sul, nem muito a norte, de esquerda ou direita.

Só acho que podemos separar as coisas, saber que a seleção do Felipão não tem culpa se não somos campeões na educação ou na saúde, e sim somos nós que somos “acomodados” com nosso dia a dia, em aceitar e agir de forma, às vezes, não tão “correta”, e somos nós que escolhemos nossos representantes.

Aí, virão com aquele velho discurso: Mas o voto daquele cidadão que ganha uma “bolsa”, sei lá do que, não me representa, porque eu trabalho, eu pago imposto. Mas será mesmo que não te representa? Será que quando manifestamos nosso voto pensamos na “Nação Brasileira,” ou pensamos em qual politico vou ter mais vantagem? Qual vai ser melhor pra mim ou para os meus negócios? Isso que é ser brasileiro?

Para encerrar o assunto, acho apenas que poderíamos ter separado o futebol, da política; ontem poderíamos ter torcido pela seleção; no dia 05 de outubro seremos nós que entraremos em campo, assim não dependeríamos mais de David Luiz ou Neymar, será a gente, a bola e o gol apenas.

(*) Isabelle Barros Ossuna é advogada

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